quarta-feira, 11 de maio de 2011

SUBSÍDIO LIÇÃO 07 - E B D 2011/2

LIÇÃO 07 - OS DONS DE PODER

A igreja é uma instituição organizada e dirigida por seres humanos, porém, o que a diferencia das demais instituições e sociedades humanas é a sua origem divina. A igreja cristã foi fundada pelo próprio Jesus e Inaugurada no Dia de Pentecostes. O Senhor Jesus pediu ao aos primeiros discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que ocorresse o evento de Pentecostes, pois, tal experiência seria indispensável para que igreja pudesse realizar a sua missão. O poder espiritual é a marca distintiva da igreja de Cristo. O poder dado a igreja a partir da experiência pentecostal não ficou limitada aos primeiros cristãos, não existe nenhuma fundamentação bíblica para defendermos tal idéia. Os milagres operados pelos primeiros discípulos causaram grande impacto em todos lugares que a igreja alcançou nos primeiros séculos da era cristã. Os dons que aqui são destacados como “dons poder”, se referem aquelas manifestações que proporcionam soluções imediatas para situações aparentemente insolúveis, causando grande espanto e admiração por parte daqueles que presenciam tal acontecimento. Apesar da realidade contemporânea dos milagres, temos presenciado muita dificuldade nesse aspecto, pois, o misticismo e a necessidade das pessoas tem promovido uma busca doentia por experiências sobrenaturais que proporcionem prazer e bem estar pessoal. Por causa disso surgiram muitos mercenários que viram nessa fome do sobrenatural, um “mercado” muito promissor. O dom da cura tem sido o “carro chefe” da industria da fé para criar o seu marketing promocional, com o propósito de atrair os incautos e explorá-los financeiramente. Por que é que nenhuma igreja ou nenhum grande “homem de Deus” faz movimentos milagreiros sem pedir dinheiro?. Em nenhum momento encontramos Jesus, depois de ter realizado algum milagre, pedindo dinheiro as pessoas. Nos dias de hoje é muito raro, se porventura existir, alguém agindo como fez Eliseu diante do General Naamã após ter realizado um grande milagre, ao curar a lepra do general da Assíria. Naamã quis recompensar Eliseu pelo milagre que acabara de receber, porém, Eliseu recusou veementemente. Todavia, o auxiliar de Eliseu, Geazi foi atrás do General e fez o resgate de alguns presentes, por isso ele foi severamente punido. Infelizmente, na atualidade, o ministério de Eliseu foi ofuscado pelo ministério de Geazi, a maioria pensa como Geazi, pensam que podem tirar proveito das manifestações poderosas do Espírito. Porém, com relação a isso, eu descanso na Palavra do Senhor, pois, ninguém ficará impune, assim como Geazi que recebeu a devida recompensa. Paulo registrou em Gálatas 6.7 “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. No meu entendimento, essas pessoas que simulam milagres são piores do que aqueles que se declaram ateus. Muita gente se declara ateu por causa de uma formação inadequada, uma experiência traumática ou até por falta de conhecimento aprofundado do Evangelho. Mas, esses mercenários, vendedores de milagres, têm conhecimento do evangelho e até mesmo de Deus, porém, decidiram amar mais a si mesmos, e para ter uma vida de regalias, conforme a soberba de seus corações, escolheram brincar com a esperança das pessoas e com o sublime poder do Espírito Santo.


O DOM DA FÉ – Quase todos os que escreveram sobre os dons se referem ao dom da fé como o de “fé especial”. A razão para isto é que o dom da fé difere da fé salvadora e da fé cristã normal, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Toda a fé é semelhante em sua natureza, mas o dom de fé especial difere das outras em grau e aplicação. O dom da fé é visto na operação da cura do coxo na porta do templo, registrada em Atos 3. Pedro teve a fé milagrosa para ordenar ao coxo que se levantasse e andasse em nome de Jesus. Donald Gee escreve, com respeito a esta fé. “Ela parecia vir sobre certos servos de Deus em tempos de crise ou oportunidade especial com tal poder que eles são tirados da esfera da fé natural ou comum em Deus e recebem uma certeza divina em suas almas que triunfa sobre tudo.” Jesus talvez estivesse descrevendo essa qualidade de fé quando disse aos seus discípulos: “Tende fé em Deus” (Mc 11.22). O grego de Marcos 11.22 diz literalmente: “Tenham a fé que Deus tem”. Jesus sugeriu no versículo seguinte que com esta fé divinamente concedida é possível dizer a um monte: “Ergue-te e lança-te no mar” e isso acontecerá. O monte simbolizava qualquer obstáculo aparentemente impossível para a missão da igreja.

DONS DE CURAR – Embora seja inferido que todos os “espirituais” são charismata (dons), o termo é na verdade associado somente a estes dons de curas. No grego, ambos os termos, “dons” e “curas”, são plurais. Esse fato pode sugerir que existem muitos dons de cura para diferentes moléstias, ou que cada exercício do poder de cura é um dom separado. A maioria dos evangelistas e pastores que tiveram grandes ministérios de oração pelos doentes afirmaram não possuir dons de cura. Ninguém teve certamente um ministério de cura para todas as pessoas doentes. Jesus curou todos os que se aproximaram dele em certas ocasiões, mas foi limitado em outras pela falta de fé por parte do povo (Mt 13.58). Do que temos certeza é que Deus fez provisão para que a cura física fosse um ministério da sua igreja e que os dons de cura iriam operar juntamente com a fé. A cura e tão comum no ministério de Jesus e no dos apóstolos que uma igreja sem o dom de “curas” pareceria bastante afastada do padrão bíblico. Além dos dons de cura, todos os presbíteros (pastores) devem estar prontos a ungir com óleo todos os doentes que pedirem e orar por eles através da oração de fé. Deus prometeu levantar o enfermo e perdoar seus pecados (Tg 5.14-16). Na grande comissão registrada por Marcos (Mc 16.15-18), Jesus prometeu que sinais seguiriam os ministérios que dessem testemunho do evangelho da salvação. Um dos sinais seria que os doentes iriam restabelecer-se após a imposição de mãos dos crentes. Enquanto durasse a pregação a cada criatura, os sinais seguiriam os que cressem, inclusive o da cura milagrosa dos doentes. A cláusula “aqueles que crêem” sugere que os sinais ou “dons” não deveriam ser exercidos pelos apóstolos apenas, mas por todos os que tivessem fé. No mandamento e promessa de Jesus, a “imposição de mãos” deveria ser a expressão externa da fé e amor por parte dos que orassem e mostraria que Deus usa os crentes fiéis como um canal do seu poder. A unção com óleo, segundo Tiago, cap. 5, também envolvia a imposição de mãos, com o óleo simbolizando a obra do Espírito Santo. Quando Jesus enviou os doze discípulos para ministrar, eles, segundo Marcos, “curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6.13). O crente é o veiculo do poder, mas a cura é obra do Espírito.

O DOM DE OPERAÇÃO DE MARAVILHAS – A operação de milagres é a tradução do energemata dunameon, que é literalmente interpretado como “operação de poderes sobrenaturais”. Como acontece com os “dons de curas”, ambos os termos são plurais. Este não é um dom que torna a pessoa um “milagreiro”. Ao que parece, de acordo com a pluralidade das expressões, cada milagre ou manifestação sobrenatural de poder é operado através de alguém com o dom da fé (veja Mt 17.20; 21.20-22). O que é um milagre? “Um evento ou ação que contradiz aparentemente as leis cientificas conhecidas, sendo portanto julgado proveniente de causas sobrenaturais, especialmente de um ato de Deus.” No Novo Testamento, os eventos de origem sobrenatural são chamados “milagres, prodígios, sinais” (At 2.22; 2.43; 6.8; 8.13;Hb 2.4). Os termos gregos traduzidos como “milagres, prodígios e sinais” são dunameis, terata e semeia. Eles significam literalmente “eventos do poder divino”, “eventos que produzem admiração” e “eventos que significam algo” (sobre Deus ou suas obras). É interessante notar que o termo “prodígio” jamais é empregado sozinho, mas sempre associado ao termo “sinal”. Deus não manifesta o seu poder só para causar admiração, Ele sempre tem um propósito ou ensina alguma coisa com os seus milagres: “...dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade”. (Hb 2.4). Exemplos de milagres são: a libertação sobrenatural da prisão (At 5.18-20;12.5-10; 16.23-30);a cegueira de Elimas, o mágico (At 13.8-12); o transporte instantâneo de Filipe de Gaza para Azoto (At 8.39,40); a ressurreição de Dorcas (At 9.36-42) e de Êutico (At 20.9-12); e o fato de Paulo ter removido do braço uma víbora venenosa sem ser mordido (At 28.3-5). A cura dos doentes e a expulsão de espíritos demoníacos podem ser classificados como dons de milagres quando o sinal tem grande valor, como por exemplo, no caso de Paulo em Éfeso, em que resultou uma enorme conquista de almas. “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas e os espíritos malignos se retiravam” (At 19.11,12); e no caso de Pedro em Jerusalém, quando só a sua sombra caindo sobre os enfermos já produzia cura (At 5.12-15).

Fonte: Blog REFLEXÕES TEOLÓGICAS, Pastor Vicente de Paula - Recife - PE


SUBSÍDIO LIÇÃO 06 - E B D 2011

LIÇÃO 06  - DONS QUE MANIFESTAM A SABEDORIA DE DEUS.

A partir de um entendimento superficial e literal do tema proposto, poderíamos afirmar que todos os dons manifestam a sabedoria e o poder de Deus, todavia, o título da lição se propõe discorrer sobre um grupo de dons que estão diretamente relacionados com a ciência de Deus, isto é, a infinita sabedoria do Eterno Deus, a qual é capaz de perscrutar todas as coisas, nada pode ficar em oculto diante Dele. Quando paramos para refletir sobre a excelência da Sabedoria de Deus ficamos totalmente deslumbrados e sem expressões para definirmos a dimensão e profundidade tal ciência. Foi desta forma que o apóstolo Paulo se sentiu quando em dado momento esteve refletindo sobre a infinita sabedoria do Ser Divino,encheu-se de admiração e então fez a seguinte exclamação: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Diante da infinitude do saber de Deus nos sentimos extremamente limitados e passamos a compreender que ninguém pode questionar os projetos de Deus. Quando o ser humano aponta alguma incoerência nas atitudes do Senhor é porque sabedoria finita do homem muitas vezes não consegue alcançar a elevada sabedoria de Deus, isso foi categoricamente afirmado pelo profeta Isaías, quando ele nos diz: “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” (Isaías 55.9). A partir de I Corintios 12 podemos enfatizar que o dom da palavra de sabedoria, o dom da palavra de conhecimento e o dom de discernimento de espíritos são os dons que operam exclusivamente no campo da sabedoria divina.


A PALAVRA DA SABEDORIA – Este não é o dom de sabedoria em geral, mas o dom de uma “palavra de sabedoria”.Todavia, em si mesmo, não é necessariamente um dom vocal. “Palavra” (logos) é definida como “conceito”, “idéia”, “ditado”, “assunto em pauta”, “razão”, “narrativa” ou “doutrina”. Se a idéia de “pronunciamento” estivesse em foco, a palavra grega rhema teria sido provavelmente usada em vez de logos. Em conjunto com a profecia, a “palavra de sabedoria” poderia funcionar como dom vocal. É provável que seja este o dom que operou em Estevão em Atos 6.10: “E não podiam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que falava”. Atos 15 registra a primeira reunião da igreja apostólica para resolver uma disputa. A conclusão a que chegaram é expressa como segue: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e nós não vos impor maior encargo além destas cousas essenciais...” (At 15.28). O pensamento do Espírito Santo foi provavelmente transmitido aos apóstolos por uma “palavra de sabedoria”. Embora “sabedoria” tenha muitos significados, usada em contraste com “conhecimento” talvez signifique um critério de “conduta ou ato prático”. Na vida da igreja local há circunstâncias em que decisões importantes precisam ser tomadas quanto a um curso de ação. A operação de Deus de uma “palavra de sabedoria” pode fornecer a orientação do Espírito (I Co 2.13-16).

PALAVRA DA CIÊNCIA OU DO CONHECIMENTO – Este dom de uma palavra do conhecimento pode estar contido na declaração de Paulo em I Co 1.15: “...porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo conhecimento...” Se a “palavra de sabedoria” dá percepção à igreja para uma ação prática, a “palavra do conhecimento” deve trazer à luz os princípios da doutrina que formam a base para essa ação. Este dom pode levar a verdade bíblica à atenção da igreja, ou revelar fatos necessários para nova ação. Paulo estava seguro de que o conhecimento espiritual operava na igreja quando disse: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros” (Rm 15.14). João provavelmente exerceu o dom de uma palavra do conhecimento para discernir as condições espirituais das sete igrejas às quais escreveu em Apocalipse 2 e 3. Esses dons da palavra de sabedoria e palavra de conhecimento são para guiar a igreja no sentido do conhecimento e ação, e não para orientação pessoal. Silas era um profeta, mas não há registro de que tivesse dado instruções a Paulo em suas decisões. Quando Paulo não sabia para onde ir em Trôade, Deus deu-lhe a visão de um homem da Macedônia chamando-o para pregar na Grécia; Silas, porém, estava com ele na ocasião. Os dons são dados para exortar, edificar, e consolar a igreja reunida. Os dons de revelação estão em harmonia com a Palavra de Deus, jamais contradizendo seus ensinamentos, pois a Palavra inspirada é chamada de “mais confirmada palavra profética” (2 Pe 1.19).

DOM DE DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS – “Discernimento de espíritos” vem do grego diakriseis pneumaton. O termo grego deakreisis é definido como “discernir”, “discriminar” ou “distinguir”. A forma verbal é usada em Hebreus 5.14: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”. Paulo emprega várias vezes o verbo em I Corintios; em 6.5 ele emprega para indagar se eles não tinham ninguém “que possa julgar no meio da irmandade?” (quando a quem tinha razão). Em 11.29 Paulo usa a palavra para repreender os irmãos de Corinto que não haviam discernido o corpo do Senhor (discernindo o significado do pão da comunhão para a saúde e cura do corpo). Evidentemente, o dom de discernir espíritos é a capacidade de discernir a fonte de uma manifestação espiritual, se é o Espírito Santo, um mau espírito, ou simplesmente o espírito humano. Em Corintios 14.29, Paulo diz: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem (discernir – diakrino). “Isto parece insinuar que alguém com o dom de discernimento deveria estar presente ao ser usado o dom de profecia. Ao que tudo indica, o dom de discernimento em Corinto era tão comum quanto o de profecia “...e os outros (plural) julguem (discirnam). “Todos os crentes cheios do Espírito, são até certo ponto, capazes de julgar operações de dons vocais no sentido de serem ou não espiritualmente edificados para o corpo. O exercício de dons não é infalível; se um pronunciamento (profecia ou interpretação de línguas) não for recebido, o orador não deve ficar ofendido ou negar-se a aprender, mas deve orar humildemente pedindo maior sensibilidade ao Espírito e mais sabedoria no uso de seu dom. Por outro lado, os crentes devem atender à advertência de Paulo em I Tessalonicenses 5.19,20: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis profecias." O ensino bíblico cuidadoso sobre os dons espirituais evitará manifestações imaturas e mal-orientadas, de um lado; e medo, desconfiança e o apagar do Espírito, de outro. Deve ser notado que o dom de “discernimento de espíritos” não é o de julgar as pessoas, mas sim o espírito por trás da manifestação, se é santo, maligno ou humano.

Um conhecimento aprofundado sobre o que a Bíblia ensina no tocante aos dons espirituais é suficiente para capacitar os cristãos para julgar e descartar muitas das falsas manifestações nessa área. Nas igrejas pentecostais não faltam aqueles que buscam destaque na comunidade, destacando-se como pessoa carismática, que fala de forma objetiva com Deus, conhece os mistérios de Deus de uma forma especial, isto é, que está constantemente em contato com o sobrenatural, tendo sempre alguma revelação para pronunciar. Todavia, os admiradores e seguidores dessas pessoas, são aqueles cristãos que não lêem bíblia e geralmente não submissos as lideranças da igreja. A experiência tem nos mostrado que essas tentativas de imitar e manipular os dons que manifestam a sabedoria de Deus, tem sido muito doloroso, tanto para aqueles que assim fazem, como para aqueles que passam a dar crédito a essas mentiras.


Fonte: Pastor Vicente de Paula - Recife - Pe em Blog REFLEXÕES TEOLÓGICAS

SUBSÍDIOS LIÇÃO 05 - E B D 2011

LIÇÃO 05  - A IMPORTÂNCIA DOS DONS ESPIRITUAIS

A igreja pode ser comparada a um grande exército celestial que foi levantado por meio da obra da expiação realizada pelo Senhor Jesus Cristo. Paulo ensina em Efésios 6.12 “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Essas palavras expressam com muita objetividade que as batalhas enfrentadas pela igreja de Cristo acontecem em outro plano, em outra dimensão, isto é na esfera espiritual, onde as armas deste mundo não possuem nenhuma eficácia, pois, Paulo também diz: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;” II Co 10.4. A partir desses textos podemos inferir que é os dons espirituais são os instrumentos indispensáveis com os quais Deus equipou a igreja para que ela possa enfrentar os seus inimigos invisíveis. Dons não devem ser encarados como propriedades individuais, pois eles são exclusivamente da igreja que o corpo de Cristo aqui nesse mundo. Os dons não podem ser utilizados para a promoção de homens, instituições ou qualquer outra coisa. Os dons são as armas poderosas que Deus entregou a sua igreja para garantir a existência da mesma como agente do Reino de Deus aqui na terra, pois o próprio Jesus já havia profetizado que as “as portas do inferno não hão de prevalecer contra a minha igreja”.

O texto referência para começarmos a tratar desse tema é I Co 12.4-7, no qual Paulo ensina: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” . O objetivo do apóstolo é enfatizar que, mesmo os dons sendo diversos há um só Doador. Ele afirma esta verdade três vezes, cada vez relacionando os dons a uma outra Pessoa da Trindade (“O mesmo Espírito”, “o mesmo Senhor”, “o mesmo Deus”). Ele também usa três palavra diferentes para os dons. Primeiro (v.4) eles são charismata, dons da graça de Depois, (v. 5) eles são diakonial, maneiras de servir. Em terceiro lugar, (v.6) eles são energemata, energias, atividades ou poderes, que o mesmo Deus energiza” ou “inspira” (energon) em todos. E há “diversidade” ou “porções” (diareseis) de cada grupo. Juntando estas três palavras talvez possamos definir dons espirituais como “certas capacidades, concedidas pela graça e poder de Deus, que habilitam pessoas para serviços específicos e correspondentes”. Um dom espiritual é, portanto, não a capacidade em si, nem um ministério ou função propriamente dito, mas a capacidade que qualifica uma pessoa para um ministério. Em termos simples, ele pode ser considerado, ou o dom e o trabalho em que é exercido, ou o trabalho e o dom com que é exercido.

O interesse de alguns Cristãos parece estar limitado principalmente a três dons, que são “línguas, profecias e curas”. Entretanto, é óbvio que há mais dons do que este trio empolgante. Existe muita ênfase em torno dos “Nove dons do Espírito” conforme a primeira lista, que está registrada no início de I Corintios 12, porém, a maioria dos estudiosos concordam que é um grande equívoco restringir os dons espirituais tão somente a esta relação, pois, no final desse mesmo capítulo temos uma outra lista, apesar da mesma conter também nove dons, somente cinco destes coincidem com a primeira. De forma que mesmo em I Corintios são pelo menos 13 dons. Depois há uma lista de sete dons em Romanos 12 ( dos quais cinco não ocorrem em nenhuma lista de I Co 12) e outra lista, de cinco dons em Éfesios 4 (dos quais 4 são novos), além de outros dois dons citados em I Pedro 4, um dos quais (“Se alguém fala) ainda não recebera menção específica antes. Ao compararmos as listas, nem sempre está claro quais dons são idênticos, mas é verdade que, no conjunto, o Novo Testamento faça referência a vinte ou mais dons diferentes. A grande importância dos dons espirituais se baseia no fato que eles foram estabelecidos com a finalidade de Edificar a igreja. Se a prática dos dons não edificar o corpo, eles não tem valor. “Assim também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja” (I Co 14.12). “Seja feito para edificação” (I Co 12.26b). As palavras “edificar” e “proveito” (ou variações) são usadas dez vezes em I Coríntios com respeito à operação dos dons espirituais. Dons são concedidos com o propósito de proporcionar proveito e edificação espirituais para todo o corpo. Se um dom é exercido sem amor, ou simplesmente como exibição pessoal, um sino de ouro se transforma em um címbalo de bronze que retine.

OS DONS VERBAIS SÃO GERALMENTE OS MAIS PRATICADOS
O Dom línguas é sem dúvida um “dogma “ no meio pentecostal devido ao fato de que a maioria das denominações do ramo interpretam que o mesmo é a porta de entrada para o recebimento dos demais dons, tornando-se o dom que confere a “credencial pentecostal”, pois a própria chamada ministerial está atrelada a esse pré-requisito. Ao meu ver essa condição tem promovido uma busca doentia (que proporciona muita simulação) por parte de uma grande maioria daqueles que almejam o ministério nesses meios pentecostais. O dom de profecia, o qual tem sido também entendido de uma forma muito superficial, é amplamente praticado. A facilidade encontrada na exploração desses dons é devido a existência de uma grande tendência para o fenomenalismo e a busca mística que proporcione a experiência sensitiva, o que tem sido a tônica em muitas denominações pentecostais. Apesar de crer na contemporaneidade dos dons aqui citados, me preocupo muito com a possibilidade do grande de índice de simulação que existe hoje nesse aspecto, e mais preocupante ainda é a total incapacidade das lideranças em apresentar um outro dom, que no meu entendimento, seria o antídoto para esse veneno, que é “dom de discernimento”. Parece que alguns dons têm ficado no esquecimento, pois, falamos pouco e quase não os desejamos, penso, que talvez tais dons não se identifiquem ou até sejam conflitantes com os interesses predominantes na classe eclesiástica da atualidade. Creio que a falta do “dom de discernimento” explica as contradições vividas pela igreja atual. Em nenhuma outra época a igreja evangélica foi tão inclinada a absorção de heresias. Discursos distanciados da fé bíblica estão sendo recepcionados com muita facilidade. Líderes descomprometidos com a ortodoxia se apropriam dessas heresias, com o propósito de atingir suas audaciosas metas pessoais, e lamentavelmente, multidões se deixam levar pelo discurso inflamado, por falsas promessas, por fundamentos distorcidos da verdade e sem nenhum discernimento alimentam e fortalecem as estruturas da ambição dos “popstars” do Evangelho. Também encontramos pregadores, escritores, que para se manterem no topo da evidência estão ensinando heresias, alguns ousadamente tentando fazer fissuras em doutrinas ortodoxas, como a plenitude da humanidade de Cristo, ou ainda pastores que se declaram abertamente a favor da união homossexual. Mesmo que isso aconteça no plano individual é embaraçoso para a comunidade evangélica, principalmente, quando tais atitudes procedem de pessoas que se colocaram como referencia para a igreja dos nossos dias. Porém, o que caracteriza a ausência do discernimento em grande parte do povo cristão, é o fato de que esses promotores de heresias continuam sendo seguidos por grandes multidões que ostentam o título de cristãos pentecostais, que dizem conhecer e até experimentar os dons do Espírito na sua existência.

Fonte: Blog Reflexôes Teológicas, Pastor Vicente de Paula - Recife - PE

quarta-feira, 20 de abril de 2011

SUBSÍDIO LIÇÃO 04 - E B D 2011/02

LIÇÃO 04 – ESPÍRITO SANTO – AGENTE CAPACITADOR DA OBRA DE DEUS

INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição o papel imprescindível do Espírito Santo no desenvolvimento da obra de Deus. Foi o derramamento do Espírito que inaugurou o início de uma nova fase no relacionamento de Deus com a humanidade (Jo 14.16,17) e a expansão do evangelho até os confins da terra (At 1.8).

I – UMA ANÁLISE DE ATOS 1.8
A Bíblia registra uma promessa feita pelo Pai celestial que haveria de inaugurar uma nova etapa no seu relacionamento com a humanidade. O Espírito Santo seria derramado mais plenamente nos seus servos, passando a habitá-los e a capacitá-los de forma especial (Is 44.3; Jr 31.33; Jl 2.28-32). Lembramos que no Antigo Pacto, o Espírito Santo tão somente vinha sobre os filhos de Israel a fim de capacitá-los para um fim específico (Nm 11.16,17; Jz 6.34; I Sm 16.13). Na Nova Aliança isso haveria de mudar, pois o Espírito não estaria apenas conosco, mas em nós, sendo a capacitação ampliada (Jo 14.16,17).
- Realização da promessa (Jl 2.28-32);
- Renovação da promessa (Lc 24.49; At 1.4,5);
- Finalidade da promessa (At 1.8);
-Cumprimento da promessa (At 2.1-4)

1.1 Dois Termos Importantes de At 1.8
“Dunamis” - Foi traduzido como “virtude” ou “poder”. É donde vem as nossas palavras “dinamite, dinâmico e dínamo”. Significa poder real, poder em ação. É mais do que força ou capacidade humanas. Diz respeito ao poder divino em plena atuação no homem, impulsionando-o a testemunhar de Cristo e a realizar a sua obra.
“Martires” - Foi traduzido como “testemunha”. É donde vem a nossa palavra “mártir”, e significa nesse texto “aquele que está disposto a sofrer tormentos ou até mesmo a morrer por causa do evangelho de Cristo”.
Foi por causa desse poder do Espírito que o cumprimento da Grande Comissão se tornou possível (Mt 28.19,20). Era uma condição sem a qual a expansão da Igreja não aconteceria. Prova disso foi a determinação de Cristo dada aos discípulos por duas vezes: “...ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestido de poder” (Lc 24.49b); e “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem...” (At 1.4).

1.2 Capacitação para sofrer ou morrer sem renunciar. É somente a ação do Espírito Santo de Deus na vida do crente que lhe dá condições de sofrer as mais variadas formas de perseguições de forma inabalável. Há inúmeros exemplos no livro de Atos.
- Pedro e João jubilaram diante das ameaças das autoridades judaicas (At 4.21-24);
- Os apóstolos se regozijaram depois de uma dolorosa série de açoites (At 5.40-42)
- Estêvão pôde liberar perdão para os seus algozes durante o apedrejamento (At 7.58-60);
- Paulo sofreu inúmeras formas de maus tratos e permaneceu firme (II Co 11.24-33);
- O apóstolo dos gentios estava pronto para sofrer e morrer por amor a Cristo (At 21.13);
- O Espírito Santo capacita o crente de tal forma que nada e nem ninguém é capaz de removê-lo da presença de Deus (Rm 8.31-39).

II – AS DIVERSAS CAPACITAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO NA VIDA DO CRENTE
O Espírito Santo capacita os cristãos de diferentes formas nos variados aspectos da obra de Deus. Verificamos isso de forma nítida nas páginas do Novo Testamento, principalmente no livro de Atos dos Apóstolos.

2.1 Capacitação na pregação. O Espírito Santo torna apto o crente que se predispõe a proclamar o
evangelho de Jesus Cristo, concedendo-lhe unção e ciência da Palavra. Ao lermos a Bíblia, peçamos a companhia do Espírito de Deus, que é o intérprete por excelência das Escrituras Sagradas. Ele nos esclarecerá o real sentido das passagens bíblicas e nos impulsionará a pregarmos com ousadia aquilo que Dele aprendemos (At 4.29-31; cf. Lc 12.11,12). Temos vários exemplos disso na Bíblia, senão vejamos:

- Tão logo foi revestido de poder, o Apóstolo Pedro pregou com grande ousadia, conquistando quase três mil almas para Cristo (At 2.14-41. Posteriormente pregou novamente, ganhando dessa vez mais duas mil almas (At 3.12-26; 4.4);

- A unção do Espírito foi algo tão intenso na pregação do diácono Estêvão, e ele o fazia com tanta sabedoria, que os seus opositores não conseguiam resistir-lhe ou refutá-lo (At 6.9,10). É uma das mais belas pregações de toda a Bíblia (At 6.8-15; 7.1-60). Ele fez uma síntese da história de Israel e demonstrou, com base no Antigo Testamento, que Jesus era o Cristo;

- Dentre as muitas pregações do Apóstolo Paulo podemos destacar algumas, a saber: i) a pregação no Areópago de Atenas diante daqueles que representavam a nata do conhecimento filosófico da época (At 17.15-34); ii) a pregação no Templo de Jerusalém (At 21-22); iii) a pregação perante o Sinédrio, aonde estavam os sacerdotes e anciãos (At 23.1-11); iv) pregação perante os governadores Félix e (At 24 e 25.1-17); v) pregação perante o Rei Agripa (At 25.18-27; 26.1-32).

2.2 Capacitação mediante a operação de sinais e maravilhas. O Espírito Santo prestou sua cooperação com os discípulos através de milagres e maravilhas. Ao lermos sobre os primórdios da Igreja, percebemos quão importante foram as intervenções sobrenaturais para a expansão do Reino:

- Através da cura de um coxo de nascença, o nome de Cristo se fez notório e uma larga porta se abriu para a evangelização (At 3.6-26);

- Pela revelação do Espírito, Pedro conheceu que Ananias e Safira fizerem um acordo, dando-lhes uma irreversível sentença (At 5.1-11). Tal acontecimento fortaleceu a autoridade apostólica e gerou um grande temor em toda a igreja;

- A assistência do Espírito Santo em prol do crescimento da obra era tão grande que Ele se utilizava da sombra do Apóstolo Pedro para curar os enfermos e libertar os endemoniados (At 5.14-16). Isso atraía multidões de Jerusalém e de cidades circunvizinhas (v.16);

- Os apóstolos foram milagrosamente tirados da prisão a fim de continuarem a obra de Deus (At 5.17-25);

- O Espírito cooperava com Estêvão com milagres e maravilhas (At 6.8-10);

- O Espírito arrebatou Filipe até Azoto, com o objetivo de evangelizar outras cidades (At 8.39,40);

- A cura de um coxo de nascença atraiu multidões no ministério de Paulo (At 14.8-11). Até os lenços e aventais do apóstolo eram utilizados para curar (At 19.11,12).

2.3 Capacitação para a obra missionária. O Espírito Santo é o principal responsável pela chamada missionária. Ele comunicou aos apóstolos que estavam em Antioquia que havia escolhido Saulo e Barnabé para obra da evangelização transcultural (At 13.2). O Espírito não apenas os chamou, mas os enviou, capacitou e esteve lado a lado com os seus filhos durante as viagens missionárias.

2.4 Capacitação mediante os dons espirituais e ministeriais. Os dons espirituais são manifestados com o tríplice propósito de edificar, exortar e consolar os santos. Estão listados em I Co 12.4-11. Os dons ministeriais são dados a crentes com uma chamada específica, a fim de promover o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do corpo de Cristo (Ef 4.11; I Tm 3.8,12; Tt 1.5-7).

CONCLUSÃO
O cumprimento da Grande Comissão só foi (e é) possível por causa da descida do Espírito Santo de Deus. É ele quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11), santifica os já convertidos mediante a manifestação do fruto (Gl 5.22), manifesta os dons espirituais e ministeriais no seio da Igreja (Ef 4.11; I Co 12.6-11), e capacita das mais variadas formas os cristãos a desempenharem a obra de Deus.

REFERÊNCIAS
- O N.T interpretado versículo por versículo. R.N. Champlin. Ed. Hagnos.
- Bíblia de Estudo Pentecostal. Donald C. Stamps. Ed. Cpad.
- Teologia Sistemática. Stanley Horton. Ed Cpad.
- Introdução à Teologia Sistemática. Eurico Bergstén. Cpad.
- Verdades Pentecostais. Antônio Gilberto. Ed. Cpad.

Fonte: Site RBC1 - Recife- PE

terça-feira, 12 de abril de 2011

SUBSÍDIOS DA LIÇÃO 03 E B D - 2011 / 2

LIÇÃO 03 – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos que o Batismo com o Espírito Santo não foi uma experiência exclusiva dos dias dos apóstolos. É uma bênção divina para todos aqueles que realmente experimentam o novo nascimento (Jo 3.5), e por isso, é uma doutrina bíblica que deve ser ensinada para toda a igreja (Mt 3.11; Mc 1.8; 16.17; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5, 8; 2.4; 10.44-47; 11.15-16; 19.4-6; ICo 12.10, 28-30; 13.1). Embora que alguns grupos evangélicos denominados de “cessacionistas” tentem negar o Batismo com Espírito Santo através da evidência inicial do falar em outras línguas, bem como sua atualidade para os dias hodiernos na igreja, podemos afirmar que as supostas “provas” apresentadas por eles, além de inconsistentes quanto à argumentação, são incompatíveis com a hermenêutica sagrada e desprovidas de fundamentos histórico-teológicos.

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
O verdadeiro Batismo com o Espírito Santo não é o simples fato de alguém por meios próprios começar a “falar em outras línguas”, e sim, por intermédio do Espírito Santo, como podemos ler em (At 2.4): “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Apesar de o ser humano ou os demônios poderem perfeitamente imitar as línguas estranhas para enganar as pessoas, devemos entender que as línguas estranhas que o crente fala quando é batizado no Espírito Santo não é algo aprendido, nem ensinado e nem tão pouco instruído por alguém para pronunciar sílabas sem nexo. O falar em línguas proveniente da experiência do Batismo com o Espírito Santo é algo espontâneo, pois trata-se e uma ação sobrenatural exclusiva do Espírito Santo, proporcionando ao crente falar numa língua que nunca aprendeu (I Co 14.2; At 2.4; 10.46). Estas línguas podem ser humanas e atualmente faladas em algum lugar (At 2.6) ou até mesmo desconhecidas na terra (1Co 13.1; 14.2).
- Se alguém afirma que é batizado com o Espírito Santo, que fala em línguas estranhas e, não aceita a autoridade das Escrituras, não obedece à Santa Palavra de Deus e nem é submisso aos seus líderes, qualquer manifestação que nele ocorra não provém do Espírito Santo de Deus (Mt 24.11-24; Jo 8.31; Gl 1.19; 1Jo 3.6-10; 4.1-3);
- A Bíblia nos adverte a não crermos em todo espírito, e averiguarmos se realmente tal experiência espiritual provém de Deus (1Ts 5.21; 1Co 14.29; IJo 4.1; Ap 16.14). Fazer “barulho” sem a atuação do Espírito de Deus pode apenas impressionar, mas, não comprova o genuíno Batismo com o Espírito Santo;
- O crente nunca deve crer em “experiências espirituais” somente porque alguém afirma estar falando da parte de Deus ou por causa do sucesso do suposto “instrumento” ou por causa dos milagres ou unção aparente de algum pseudo-pregador (Mt 7.22-23; ICo 14.29; 2Ts 2.8-10; 2Jo 7; Ap 13.4; 16.14; 19.20).

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Uma das principais doutrinas das Escrituras Sagradas é o Batismo com o Espírito Santo. Em todo batismo tem de haver três condições para que esse se realize de forma completa, as quais são respectivamente: um candidato a ser batizado, um batizador e um elemento ou meio em que o candidato será batizado. No Batismo com o Espírito Santo, o candidato é crente, o batizador é o Senhor Jesus Cristo e o elemento ou meio é o Espírito Santo.

- O Batismo com o Espírito Santo é para todos os que já são salvos que professam sua fé em Jesus Cristo, que nasceram de novo, que vivem uma vida de santidade, e, assim, tornaram-se templo e mora do Espírito Santo (Jl 2.28,29; At 2.39; ICo 3.16). Este Batismo só ocorre uma única vez na vida do crente e isto o leva a uma vida de consagração contínua.

- O Batismo com o Espírito é uma obra distinta e à parte da regeneração, ou seja, é uma bênção posterior a experiência de salvação, pois, o Batismo é uma dádiva subseqüente à regeneração (At 11.17; 19.6). O Batismo é uma “promessa do Pai” (Lc 24.49; At 1.4; 2.16,32-33). É um presente de Deus aos crentes, é para aqueles que já experimentam a salvação (At 2).

- Ser Batizado com o Espírito Santo tem como sinal inicial o falar em línguas estranhas. Jesus disse: “... e falarão em novas línguas” (Mc 16.17). Em Atos At 10.45-46 Lucas registrou: “Porque os ouviram falar línguas...”. No dia de Pentecostes está registrado que: “... e começaram a falar em outras línguas...” (At.2.4). Atos 19.6 diz que: os discípulos em Éfeso: “...falavam línguas...”. Portanto o que vai evidenciar o verdadeiro Batismo é o falar “em línguas estranhas” (At 2.4; ICo 14.18);
- Ser Batizado com o Espírito Santo significa experimentar a plenitude do Espírito (At 1.5; 2.4). Este Batismo teria lugar na história da igreja somente a partir do dia de Pentecostes (At 2.1-4). Quanto aos que foram cheios do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes (Lc 1.15,67; Jo 20.22) não podemos afirmar que eles tenham sido batizados com o Espírito Santo, pois, não houve a evidência do falar em outras línguas.
- O Batismo com o Espírito Santo permanece na vida do crente mediante a oração (At 4.3), o testemunho (At 4.31,33) e uma vida de santidade (Ef 5.18).


III – O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO COMO UMA PROMESSA BÍBLICA
De acordo com Atos 2.17, o Batismo com Espírito Santo é para qualquer nação: “Toda carne”. Não há qualquer distinção de sexo para receber o Batismo, pois está escrito que é para “filhos e filhas”. Também não importa a idade “jovens e velhos” ou a camada social “servos e servas”. Portanto, todos podem e devem buscar essa dádiva celeste.
- No Antigo Testamento. (Joel 2.28-30; Ez 36.25-27; Is 11.1-4; 42.1; 61.1-3; Is 32.15-17; 44.3-5; 59.20,21; Ez 11.19,20; 36.26,27; 37.14; 39.29);
- No Novo Testamento. (Mt 3.11; Mc 1.8; 16.17; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5, 8; 2.4; 10.44-47; 11.15-16; 19.4-6; ICo 12.10, 28-30; 13.1).

IV – COMO RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
O Batismo com o Espírito Santo não pode ser confundido com o novo nascimento, com a regeneração ou com a santificação. Uma pessoa pode ser regenerada, justificada e santificada e ainda não ter recebido o revestimento do poder. No entanto, para receber esta dádiva divina é preciso obedecer alguns passos a seguir:
- O arrependimento dos pecados é uma condição prévia para recebermos o Batismo com o Espírito Santo. Ou seja, qualquer pessoa que não tenha reconhecido seu estado de pecador e sua necessidade de salvação, e confessado Jesus como seu único e suficiente Salvador, não pode ser batizada com o Espírito Santo (At 2.38). Os exemplos bíblicos do batismo com o Espírito Santo ocorreram com pessoas que já eram salvas (At 2.4; 19.6).
- Viver uma vida de santidade também é um pré-requisito para o Batismo com o Espírito Santo. Para receber este presente é preciso estar em harmonia com Ele, pois o pecado entristece ao Espírito Santo (Ef 4.30; 1Pe 1.16). A Bíblia mostra que pureza e recebimento do Espírito Santo estão vinculados (Ez 36.25-27);
- Perseverar em oração e buscá-lo com fé sem desistir. O Espírito Santo deve ser buscado com perseverança em oração e com fé por todos os salvos (Tg 4.8), pois o Senhor está perto daqueles que o invocam (Sl 145.18);
- Crer na doutrina Bíblico-teológica do Batismo com o Espírito Santo. Alguém que não acredita que os Dons são para a igreja nos dia de hoje, jamais receberá este presente de Deus (At 10.43-47).

V – O QUE SIGNIFICA GLOSSOLÁLIA E XENOLÁLIA
Glossolalia (do grego γλώσσα, "glóssa" [língua]; λαλώ, "laló" [falar]). É o falar em outras línguas, é um sinal da parte de Deus para evidenciar o Batismo com o Espírito Santo (At 2.4; 10.45-46; 19.6). Esse padrão bíblico continua o mesmo para os dias atuais. Por sua vez, glossolalia é um fenômeno ligado a atuação do Espírito Santo, em que o crente expressa-se em uma língua por ele desconhecida (At 2.4; 1Co 14.14-15) e tida por ele como de origem divina. Essas falas são geralmente caracterizadas pela repetição da cadeia sonora, sem um significado sistemático e, ainda, com raras unidades linguísticas previsíveis.

Xenolália. É o falar em línguas num idioma conhecido, estranho apenas a quem o fala, ou seja, um crente que nunca estudou o inglês, espanhol, chinês, italianao, japonês ou outra língua qualquer e, através do poder do Batismo com o Espírito Santo começa a falar em um ou mais destes idiomas. Assim aconteceu no dia de Pentecostes, os crentes cheios do Espírito Santo falaram num idioma desconhecido para eles, mas, conhecido para os representantes de várias nações que estavam presentes em Jerusalém para a comemoração da festa de Pentecostes (At 2.7-11).

CONCLUSÃO
O autêntico Batismo com o Espírito Santo é uma dádiva não só apenas dos tempos apostólicos como afirmam alguns sem autoridade bíblica para isso, mas, é também para os dias atuais. Pois assim como no dia de Pentecostes os discípulos foram Batizados com o Espírito Santo, hoje acontece da mesma forma e com e mesma intensidade. Busque esse Batismo e desfrute das bênçãos que lhe acompanha!

REFERÊNCIAS
- Bíblia de Estudo Pentecostal - João Ferreira de Almeida – CPAD.
- Verdades Pentecostais – Antônio Gilberto – CPAD.
- Teologia Sistemática – Stanley M. Horton. CPAD.
- Lições Bíblicas 3º Trimestre de 2006, 1º Trimestre de 2004 – CPAD

Fonte: Site da Rede Brasil de Comunicação

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SUBSÍDIOS LIÇÃO 02 - 2º SEMESTRE 2011 EBD

LIÇÃO 02 - NOMES E SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO
Neste segunda lição do trimestre, estudaremos os Nomes e os Símbolos do Espírito Santo, que descrevem Sua natureza, atributos e Suas obras. Tendo em vista que o Espírito Santo é “Deus”, e, consequentemente, impossível de ser compreendido em sua plenitude, Ele é descrito na Bíblia Sagrada através de Seus Nomes e Símbolos, para que pudesse facilitar a nossa compreensão.
I - OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO
A Bíblia descreve diversos Nomes e Títulos atribuídos ao Espírito Santo, os quais revelam, além de Sua personalidade e divindade, Seus atributos, natureza, bem como as Suas obras. Vejamos alguns:

1.1 Espírito Santo. Assim como Deus é santo (I Pe 1.16) e Jesus é santo (At 2.27), o Espírito também o é (Sl 51.11; Is 63.10,11; Mt 1.18,20; 3.11; Lc 1.35; Jo 14.26; I Ts 4:7-8). Este nome aparece cerca de cem vezes nas Sagradas Escrituras e está diretamente relacionado à santificação, pela atuação do Espírito Santo, pois, uma das principais atribuições do Espírito Santo é promover a santificação (Rm 1.4; 15.16; I Co 6.11; II Ts 2.13).

1.2 Espírito de Deus. Este nome aparece em diversos textos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Ex 35.31; Jó 33.4; Mt 3.16; 12.28; Rm 15.19; I Co 2.11). É natural que o Espírito Santo seja chamado Espírito de Deus, visto que ele é enviado por Deus (Jo 15:26). A Bíblia também o chama de Espírito de Deus, porque Deus age através dEle para chamar os pecadores (Jo 6:44) e para guiar os crentes (Rm 8:14). Encontramos este nome divino no início da Bíblia, associado diretamente à obra da criação, onde nos é dito que “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2), onde Ele aparece como co-participante da criação. Em outras passagens das Escrituras, este nome aparece também, ligado diretamente à criação, à renovação da terra e à regeneração da pessoa humana (Gn 6.3; 41.38; Jo 33.4; Rm 8.9; 1 Co 3.16).

1.3 Espírito de Cristo. O Espírito Santo é chamado o Espírito de Cristo (Rm 8.9; I Pe 1.11), porque foi derramado por Jesus sobre os crentes. Várias vezes Jesus disse que o Espírito Santo viria em seu lugar e continuaria seu trabalho. Disse também que a vinda do Espírito Santo para habitar nos corações dos crentes seria a vinda do próprio Cristo (João 14:16-20). E ainda, que o Espírito testificaria dEle (Jo 15:26). Além desses motivos, podemos afirmar ainda que o Espírito é chamado de “Espírito de Cristo” porque:É enviado em nome de Cristo (Jo 14:26).
É enviado por Cristo (Jo 16.7).
Sua missão especial nesta época é a de glorificar a Cristo (Jo 16:14).
O Cristo glorificado está presente na igreja e nos crentes pelo Espírito Santo (Gl 2:20; Rm 8:9,10).

1.4 Consolador. A palavra “Consolador” (”parácleto”, no grego) significa alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer eventualidade, especialmente em processos legais. Era costume nos tribunais antigos, as partes aparecerem nos tribunais assistidas por um ou mais dos seus amigos, que no grego chamavam de “parácleto”, e em latim, “advocatus”. Estes assistiam seus amigos, não pela recompensa ou remuneração, mas por amor e consideração. Quando Jesus disse: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que esteja convosco para sempre” (Jo 14:16), Ele identificou-se como o primeiro Consolador, e que, após a sua partida, rogaria ao Pai para que Ele enviasse “outro Consolador” (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7).

1.5 Espírito da Promessa. O Espírito Santo é chamado assim porque sua manifestação e poder são prometidos no Antigo Testamento (Jo 2:28,29). A prerrogativa mais elevada de Cristo, ou do Messias, era a de conceder o Espírito; e esta prerrogativa Jesus a reivindicou quando disse: “Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai” (Lc 24:49).

1.6 Espírito da Verdade. A Bíblia diz que Deus é a verdade (Jr 10.10); Jesus é a verdade (Jo 14.6) e o Espírito Santo também é a verdade (I Jo 5.6). Ele veio para nos guiar em toda a verdade (Jo 16.13,14. Assim como o propósito da Encarnação foi revelar o Pai (Jo 14.6-9); a missão do Consolador é revelar o Filho (Jo 16.13).

1.7 Espírito de Adoção. Quando a pessoa é salva, não somente lhe é dado o nome de filho de Deus (Jo 1.12), e adotada na família divina (Ef 2.19), mas também recebe “dentro de sua alma” o conhecimento de que participa da natureza divina (Rm 8:15). Assim como Cristo é nossa testemunha no céu; aqui na terra, o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).
Em Lucas 11.20, o Espírito Santo é chamado de “O dedo de Deus”; em Atos 5.4, de “Deus”; em Apocalipse 19.10, de Espírito de Profecia; e, em Isaías 11.2, Ele é descrito com diversos títulos que representam a Sua plenitude: “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.

II - OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
Para uma melhor compreensão da natureza e obra do Espírito Santo, Deus as ilustrou através dos símbolos, nas páginas das Sagradas Escrituras, pois, de outra maneira, muitas de Suas características e atributos, jamais poderíamos conhecer. Vejamos:
2.1 Fogo. O Espírito é comparado ao fogo porque o fogo aquece, ilumina, espalha-se e purifica (Is 4.4; Jr 20:9; Mt. 3:11; Lc 3:16). O fogo ilustra a limpeza, a purificação e o zelo produzido pela unção do Espírito. O fogo também é sinal da presença de Deus, pois, as manifestações de Deus, algumas vezes, eram acompanhadas pelo fogo (Êx 3.2; 13.21,22; 19.18; Dt 4.11). No AT, a ordem divina era conservar o fogo aceso diuturnamente (Lv 6.13), como sinal evidente da presença de Deus no meio do seu povo. E, no NT, a ordem divina é a mesma (1 Ts 5.19). Assim, a chama do Pentecostes deve estar sempre acesa em nossos corações.
2.2 Vento. O vento simboliza a obra regeneradora do Espírito e é indicativo da sua misteriosa operação, independente, penetrante, vivificante e purificante.(Ez 37:7-10; Jo 3:8; At 2:2). Isto porque: 1) O vento penetra em todos os lugares, assim como o Espírito Santo; 2) O vento está em movimento constante, assim o Espírito Santo trabalha continuamente; 3) O controle da direção do vento não depende da nossa vontade. Ele sopra onde quer (Jo 3:8); e 4) Quando o vento sopra, refrigera o ar e o enche de vitalidade. Da mesma maneira, age o Espírito Santo no crente.
2.3 Água. O poder do Espírito Santo opera no reino espiritual o que a água faz na ordem material (Êx 17:6; Ez 36:25-27; 47:1-5; Jo 3:5; 4:14; 7:38, 39). A água purifica, refresca, sacia a sede, e torna frutífero o estéril. Ela purifica o que está sujo e restaura a limpeza. É um símbolo adequado da graça divina que não somente purifica a alma, mas também lhe acrescenta a beleza divina. Assim como a água é um elemento indispensável à vida física, o Espírito Santo é indispensável à vida espiritual. Assim como a água encontra-se em três regiões do Universo, ou seja, na expansão dos céus (Gn 1.6-10); sobre a face da terra (Gn 7.11), e debaixo da terra (Jo 38.30), o Espírito Santo opera nas três dimensões da constituição humana, produzindo a regeneração do espírito, da alma e do corpo (1 Ts 5.23), produzindo uma “lavagem da regeneração e da renovação” (Tt 3.5).
2.4 Selo. Essa ilustração exprime os seguintes simbolismos: 1) Possessão. A impressão dum selo dá a entender uma relação com o dono do selo, e é um sinal seguro de algo que lhe pertence. Os crentes são propriedades de Deus, e sabe-se que o são pelo Espírito que neles habita. 2) A ideia de segurança (Ef 1:13) O Espírito inspira um sentimento de segurança e a certeza no coração do crente (Rm 8:16). O selo, como figura do Espírito, traduz também diversos outros significados, tais como: garantia (Gn 38.18), juramento (Jr 22.24), autenticidade (I Co 9.2), redenção (Ef 4.30); etc.
Podemos afirmar, então, que fomos selados com o selo da promessa, que nos dá a garantia de pertencermos somente a Deus (Ef 1.13; II Tm 2.19).
2.5 Azeite. O azeite é, talvez, o mais comum e mais conhecido símbolo do Espírito. Quando se usava o azeite no ritual do AT, falava-se de utilidade, frutificação, beleza, vida e transformação. Geralmente era usado como alimento, para iluminação, lubrificação, cura, e alivio da pele. Da mesma maneira, na ordem espiritual, o Espírito fortalece, ilumina, liberta, cura e alivia a alma. Na Bíblia, o azeite da unção era usado para consagração de pessoas, tais como reis (1 Sm 10.1; 16.13), sacerdotes (Lv 8.30) e profetas (1 Rs 19.16), ou seja, era um privilégio apenas de alguns. Porém hoje, este “azeite” é derramado sobre todos nós, pois agora somos a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, e o povo adquirido (IPe 2.9) e temos a unção do Santo (I Jo 2.20).
2.6 Pomba. A pomba, como símbolo, significa brandura, doçura, amabilidade, inocência, paz, pureza e paciência. Por ocasião do batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba. Mas, não significa dizer que o Espírito Santo seja uma pomba, e sim, que Ele manifestou-se como uma pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22). A pomba é um dos símbolos da paz, e uma das características do fruto do Espírito é a paz (Gl 5.22). Assim, quando Ele passa a habitar em nós, transmite-nos a verdadeira paz.
2.7 Chuva. Tiago, o irmão do Senhor Jesus e autor da epístola que leva o seu nome, menciona “as primeiras chuvas e últimas chuvas”, como sendo a “chuva temporã e serôdia”, baseado na metáfora agrícola (Tg 5.7). O apóstolo sabia muito bem dessas chuvas, por experiência pessoal. Na Palestina, as primeiras chuvas provêem umidade à semente recém-plantada, para que possa germinar. Portanto, é sinal para a semeadura. Já as últimas chuvas, são necessárias para que a semente amadureça. Na metáfora de Tiago, o simbolismo é perfeito: o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes, preparando assim a terra para a grande semeadura da Palavra de Deus. Depois, no decorrer dos séculos, as últimas chuvas, ou seja, suas manifestações contínuas neste mundo, especialmente onde a vontade de Deus é aceita, têm produzido o amadurecimento e garantido uma safra de almas abundantes (Jo 4.35-38). No final, aparece o “precioso fruto da terra” como o resultado satisfatório da chuva, da semeadura e da colheita.

CONCLUSÃO
Para que nós pudéssemos compreender a natureza, atributos e, principalmente a ação do Espírito Santo em nossas vidas, Deus fez com que diversos nomes e símbolos fossem inseridos nas Sagradas Escrituras. Por esta razão, encontramos nas páginas da Bíblia o Espírito Santo sendo chamado de Espírito Santo, Espírito de Deus, Espírito de Cristo, Consolador, bem como também, sendo representado por diversos símbolos, tais como: fogo, vento, água, pomba, óleo, e muitos outros que, por exiguidade, não mencionamos neste esboço.

REFERÊNCIAS
•A existência e a Pessoa do Espírito Santo. Severino Pedro da Silva. C.P.A.D.
•Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Myer Pearlman. Vida.
•O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo. Stanley Horton. C.P.A.D.
•Teologia Sistemática. Eurico Bérgsten. C.P.A.D.

Elaborado Por: Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Recife / PE em RBC1

quarta-feira, 30 de março de 2011

SUBSÍDIOS E B D - LIÇÃO 01 - 2º SEMESTRE 2011

QUEM É O ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO
Neste segundo trimestre do ano, em comemoração ao Centenário das Assembleias de Deus no Brasil, estudaremos sobre o Movimento Pentecostal, as doutrinas da nossa fé. Nesta primeira lição, nos dedicaremos ao estudo acerca do Espírito Santo, que é a Terceira Pessoa da Trindade, onde abordaremos sobre Sua divindade e personalidade; Sua atuação no Antigo e Novo Testamentos, bem como na experiência humana.

I – QUEM É O ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade (Mt 28.19; II Co 13.13). Ele é chamado de Espírito Santo porque Sua obra principal é a santificação. Por intermédio dEle, Deus opera na esfera espiritual, convencendo os pecadores (Jo 16.8), regenerando e santificando os crentes (Jo 3.5-8; Rm 15.16; I Co 6.11; II Ts 2.13; I Pe 1.1,2); e, capacitando-os a fazer a Sua obra (At 1.8). Apesar dos esforços que muitos têm empreendido para negar Sua existência, podemos afirmar, à luz das Sagradas Escrituras, que o Espírito Santo é uma pessoa, pois Ele é dotado de personalidade; e também é divino, pois Ele possui atributos exclusivos da Trindade, como nos ensina a Pneumatologia, que é a ciência que estuda a pessoa, obra, natureza, atributos e manifestações do Espírito Santo.

II – A PERSONALIDADE E A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
Embora que algumas seitas heréticas tentem negar a personalidade e a divindade do Espírito Santo, afirmando que Ele é apenas uma energia, ou uma força ativa de Deus, Seus atributos e atividades desmentem essa falsa teoria. Vejamos:
2.1 A Personalidade do Espírito Santo. A Bíblia ensina que o Espírito Santo é uma pessoa, pois, além de possuir sentimento, intelecto e vontade, Ele age como uma pessoa e faz coisas que uma força ou energia jamais poderiam fazer. Vejamos:

* Ele fala (At 13.2; Ap 2.7);

* Ele guia (At 8.29; Rm 8.14);

* Pode-se resistir a Ele (At 7.51);

* Ele intercede (Rm 8.26);

* Ele pode impedir (At 16.6,7);

* Pode-se mentir a Ele (At 5.3,4);

* Ele testifica (Jo 15:26);

* Ele tem vontade própria (I Co 12.11);

* Pode-se entristecê-Lo (Ef 4.30);

* Ele ama (Rm 15.30);

* Ele ensina e faz lembrar (Jo 14.26);

* Pode-se blasfemar contra Ele (Mt 12.31,32).

2.2 A Divindade do Espírito Santo. Em toda a Bíblia, podemos ver claramente que o Espírito Santo é Deus; pois, além de possuir atributos divinos, Ele faz coisas que somente Deus pode fazer. Vejamos:

* Ele é eterno (Hb 9.14);

* Ele é chamado “Deus” (At 5:3,4);

* Ele é Todo-Poderoso (Lc 1.35; I Co 12.11);

* Ele é mencionado junto com o Pai e o Filho (Mt 28.19; II Co 13.13);

* Ele é Onipresente (Sl 139.7-10);

* Ele é criador (Jó 33.4; Sl 104.30);

* Ele é onisciente (I Co 2.10,11);

* Ele inspirou a Palavra de Deus (I Pe 1.11; II Pe 1.21; cf II Tm 3.16).

III – A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO
Diversas vezes a Bíblia descreve a atuação do Espírito Santo no AT. Vejamos algumas:
3.1 O Espírito Santo na Criação. A primeira referência ao Espírito Santo no AT é em Gn 1.2, onde a Bíblia diz que “... o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Algumas versões trazem "mover-se", mas a palavra hebraica é "estar sobre". Assim como uma galinha fica sobre seus ovos para chocá-los e trazer nova vida ao mundo; da mesma maneira o Espírito Santo pairou sobre a criação, para encher seu vazio com as várias formas de vida, de onde resultou o relato de Gênesis 1 e 2. Assim, desde o princípio, o Espírito Santo estava ativo na criação, junto com o Pai e o Filho (Jó 26:13; 33.4; Sl 33:6; 104:30).
3.2 O Espírito Santo agindo nos líderes de Israel. No AT, o Espírito Santo atuava, principalmente, na vida dos juízes, profetas, sacerdotes e reis, como por exemplo: Josué (Nm 27:18-21); Otoniel (Jz 3:9-10; José (Gn 41:38-40); Bezaleel (Êx 35:30-31); Moisés (Nm 11:16,17); Gideão (Jz 6:34), Jefté (Jz 11:29); Sansão (Jz 13:24,25); Saul (1 Sm 10:6); Davi (I Sm 16.13) e outros. Podemos entender, então, que Ele atuava de maneira específica e temporária, sobre pessoas específicas, e para obras específicas. O derramamento geral do Espírito é mencionado como um evento futuro (Jl 2.28,29).
Encontramos no AT três expressões utilizadas para a atuação do Espírito Santo nas pessoas:

* Ele vinha sobre alguém: "O Espírito de Deus se apoderou de Zacarias” (II Cr 24:20).
* Ele repousava sobre alguém: "O Espírito repousou sobre eles" (Nm 11:25).
* Ele enchia alguém: "Eu o enchi do Espírito de Deus" (Êx 31:3).

IV - A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO
Com exceção da Segunda e Terceira Epístola de João, todos os livros do N.T. contém referências à pessoa e obra do Espírito Santo, onde podemos ler sobre a ação do Espírito Santo na vida de Cristo, dos pecadores e, principalmente dos servos de Deus. Vejamos alguns exemplos:

4.1 O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DE CRISTO. A Terceira Pessoa da Trindade é mencionada em diversas ocasiões da vida e ministério de Cristo.
4.1.1 No Seu nascimento. O Espírito Santo é descrito como o Agente Miraculoso na concepção de Jesus (Ma 1.20; Lc 1:35).
4.1.2 No Seu batismo. Por ocasião do batismo, o Espírito Santo desceu sobre Ele numa forma corpórea de uma pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32,33).
4.1.3 No Seu ministério. O ministério de Jesus foi marcado pela presença do Espírito Santo (Mc 1.12; Lc 4.18,19; At 10.38).
4.1.4 Na Sua morte. Nesse momento tão crucial, o Espírito de Deus não poderia estar ausente (Hb 9.14).
4.1.5 Na Sua ressurreição. O Espírito Santo foi o agente vivificante na ressurreição de Cristo (Rm 1:4; 8:11).
Em suma, podemos afirmar que Jesus foi concebido pelo Espírito (Lc 1:35); guiado pelo Espírito (Lc 4:1); ungido pelo Espírito (Lc 4:18; At 10:38); revestido com poder pelo Espírito (Mt 12:27, 28); ofereceu a Si mesmo pelos nossos pecados, pelo Espírito (Hb 9:14); foi ressuscitado pelo Espírito (Rm 8:11); e deu mandamentos por intermédio do Espírito (At 1:2).

4.2 O ESPÍRITO SANTO NA EXPERIÊNCIA HUMANA. O NT Descreve diversas atividades do Espírito Santo na experiência humana, de maneira que, à luz da Bíblia, podemos afirmar que seria impossível o homem ser salvo, sem a ação do Espírito em sua vida.
4.2.1 Ele convence. Em João 16:7-11 Jesus descreve a obra do Consolador em relação ao mundo, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo. Convencer, nesse texto, significa “levar ao conhecimento verdades que, de outra maneira, seriam postas em dúvida ou rejeitadas”; pois os homens não sabem o que é o pecado, a justiça e o juízo, necessitando, portanto, serem convencidos dessa verdade espiritual.
4.2.2 Ele regenera. A regeneração é o mesmo que “nascer de novo”, ou seja, o milagre que ocorre na vida de todo aquele que teve um encontro com Cristo, tornando-o participante da natureza divina. Através da regeneração, o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual, tornando-se uma nova criatura em Cristo (Jo 3.5-8; Tt 3.5).
4.2.3 Ele habita. No ato da regeneração, o Espírito Santo passa a habitar no crente, mantendo uma relação pessoal com o indivíduo. Esta união com Deus é chamada de habitação ou morada do Espírito em nós (Jo 14:17; Rm. 8:9; I Co 6:19; II Tm 1:14: I Jo 2:27; 3.24; Ap 3:20).
4.2.4 Ele reveste de poder e concede dons. Uma das principais atividades do Espírito Santo na vida do cristão é revesti-lo de poder (At 1.8), distribuindo dons espirituais (I Co 12.7-11) e capacitando-o a testemunhar de Cristo.

CONCLUSÃO
Sendo o Espírito Santo “Deus”, seria impossível defini-Lo ou descrevê-Lo em Sua plenitude. Por isso, nesse breve esboço, procuramos apenas descrever alguns atributos, bem como algumas de suas atividades que foram registradas nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sem esquecer-nos, no entanto, de que a atuação deste supremo Ser, não se limita às experiências que foram registradas nas páginas das Sagradas Escrituras; pois, Ele continua agindo, de maneira atuante e marcante, na vida dos pecadores, e, principalmente, dos servos de Deus, espalhados por todo o mundo.

REFERÊNCIAS
* A existência e a Pessoa do Espírito Santo. Severino Pedro da Silva. C.P.A.D.
* Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Myer Pearlman. Vida.
* O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo. Stanley Horton. C.P.A.D.
* Teologia Sistemática. Eurico Bérgsten. C.P.A.D.

Elaborado Pela IEAD RECIFE- PE em  RBC1.COM.BR

quinta-feira, 24 de março de 2011

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 13 - EBD - 1º TRIMESTRE DE 2011

PAULO TESTIFICA EM ROMA
Em Atos 19.21,22 e 20.1-3 pode-se ver que Paulo deixou Éfeso e viajou para Corinto. Ele enviou irmãos de confiança adiante dele, a fim de persuadir as igrejas da Macedônia e de Acaia para coletarem uma oferta "para os pobres dentre os santos" de Jerusalém (Rm 15.26). Ele planejara ir a Jerusalém com a oferta, e depois, a Roma (At 19.21). Sentia que seu ministério no Oriente estava por terminar, e pensou em ir à Espanha (Rm 15.24). Passando através das áreas mencionadas, ele coletou as ofertas e estava se deslocando em Corinto por três meses antes de partir para Jerusalém. Talvez a delonga tivesse por fim solidificar sua permanência na igreja coríntia, em sucessão à época de conflito refletida na correspondência dirigida aos coríntios. Em Romanos, Paulo demonstra o seu grande desejo de visitar Roma e conseguir algum fruto de seu ministério entre os gentios, naquela cidade, como o teve em outros países gentios (1.13). Mas a visita a Roma seria apenas uma familiarização, porque ele queria prosseguir para a Espanha, a fim de ministrar lá. Portanto, Paulo escreveu que planejara ir a Jerusalém, com a "oferta de paz", e depois a Espanha, via Roma. Ele também achava que a igreja em Roma, em virtude do seu tamanho e fé, podia ajudá-lo na sua ida à Espanha (Rm 15.24). Ele queria que os irmãos participassem de seu ministério apostólico no Ocidente,em grande parte, como Antioquia havia sido para o ministério do Oriente.


A IGREJA DE ROMA
A capital do Império Romano justificava sua prerrogativa de ser a cidade principal, maior que Atenas, Alexandria e Antioquia. Embora situada na ocidental do mundo romano, ela mantinha ligações íntimas com as áreas mais remotas de seu domínio. Roma era a figura dominante em todas as questões imperiais: políticas, sociais, militares, comerciais e religiosas. Embora os primórdios da cidade estejam obscurecidos em mito e mistério, o calendário romano data de 753 a. C. A cidade estava situada a dezenove quilômetros da costa, o que a protegia de ataque marítimo. Seus muros rodeavam sete montes, entre dois dos quais (o Capitolino e Palatino) estava localizado o Forum, a sede administrativa do Império, Roma era a capital de um território que incluía todas as regiões fronteiriças do mediterrâneo, os países antigos do Oriente próximo e do Oriente Médio, a Bretanha e as partes do Nordeste da África. Roma foi construída através de conquistas e sustentada pelo gênio de sua força militar, competência administrativa e rapidez de comunicações. Para esta rapidez, muitas estradas excelentes foram construídas até as partes mais remotas do império, todas levando até Roma. Por causa de suas conquistas e empreendimentos comerciais, Roma era uma cidade de imensa riqueza. Pessoas de todas as partes do Império vinham a Roma para participar da vida extravagante na capital. Durante o primeiro século da era cristã, acima de 1.500.000 pessoas habitavam em Roma, das quais 800.000 eram escravos. A riqueza e a cultura romanas exigiam uma multidão de escravos domésticos. As pessoas que vinham à Roma, fossem livres ou escravas, traziam com elas sua base cultural e religião próprios. Grande parte dessa cultura e religião foi assimilada na cultura romana, mas grande parte também permaneceu separada e distinta. Embora o latim fosse a língua oficial, a língua comumente falada em Roma e no Império era o grego, a língua universal do comércio e das nações, a língua franca da época. Só pelo terceiro e quarto séculos é que o latim substituiu o grego como a língua comum do Império. Roma Administrava suas possessões, na maior parte, com igualdade e justiça. Seus exércitos mantinham as estradas relativamente livres de salteadores e rapidamente suprimiam qualquer rebelião incipiente. O primeiro século da era cristã foi a época da Pax Romana. Foi devido ao governo romano que o cristianismo foi capaz de se propagar livremente através do Império, nas primeiras décadas importantes da existência da igreja. Roma era o centro desse império, e Paulo escreveu à igreja o mais profundo de importância teológica e ética que se encontra em toda literatura, a Carta aos Romanos.

PAULO EM ROMA
Os capítulos finais de Atos contêm alguns dos mais comoventes escritos de toda Bíblia. O fato marcante é que, desde o momento em que Paulo é agarrado pela multidão revoltosa em Atos 21.30, ele nunca mais consegue viver em liberdade. Ele passa o restante do livro como um prisioneiro, aparentemente abandonado diante dos caprichos da justiça romana. Mas o modo como Lucas narra a história dá uma impressão totalmente distinta. Paulo não está subjugado e desamparado. O plano de Deus está se desenvolvendo. Paulo tem muitas oportunidades para testemunhar a uma enorme multidão em Jerusalém, ao Sinédrio judaico, a dois governadores romanos, ao Rei Herodes e sua esposa, a uma tripulação de passageiros de aproximadamente 300 pessoas num navio, ao governador de Malta e, através dele, a muitos outros habitantes da ilha, aos líderes de uma grande comunidade judaica em Roma, e, finalmente, a todos os que o procuram e ouvem na capital imperial. Paulo pode ter sido um prisioneiro, mas, como ele mais adiante expressa a Timóteo, "a palavra de Deus não está algemada" (2 Timóteo 2.9).

Em Roma Paulo foi entregue ao comandante da guarda pretoriana de Nero. Mas foi-lhe permitido morar à parte, acorrentado pelo pulso a um soldado que o guardava. Foi-lhe permitido alugar um apartamento, nele residindo nos dois anos que passou em Roma. Lucas e Aristarco também ficaram em Roma para ajudá-lo durante esse período (Col 4.10, 14;Fil 24). Felizmente o apartemento era grande bastante para considerável número de pessoas reunir-se, como se vê (At 28.23-25). Depois de três dias Paulo convocou os líderes judeus em Roma para virem ao seu apartamento. Inscrições romanas antigas mostram que havia várias sinagogas judaicas em Roma por esse tempo. Paulo contou-lhes então como veio a estar em Roma como prisioneiro. Enfatizou ele sua inocência e explicou por que apelou para Cesar, sendo cuidadoso em não mencionar nenhuma censura à nação judaica como um todo. O propósito de Paulo, entretanto, era fazer mais do que explicar por que estava ali. Ele queria testificar do fato de que era pela esperança de Israel que estava preso por uma cadeia. Os líderes judeus responderam que haviam recebido carta alguma da Judéia, nem tinha alguém trazido alguma notícia do julgamento de Paulo ou mesmo falado qualquer coisa má a seu respeito. A seguir expressaram o desejo de ouvir Paulo falar-lhes acerca de suas idéias. Entretanto, lês não se mostraram corteses para com os cristãos, pois chamaram o Cristianismo de seita que, em toda parte, era impugnada. A epístola de Paulo aos Romanos mostra que a igreja de Roma já estava estabelecida pelo A. D. 57, provavelmente, bem antes disso. Evidentemente estes líderes judeus tinham ouvido as críticas mas não se haviam dado ao trabalho de investigar. Os judeus, entre si, combinaram uma data e compareceram em elevado número a casa de Paulo. A estes deu ele explicação acerca do que tinha em mente, apresentando solene testemunho acerca do reino de Deus. Como sempre fazia nas sinagogas, usou os livros de Moisés e dos profetas para ensinar o evangelho e procurar persuadi-los de que Jesus é verdadeiramente o Messias. Continuou ele com esse ensino e essa pregação desde a manhã até a noite. Alguns se deixaram persuadir. Isto é, creram e aceitaram a mensagem e a exortação de Paulo. Outros não creram. Por estarem em desacordo, retiraram-se, mas não antes de Paulo dizer-lhes uma palavra final. Ele citou-lhes que o Espírito Santo, em Isaías 6.9, 10, disse aos seus ancestrais. Então acrescentou ele que a salvação de Deus estava, também, sendo enviada aos gentios. Essa não foi a última oportunidade de Paulo. Por dois anos inteiros teve condições de pregar e ensinar corajosa e livremente, recebendo todos os que vinham a sua casa. Era essa uma resposta a seus pedidos de oração enviados às igrejas por ele fundadas (Ef 6.19,20; Col 4.3,4). Até mesmo alguns da casa de Cesar se converteram (Fil 4.22). Isso, provavelmente aconteceu através do testemunho dado pelos soldados à guarda pretoriana ("palácio")(Fil 1.13).


quinta-feira, 17 de março de 2011

COMENTÁRIO LIÇÃO 12 - E B D 2011

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO

Texto Áureo: At. 13.2 
 Leitura Bíblica em Classe: At. 13.46-49
Objetivo: Mostrar aos alunos que a expansão da igreja é um processo que envolve a ação do Espírito Santo e a obediência irrestrita do crente ao ide evangelístico de Jesus.

INTRODUÇÃO
Antes de ascender ao Céu, Jesus reuniu seus discípulos a fim de lhes passar determinadas instruções. Esse momento costuma ser denominado de Grande Comissão e se encontra registrado ao final dos quatro evangelhos e no início de Atos. Seguindo as instruções do Senhor, os discípulos deveriam fazer discípulos (Mt. 28.19) em todas as etnias (Mc. 16.15), pregar sobre a Sua morte e ressurreição (Lc. 24.46), partir como enviados de Cristo (Jo. 20.21) e depender sempre do poder do Espírito do Santo para no testemunho do evangelho (At. 1.8). O Apóstolo Paulo levou a sério a ordem do Senhor e, em três viagens missionárias, foi poderosamente usado pelo Espírito na expansão do evangelho.
1. PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
A primeira viagem missionária de Paulo está registrada em Atos 13.1 a 14.28. Essa foi uma missão para os gentios e o Apóstolo partiu de Antioquia. Do Porto da Selêucia, Ele seguiu juntamente com seus companheiros. A partir de Salamina viajaram toda a extensão da ilha, pregando inicialmente nas sinagogas dos Judeus. Durante essa viagem Paulo teve contato com o Proconsul Sergio Paulo. Seguindo viagem, aportou em Perge na Panfília. Naquela ocasião Barnabé era o líder, Paulo o pregador, e João Marcos - primo de Barnabé - um auxiliar. Ao deixar Chipre - cidade de Barnabé - Paulo assumiu a liderança e Marcos os abandonou, retornando para Jerusalém (At. 13.13). Paulo e Barnabé seguiram rumo ao norte, em direção da província da Galácia. Ele visitaram Antioquia (da Psídia), Icônio, Listra e Derbe. Em Antioquia Paulo pregou na sinagoga, discorrendo sobre a história de Israel e o cumprimento das promessas de Deus a respeito da vinda do Salvador, Jesus. A ênfase do Apóstolo foi posta sobre o perdão dos pecados e da justificação por meio da fé em Cristo (At. 13.38-39). Esses temas seriam enfatizados na Epístola aos Gálatas, escrita durante essa primeira viagem, na qual se opõe veemente à doutrina judaizante (Gl. 1.1-9). Enquanto se encontravam em Icônio, o Senhor realizou muitos sinais e maravilhas pelas mãos dos apóstolos (At. 14.3; Gl. 3.5). Em Listra, cidade em que Zeus e Hermes eram adorados (At. 14.11,12), Paulo curou um homem aleijado desde o ventre da mãe e isso fez com que as pessoas da cidade quisessem adorar a ele e Barnabé como deuses. Mesmo assim, judeus vieram de Antioquia e Icônio a fim de persegui-los, e por fim, apedrejaram a Paulo, deixando-o morto. Milagrosamente Ele se levantou após o apedrejamento e seguiu no dia seguinte juntamente com Barnabé para a cidade de Derbe. Ao retornar para Antioquia, Paulo passa, então, a ser como o Apóstolo do evangelho da incircuncisão” (At. 15.22-26; Gl. 2.7).

2. SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA
A segunda viagem missionária de Paulo se encontra registra em At. 15.36 s 18.22. Essa pretendia ser uma viagem para visitar as cidades nas quais o evangelho de Cristo havia sido pregado (At. 15.36). Antes da partida ocorreu um desentendimento entre Paulo e Barnabé, por causa do interesse de João Marcos de acompanhá-los, e isso acabou por separá-los, então, Paulo decidiu seguir com Silas em direção a Siria e Cilicia, com a benção da igreja (At. 15.40), iniciando pela Galácia. O interesse central de Paulo estava na Macedônia e em Acaia. Paulo tomou também consigo seu filho na fé, Timóteo, quando passavam por Listra (At. 16.3). Em resposta a uma visão (At. 16.9,10), os missionários embarcaram para a Macedônia (At. 16.6-10), dando iniciou a evangelização em solo europeu. Na Macedônica, três cidades foram escolhidas como pontos centrais para a evangelização: Filipos (At. 16.12-40), Tessalônica (At. 17.1-9) e Beréia (At. 17.10-14), e em Acaia, duas cidades foram visitadas: Atenas (At. 17.15-34) e Corinto (At. 18.1-18). Em Filipos Paulo encontrou pessoas tementes a Deus (At. 16.12) e Lídia, uma adoradora do Senhor (At. 16.14). Esse gentios foram os primeiros a responderem ao evangelho de Cristo e a serem salvos (At. 16.31-34). Nessa cidade os mensageiros do Senhor sofreram perseguição e foram postos na prisão, onde oravam e louvavam ao Senhor, e, após intervenção divina, o carcereiro e sua família se converteram ao Senhor (At. 16.20,21). Após ser liberado da prisão, Paulo apelou para sua cidadania romana, algo que poderia ter prevenido que ele fosse açoitado (At. 16.22-24). Tessalônica era a capital da província da Macedônia e naquele lugar Paulo começou a pregar na sinagoga, confrontando os ouvintes à luz das Escrituras (At. 17.2). Os missionários acabaram sendo acusados de sedição contra o império romano, por apregoarem outro rei, Jesus (At. 17.7). Por causa disso, eles tiveram que fugir da cidade e seguiram para Beréia, onde permaneceram por pouco tempo, atentando, que naquela cidade, havia nobreza, pois os ouvintes eram criteriosos no exame das Escrituras (At. 17.10-15). Em seguida Paulo entrou na província de Acaia, em uma das suas mais importantes cidades, Atenas, famosa pela quantidade de ídolos, causando incômodo ao Apóstolo (At. 17.16). Em Atenas ele tanto pregou nas sinagogas quanto nos lugares públicos, onde encontrou os filósofos epicureus e estóicos, que consideraram Paulo não mais do que um falastrão (At. 17.18). Em Atenas Paulo pregou sobre o Deus Desconhecido dos atenienses, e falou a respeito de Jesus e da ressurreição. Em oposição ao pensamento filosófico, Ele expôs a doutrina de um Deus pessoal e vivo que criou o mundo e que o sustenta e que um dia haverá de julgá-lo, portanto, argumentou o Apóstolos, todos devem se arrepender (At. 17.22-34). Após sair de Atenas Paulo seguiu para Corinto onde permaneceu por um ano e meio. Na cidade Paulo foi hospedado por um casal, Áquila e Priscila, companheiros de fé e profissão, também fabricantes de tendas (Rm. 16.3-5). Em Corinto Paulo foi acusado pelos judeus de adorar a Deus de modo contrário à Lei, resultando na sua apresentação, perante Gálio, no tribunal (At. 18.15-17). Após uma rápida visita a Éfeso, Paulo seguiu viagem, prometendo retornar se essa fosse à vontade do Senhor, e logo retornou para Antioquia (At. 18.19-21). Durante essa segunda viagem missionária Paulo escreveu duas cartas: I e II Epístolas aos Tessalonicenses.


3. TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
A terceira viagem missionária de Paulo se encontra registrada em At. 18.23 a 21.14. O Apóstolo segue mais uma vez em direção a região da Galácia e da Frigia. Em seguida, segue rumo a Ásia, para sua principal cidade, Éfeso. Nesse local ele permaneceu por aproximadamente dois a três anos, sua estada mais longa em um mesmo lugar (At. 19.8-10; 20.31). Lucas testemunha que durante a permanência de Paulo na cidade, todos que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos (At. 19.10) e que a palavra de Deus prevalecia poderosamente (At. 19.20). Após deixar Éfeso, Paulo seguiu rumo a Trôade (II Co. 2.12-13), depois para a Macedônia e Grécia, onde passou três meses (At. 20.3). Enquanto se encontrava em Corinto, escreveu sua Epístola aos Romanos. Quando retornava de Filipos e Trôade, passou por Mileto e encontrou-se com os presbíteros da igreja de Éfeso (At. 20.17-35) com o objetivo de reafirmar seu ministério perante eles, e encarregá-los de responsabilidades pastorais, advertindo-os também quanto ao perigo das heresias que viriam após a sua partida (At. 20.28-31). Desejoso de ir a Jerusalém, para Festa de Pentecoste (At. 20.16), Paulo partiu em direção a Tiro e Cesaréia (At. 21.3-6; 8-16), onde foi advertido a respeito dos perigos que sobreviriam sobre ele. Mesmo assim, seguiu para Jerusalém (At. 21.13), levando consigo a coleta dos irmãos para os necessitados (I Co. 16.1-4; II Co. 8-9; Rm. 15.25-27). Enquanto era recebido por Tiago e os anciãos da igreja, alguns judeus da Ásia, que estavam presentes em Jerusalém, para celebrar a Festa de Pentecoste, acusaram Paulo de profanar a área do templo (At. 21.27-36), o que resultou em sua prisão pela capitão romano da cidade. Nessa viagem missionária, além da Epístola aos Romanos, Paulo escreveu I e II Coríntios.

CONCLUSÃO
As viagens missionárias de Paulo revelam seu profundo amor a Jesus Cristo, bem como a seriedade que esse atribuía à obra evangelizadora. Ele tinha profunda convicção do seu chamado para levar o evangelho às nações (Gl. 1. 15,16; Rm. 1.1; I Co. 1.1). Ele não se envergonhava do evangelho, pois reconhecia neste o poder de Deus para salvação de todo aquele que crer (Rm. 1.16). O Apóstolo dos Gentios não temia oposição e muito menos adversidades, pois estava ciente da responsabilidade que recaia sobre os seus ombros (I Co. 9.16). O teor da mensagem missionária paulina era, repetidamente, Jesus Cristo, o Ressuscitado (I Co. 1.30; II Co. 4.5). A dedicação de Paulo à obra missionária era tão intensa que o fazia afirmar que ele não mais vivia, mas Cristo vivia nele (Gl. 2.20), e que para ele o viver era Cristo e o morrer era lucro (Fp. 1.20). Paulo a nada temia, e como muitos missionários espalhados pelo mundo atualmente, pelo quais devemos orar e contribuir, testemunhava de Jesus, a fim de que o Senhor fosse manifestado na vida dele (II Co. 4.10,11). Que como Paulo, e esses destemidos missionários, sejamos também capazes de, pelo Espírito, afirmar: “ai de mim se não pregar o evangelho”!

BIBLIOGRAFIA
MARSHALL, I. H. Atos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
WILLIAMS, D. J. Atos. São Paulo: Vida, 1996.


Publicado em EBD WEB