sábado, 19 de janeiro de 2013
LIÇÃO 01 – A APOSTASIA NO REINO DE ISRAEL - 1º TRIMESTRE 2013
INTRODUÇÃO
A lição do primeiro trimestre de 2013 tem como título: Elias e Eliseu, um ministério de poder para toda a Igreja, onde teremos o privilégio de estudar treze lições baseadas no ministério destes dois profetas do AT. Sem dúvida, eles viveram em um período de muita apostasia e iniquidade. Profetizar naqueles dias não era uma tarefa fácil! Mas, com autoridade divina, esses dois arautos, não só falaram em Nome de Deus, como também realizaram milagres e coisas extraordinárias, e nenhuma de suas palavras caíram por terra. Nesta primeira lição, estudaremos sobre o contexto político e religioso nos tempos do profeta Elias, principalmente, sobre a apostasia em Israel - seus agentes, consequências e perigos – que foi um dos pecados cometidos pela nação.
I – O QUE É APOSTASIA
1.1 Definição. Do grego, apo, que significa “fora” e histemi, que quer dizer: “colocar-se”. Significa “afastamento” ou o “abandono premeditado e consciente da fé cristã”. No Antigo Testamento não foram poucas as apostasias cometidas por Israel. Só em Juízes, há sete desvios da verdadeira fé em Deus. Para os profetas, apostasia constituía-se num adultério espiritual. Se a congregação hebreia era a esposa de Jeová, deveria guardar-lhe fielmente os preceitos, e jamais curvar-se diante dos ídolos. (ANDRADE, 2006 p. 56).
1.2 A apostasia no AT. No Antigo Testamento, a apostasia ocorreu, principalmente, quando Israel deixou de servir e adorar ao Único Deus Verdadeiro (monoteísmo) e passou a prestar culto a outros deuses (politeísmo), como podemos ver em (Êx 32.1-18; II Rs 17.7-23; Is 1.2-4; Jr 2.1-9).
1.3 A apostasia no NT. O termo aparece duas vezes no NT com o sentido de cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele (At 21.21; II Ts 2.3; Hb 3.12). Apostatar significa rejeitar, depois de haver crido nos ensinos de Cristo, e passar a crer em doutrinas contrárias (I Tm 4.1; II Tm 4.3). Sendo assim, a apostasia só é possível para quem já experimentou a salvação (Lc 8.13; Hb 6.4,5).
II – AS CAUSAS DA APOSTASIA EM ISRAEL
2.1 Casamento misto. O Senhor Deus advertiu a nação quanto ao perigo do casamento misto, ou seja, da união conjugal com outros povos (Êx 34.12-16; Dt 7.1-4). No entanto, os filhos de Israel não guardaram este mandamento, e, como Deus havia advertido, esses casamentos conduziram os israelitas a apostasia (Nm 25.1-3; I Rs 11.1-8; 16.31-34; Ed 10.1,2). O rei Acabe, por exemplo, influenciado por sua esposa Jezabel, substituiu o culto à Jeová pela adoração à Baal (I Rs 16.31-33), e, como se não bastasse, ela
intentou matar a todos os profetas do Senhor (I Rs 18.4). É por esta razão que a Bíblia nos adverte sobre o perigo do jugo desigual (Am 3.3; I Co 6.14-18).
2.2 Maus exemplos dos reis. A apostasia em Israel ocorreu, principalmente, por causa dos maus exemplos dos reis de Israel, que conduziram a nação à idolatria. O rei Salomão, por exemplo, abandonou ao Senhor e tornou-se idólatra, prostrando-se diante de outros deuses (I Rs 11.1-5), o que o Senhor havia proibido terminantemente na Lei (Êx 20.3-5; Dt 5.7-9). Após a sua morte, seu filho Roboão reinou em seu lugar (I Rs 11.43), e, a partir de então, a nação foi dividida em dois reinos: o Reino do Norte, denominado
Israel, com dez tribos; e o Reino do Sul, chamado Judá, com apenas duas tribos, Judá e Benjamim (I Rs 12.16-25). Vejamos como se deu a monarquia em Israel (Reino do Norte), de Jeroboão até o rei Acabe:
2.2.1 Jeroboão. Foi o primeiro rei de Israel após a divisão do Reino (I Rs 12.20). Ele fez dois bezerros de ouro e pôs um em Betel e outro em Dã (I Rs 12.28-30). Ele também estabeleceu sacerdotes que não eram da linhagem de Levi (I Rs 12.28-31) e sacrificou aos bezerros que fizera, provocando a ira do Senhor (I Rs 12.28.31-33).
2.2.2 Nadabe. Ele reinou por apenas dois anos, e fez o que era mal aos olhos do Senhor, andando nos caminhos de seu pai, fazendo pecar a Israel (I Rs 15.25-31).
2.2.3 Baasa. Ele reinou por vinte e quatro anos e também fez o que era mal aos olhos do Senhor, e andou nos caminhos de Jeroboão, conduzindo Israel à idolatria, provocando a ira do Senhor (I Rs 15.33,34; 16.13);
2.2.4 Elá. Seu reinado durou apenas dois anos (I Rs 16.8), e também foi um mal rei, fazendo pecar a Israel, irritando ao Senhor (IRs 16.13).
2.2.5 Zinri. O reinado de Zinri foi o mais curto de todos. Ele reinou por apenas sete dias (I Rs 16.15). Mas, também andou nos caminhos de Jeroboão, fazendo o que era mal aos olhos do Senhor, fazendo pecar a Israel (I Rs 16.19).
2.2.6 Onri. Ele reinou por dezoito anos (I Rs 16.23), fez o que era mal aos olhos do Senhor, e foi o pior rei de todos que lhe
antecederam, fazendo pecar a Israel (I Rs 16.25,26).
2.2.7 Acabe. Quando Onri morreu, Acabe reinou em seu lugar (I Rs 16.28), que teve a capacidade de fazer pior do que todos os
reis que lhe antecederam (I Rs 16.30,31). Ele casou-se com Jezabel, que, além de controlá-lo (I Rs 21.25), levou a nação de Israel
a adorar seus deuses (I Rs 18.19,20).
Foi em meio a essa crise social, moral e espiritual que Deus levantou o profeta Elias para combater o pecado, proclamar o juízo divino e chamar o povo ao arrependimento.
III – A DIFUSÃO DO CULTO A BAAL
A palavra Baal deriva-se do hebraico, ba`al, e significa “proprietário”, “senhor” ou “marido” (I Cr 5.5; 8.30; 9.36). Baal era o nome comum dado ao deus da fertilidade em Canaã. O AT registra que ele era o deus dos cananeus, mas, também foi cultuado e adorado pelos israelitas (Nm 25.1-3; Jz 2.11,13; 3.7; I Sm 12.10; I Rs 16.31,32; 18.18). Muitas cidades fizeram de Baal um deus local, como Baal-Peor (Nm 25.3,5); Baal-Gade (Js 11.17); Baal-Berite, em Siquém (Jz 8.33); Baal-Zerube, em Ecrom (II Rs 1.2-16); Baal-
Zefom (Nm 33.7); e Baal-Hermom (Jz 3.3). Dentre todos os profetas, Jeremias e Oseias mencionaram Baal com muita frequência (Jr 2.8,23; 7.9; 9.14; 11.13,17; 12.16; 19.5; 23.13,27; Os 2.8,13,17; 9.10; Os 2.8,13,17; 9.10; 11.2; 13.1). Essa religião exerceu grande influência sobre Israel, especialmente no Reino do Norte, onde as ideias e culturas pagãs tornaram-se parte da religião israelitas. Jezabel, esposa do rei Acabe, foi uma rainha idólatra (I Rs 16.31,32) que lutou contra os profetas do Senhor (I Rs 18.4,13), enquanto cerca de 850 profetas de Baal e Aserá comiam à sua mesa (I Rs 18.19). Isto fez com que o profeta Elias desafiasse os profetas de Baal e Aserá, perguntando se Yaweh ou Baal era Deus (I Rs 18.24). Mas, isto não significa dizer que toda a nação se corrompeu, pois, nos dias de Elias havia sete mil que não haviam se curvado diante de Baal (I Rs 19.18).
IV - AS CONSEQUÊNCIAS DA APOSTASIA EM ISRAEL NOS DIAS DO PROFETA ELIAS
Nos dias de Elias, os israelitas, sob a influência da família real, tornaram-se adoradores de Baal, que era considerado como sendo o deus cananeu da chuva e da fertilidade (I Rs 16.29-34). Por isso, o profeta Elias proferiu uma mensagem de juízo divino contra a nação, e, principalmente contra o seu rei, e anunciou uma seca que durou três anos e meio, demonstrando que Jeová é superior a Baal. Esta seca trouxe fome e miséria à nação (I Rs 17.1; Tg 5.17). Em meio a crise, o profeta Elias disse a Acabe: “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes os baalins” (I Rs 18.18). Como o Senhor havia predito nos livros da Lei, a fertilidade e fartura não dependiam de divindades pagãs, e sim, da obediência aos preceitos divinos; e, consequentemente, a seca e a escassez, em decorrência da desobediência à Lei divina (Dt 11.13-17; 28.1-6, 23,24).
V – OS PERIGOS DA APOSTASIA
Embora a apostasia tenha ocorrido no passado, ela acontece com mais frequência em nossos dias, como cumprimento da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo disse: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (I Tm 4.1). Muitos cristãos estão sendo influenciados por falsos ensinos e doutrinas de demônios em nossos dias. O escritor da carta aos Hebreus traz uma palavra de advertência quando diz que aquele que no passado teve uma experiência de salvação com Cristo, mas que, deliberada e continuamente endurece o coração para não atender a voz do Espírito Santo (Hb 3.7-19), continua a pecar intencionalmente (Hb 10.26) e se recusa a arrepender-se e voltar-se para Deus, pode chegar a um ponto tal, que não haverá mais possibilidade de arrependimento e de salvação (Hb 6.4-6).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a apostasia existe desde os tempos passados, como ocorreu nos dias de Salomão, Jeroboão, e, principalmente, nos dias de Acabe, rei de Israel. Por esta razão, o Senhor Deus levantou os profetas Elias e Eliseu, não apenas para profetizar e combater os pecados da nação, mas, também, para operar milagres extraordinários, revelando a soberania e o poder de Deus sobre os homens e a natureza. Tal qual os dias de Elias, nós também vivemos em um período de muita apostasia e abandono da fé, onde as doutrinas humanas e demoníacas são difundidas através da mídia e dos meios de comunicação. Por isso, nestes tempos pós-modernos, Deus está à “procura” de homens corajosos como Elias e Eliseu, para refutar os falsos ensinos de hereges e falsos profetas, anunciando ousadamente a Palavra de Deus na unção do Espírito Santo.
REFERÊNCIAS
• Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
• DILLARD, Raymond B. Fé em face da apostasia. CULTURA CRISTÃ.
• ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
Publicado no site RBC1. - Assembleia de Deus - Recife - PE
LIÇÃO Nº 3 – A LONGA SECA SOBRE ISRAEL
Os três anos e seis meses de seca sobre Israel revelaram a divindade do Senhor não só para Israel mas para o próprio profeta Elias.
INTRODUÇÃO
- Na sequência de estudos sobre Elias e Eliseu, hoje estudaremos a seca de três anos e seis meses que foi
profetizada por Elias quando de sua aparição.
- Neste período, Deus revelou-Se não só a Israel mas também ao profeta Elias como sendo o único e
verdadeiro Deus, Aquele que tem absoluto controle sobre a natureza.
I – ELIAS ANUNCIA A SECA SOBRE ISRAEL
- Continuamos o estudo dos ministérios dos profetas Elias e Eliseu e, na presente lição, estudaremos o período de três anos e seis meses em que não choveu sobre Israel conforme o dito do profeta Elias no instante em que surgiu perante o povo de Israel e proferiu a sua palavra (I Rs.17:1).
- Conforme vimos na lição anterior, o profeta Elias apresentou-se ao rei Acabe e anunciou que não iria
chover nem cairia orvalho enquanto ele não proferisse uma nova palavra neste sentido. Em outras
palavras: o profeta anunciava que “estava fechando o céu até segunda ordem”.
- Esta afirmação de Elias não era fruto de sua simples imaginação ou vontade. Quando lemos a epístola
de Tiago, somos informados de que este gesto do profeta foi efeito de um pedido seu ao Senhor. Com efeito, antes de anunciar publicamente a falta de chuva e de orvalho, o profeta havia pedido a Deus que isto
fosse feito (Tg.5:17).
- Elias, ao se apresentar ao rei, disse que era alguém que estava “perante a face do Senhor”, ou seja,
identificou-se como um servo de Deus, como um homem que gozava plena comunhão com o Senhor, um
homem, como vimos na lição anterior, que prezava pela oração e pela meditação nas Escrituras, vivendo, com consequência disto, em “isolamento profético”, ou seja, distante de toda a apostasia espiritual que
experimentava a sua nação.
- Inconformado com os rumos seguidos por Israel, o profeta, zeloso que era não só de sua vida espiritual mas do próprio povo, iniciou seu pedido a Deus para que fosse impedida a chuva e o orvalho sobre a nação, a fim de que o povo compreendesse que só o Senhor era o úninico e verdadeiro Deus, não passando de mentira a ideia de que a natureza era controlada por Baal, a divindade cuja adoração se tornara oficial com a vinda de Jezabel a Israel.
- O pedido do profeta, portanto, visava única e exclusivamente a glória do Senhor, tinha como objetivo
fazer o povo despertar para a realidade de que 0 Senhor era o único e verdadeiro Deus, e isto, segundo pensou o profeta, seria demonstrado quando o Senhor, num gesto público, determinasse que não mais se chovesse ou caísse orvalho durante “anos”. Assim, o povo, em sua adoração a Baal, veria que não era Baal, mas, sim, o Senhor quem controlava a natureza.
- O profeta, ao fazer tal pedido, demonstrava a sua plena confiança em Deus. Sabia, tinha convicção de
que o único Deus era o Senhor e que, portanto, era o Senhor e não Baal quem tinha controle sobre a natureza, sobre o ciclo das águas, criação sua que era. Tinha ele plena certeza de que todas as coisas tinham sido criadas pelo Senhor (Gn.1:1) e que os ídolos nada significavam, nada eram (I Co.8:4), pois o único Autoexistente era o Senhor, que, aliás, desta forma Se identificara para Moisés (Ex.3:14).
- Nos dias em que vivemos, não pode ser diferente. Todos os que estão em comunhão com o Senhor têm de ter esta mesma convicção, esta mesma certeza de que só o Senhor é Deus, que só Ele é a Verdade (Jr.10:10), nada significando, nada sendo tudo quanto tem sido inventado pelo homem, inclusive na falsamente chamada ciência (I Tm.6:20).
- Vivemos dias em que, a exemplo do que ocorria nos dias de Elias, em que as invencionices da mitologia
fenícia adquiria ares de “verdade” para o povo de Israel, também muitas outras criações da imaginação
humana têm sido adotadas pelos que cristãos se dizem ser como sendo “verdades”, apesar de serem
frontalmente contrárias ao que ensina a Bíblia Sagrada, esta, sim, a única verdade absoluta existente
(Jo.17:17).
- A exemplo de Elias, temos de confiar naquilo que diz o Senhor, naquilo que Ele revelou em Sua Palavra, não nos deixando abalar pelas ideologias e pensamentos trazidos por incrédulos e que têm sido, lamentavelmente, acolhidos e assumidos por muitos que cristãos se dizem ser. Deus é a verdade, Sua Palavra é a verdade e somente na verdade é que devemos confiar e crer. Lembremos do que diz o apóstolo Paulo: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” (II Co.13:8).
- Assim é que, nos dias em que vivemos, há aqueles que não mais creem que Deus criou todas as coisas,
influenciados que estão pela teoria evolucionista. Há, também, aqueles que já não mais creem que Deus criou homem e mulher, admitindo a existências de “outros gêneros” (não usam sequer a palavra “sexo”, que também foi abolida por estes inventores de males), assumindo assim as “histórias da carochinha” trazidas pelo movimento homossexual. Já há, mesmo, aqueles que não creem sequer na verdade, renegando a própria inspiração divina da Bíblia Sagrada, fazendo coro aos adeptos do relativismo moral e ético. Irmãos amados, sejamos como Elias, crendo e confiando única e exclusivamente no Senhor!
- Elias pediu ao Senhor que lhe fosse permitido “fechar os céus” e o Senhor o permitiu e, então, o profeta, sem qualquer titubeio, apresenta-se ao rei Acabe e anuncia que “segundo a sua palavra”, não choveria nem cairia orvalho em Israel “durante anos”.
- Nestas palavras do profeta Elias, temos algumas informações importantíssimas. A primeira é que todo o
anúncio se iniciou com uma glorificação ao Senhor; “Vive o Senhor, Deus de Israel”. Ao contrário do que
dizem os triunfalistas, que gostam de mostrar esta passagem como uma “prova” de que o servo de Deus tem
“direitos” e “superpoderes”, o fato é que o profeta Elias surge glorificando a Deus.
- Elias faz questão de que suas primeiras palavras sejam de adoração ao Senhor, chamado por ele de “o
Senhor, Deus de Israel”. Elias, assim, de pronto, rejeita a ideia de que havia mais de um deus, como estava a crer o povo israelita que adorava tanto ao Senhor quanto a Baal, além de Asera. Elias rejeitava, assim, o
politeísmo e identificava ao Senhor como o único e verdadeiro Deus.
- Fosse nos dias de hoje, certamente Elias seria chamado de “intolerante” ou “fundamentalista religioso”. Com efeito, nos dias difíceis em que vivemos, dizer que Jesus é Deus, dizer que só há um Deus e que a salvação se faz somente por intermédio de Jesus Cristo soa como sendo “intolerância religiosa”, “fundamentalismo religioso”.
- No entanto, os verdadeiros servos do Senhor não podem, em absoluto, abrir mão desta verdade. Somente há salvação na pessoa bendita de Cristo Jesus. Só Jesus salva e não é senão mentira satânica dizer que “todos os caminhos levam a Deus”. Este pensamento, que é um nítido princípio da Nova Era, este movimento filosóficoreligioso que prepara o caminho para o Anticristo e seu Falso Profeta, tem, infelizmente, deturpado a mentalidade de muitos que cristãos se dizem ser.
- Se aceitarmos a ideia de que pode haver salvação fora de Jesus, deixamos de ser cristãos. Se dissermos que não é importante reconhecer Jesus como Deus, também estavam a negar a fé cristã. Isto é fundamental para que nos identifiquemos como parte da Igreja, deste povo que irá morar no céu com o Senhor.
- Elias não negou o seu Senhor. Declarou, em alto e bom som, que o único e verdadeiro Deus era o Deus de Israel, era o Senhor, a quem ele dava a devida e indispensável adoração. Temos agido assim em nossa vida pública, em nossa vida social, em convívio com as demais pessoas? Pensemos nisto!
- Mas, além de dizer que o Senhor era o único Deus, Elias, ainda, confessou que estava “perante a face do
Senhor”, ou seja, fez uma profissão de fé, declarou publicamente a sua comunhão com o Senhor. Não só
o Senhor era o único e verdadeiro Deus, como Elias se apresentou como um servo de Deus, como um homem de Deus, o que, naquele tempo, significava também declarar ser um profeta.
- Elias apresentou-se a Acabe como um servo do Senhor, como um profeta de Deus. Isto significava, por
primeiro, que Elias fez questão de dizer que estava contra a maré, “nadando contra a corrente”, “fora da
moda”, pois, nos dias de Acabe, o que trazia “status”, o que contribuía para a aceitação era ser “profeta de
Baal” ou “profeta de Asera”.
- Elias confessou que servia a Deus e que tinha comunhão com Ele, que não se deixara seduzir pelo poder real, que não estava entre aqueles que “estavam por cima”, que desfrutavam das benesses do rei e de sua mulher. Elias “não queria levar vantagem” com a situação.
- Elias não quis o “galardão da injustiça” como Balaão (II Pe.2:15), mas, antes, mostrou sua fidelidade para
com o Senhor, mesmo que isto lhe trouxesse problemas e até risco de vida, como, aliás, acabou ocorrendo.
- Nos dias em que vivemos, poucos são os que agem como Elias. No momento em que devem declinar a sua fé em Deus, devem identificar-se como servos do Senhor, renunciando a todas as “vantagens” de se comportar como qualquer incrédulo, negam vergonhosamente o seu Senhor, preferindo sufocar a sua salvação a se manter fiel e leal ao Senhor. Será que temos agido desta maneira, amados irmãos? Será que temos nos comprometido com o mundo para não nos comprometermos com o Senhor?
- Elias poderia, muito bem, apenas declarar “Assim diz o Senhor”, como tantos profetas, mas preferiu dizer
“Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou”. Comprometeu-se com Deus, fez questão de mostrar que tinha comunhão com o Senhor, que o que fazia, fazia por orientação e direção do Senhor.
- É esta a atitude que o Senhor exige de cada um de nós. Certa feita, o Senhor Jesus disse que quem lança sua mão ao arado e olha para trás é inapto para o reino de Deus (Lc.9:62), bem como que só aquele que perseverar até o fim será salvo (Mt.24:13), pensamento que é complementado pelo escritor aos hebreus que disse que o Senhor não tem prazer naquele que recua, pois recuar é retirar-se para a perdição (Hb.10:38,39). Temos de correr com paciência a carreira que nos está proposta (Hb.12:1) até que a terminemos, como fez o apóstolo Paulo (II Tm.4:7). Temos feito isto?
- Outro ponto importantíssimo que a declaração do profeta nos mostra é que Elias, mostrando que agia
debaixo da orientação divina e não como um “supercrente”, apenas afirmou que não choveria nem cairia
orvalho “durante anos”, ou seja, não estipulou o tempo da seca, sabendo apenas que seria mais de um ano,
tempo mínimo necessário para se mostrar que o ciclo das estações não estava sob o controle de Baal, mas, sim, do Senhor.
- Elias sabia que Deus era o Senhor e, portanto, o tempo de duração da seca era algo que estava sob a
exclusiva vontade soberana de Deus. Elias sabia, de acordo com o seu pedido, que este período tinha de ser superior a um ano, mas quanto tempo duraria não era de sua alçada, mas, sim, de Deus.
- Elias não ultrapassou os limites da soberania divina, nem poderia fazê-lo como um fiel servo do Senhor,
alguém que sabe exatamente qual é o seu lugar, qual seja, o de servo. Tem-se aqui, pois, o total descabimento de se apontar a presente passagem como “prova” do pensamento triunfalista hoje tão em voga entre muitos que cristãos se dizem ser. Jamais podemos deixar Deus à nossa vontade, mas, sim, devemos sempre fazer a vontade de Deus. Lembremos disto!
- É importante observar que a declaração de Elias, muito provavelmente, não causou nenhum temor ou
preocupação para o rei Acabe. Elias era um desconhecido, de aspecto estranho (seus trajes eram bem
diferentes, como dissemos na lição anterior). Ao declarar que não haveria chuva nem orvalho “durante anos”, contrariou todo o pensamento do culto a Baal, então prevalecente, de sorte que foi tido como um “louco varrido”, um inconsequente. Somente o futuro diria que o profeta havia dito a verdade…- Pouco importa se o que diz a Igreja ao mundo parece ser “tolice”, “loucura” ou coisas desta natureza. O fato
é que o que a Igreja afirma é a verdade e isto se demonstrará ao passar dos anos, ao longo da história. Não
esperemos o reconhecimento ou o assentimento do mundo para que pronunciemos o que o Senhor revela em Sua Palavra. Façamos a nossa parte, que é pregar o Evangelho, que é proclamar a verdade, quer o mundo ouça ou deixe de ouvir (Ez.2:5,7; 3:11).
II – ELIAS É SUSTENTADO PELOS CORVOS
- Depois de sua intensa e abrupta declaração, o profeta Elias sai de cena. Temos aqui mais uma
importante lição, qual seja, a de que, em nossas vidas, não devemos aparecer, mas, sim, fazer com que Cristo apareça em nós.
- Uma das características do servo de Deus é que ele é um instrumento para a glorificação do nome do Senhor, ou seja, vive neste mundo em função de glorificar o nome do Senhor e de fazer com que os outros homens também o façam. Foi isso que o Senhor Jesus deixou claro ao dizer que somos a luz do mundo, para que, em resplandecendo nossa luz, os homens glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).
- Quando temos a consciência de que nossa razão de viver sobre a face da Terra é a glorificação do nome do Senhor, não queremos, em absoluto, receber qualquer glória, pois sabemos que a glória pertence única e
exclusivamente ao Senhor, que não a reparte com pessoa alguma (Is.42:8).
- O Senhor Jesus, sendo Deus, ao Se fazer homem, despiu-Se de Sua glória e fez questão de afirmar que veio ao mundo única e exclusivamente para glorificar o Pai (Jo.17:4), negando-Se a receber a glória dos homens (Jo.5:41), exemplo que foi seguido pelo apóstolo Paulo (I Ts.2:6).
- Na única vez em que o Senhor Jesus, em Seu ministério terreno, deixou revelar a Sua glória, fê-lo no monte, apenas para três de Seus discípulos, tendo como uma das testemunhas o próprio profeta Elias (Mt.17:1-3; Lc.9:28-30), a comprovar, portanto, que somente verá a glória de Deus aqueles que, neste mundo, souberem glorificar ao Senhor.
- Por isso, vemos, com tristeza, uma tendência atual nas igrejas locais à glorificação de homens, a uma busca
de “reconhecimentos”, de “louvores”, o que contraria frontalmente o que estatui a Bíblia Sagrada a respeito e que temos, em Elias, um grande exemplo.
- O profeta não quis ser ter os holofotes do povo, nem tampouco demonstrar a veracidade de suas palavras
que, como dissemos, não deve ter gerado credibilidade no momento em que foram proferidas. Não quis “mostrar” que estava com a verdade, que era um homem de Deus. Nada disso! O profeta simplesmente sai de cena, porque seguia a direção e orientação do Senhor.
- O Senhor mandou o profeta para o ribeiro de Querite, que estava diante do Jordão. Este ribeiro era,
muito provavelmente, bem conhecido do profeta, porque ficava na região de Gileade, a região de sua origem. “…Um local proposto é o wadi Kelt, um riacho de águas revoltas que deságua no vale do Jordão. Porém, a expressão bíblica ‘fronteira ao Jordão’ parece dar a entender que esse ribeiro ficava a leste daquele lugar, bem como na própria terra nativa de Elias, Gileade. Nesse caso, o wadi Yabis, defronte de Bete-Seã, parece ser a identificação mais provável.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Querite: In:Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.529).
- O Senhor, portanto, manda o profeta para a mesma região de sua procedência, algo que seria impensável para quem havia sido comissionado por Deus para combater a apostasia espiritual e havia tido a permissão divina para “fechar os céus” e dizer isto diretamente ao rei.
- Entretanto, humilde e obedientemente, Elias retornou à sua região de origem, para ficar à margem de um
ribeiro, em completo anonimato, longe dos “holofotes”, porque Deus assim o determinou. Temos feito isso?
Temos obedecido à voz de Deus mesmo quando parece que “estamos andando para trás”?
- O propósito de Elias era tão somente o engrandecimento do nome do Senhor. Embora lhe tenha sido dada a permissão de “fechar os céus”, o profeta não se deslumbrou com isso, mas se manteve como humilde e
obediente servo de Deus, fazendo a Sua vontade acima de tudo.
- O Senhor disse que Elias deveria ir para o ribeiro porque ali teria água para sua sobrevivência, o que, aliás, era algo importante, já que, diante da palavra do profeta, a água se tornaria escassa. No entanto, não nos esqueçamos, o ribeiro de Querite era um “wadi”, ou seja, um rio temporário, um rio que somente existe em algumas épocas, a época das chuvas. Ora, se haveria de parar de chover, não seria apropriado que fosse para um lugar de águas perenes? Elias, porém, não questionou ao Senhor, sabendo que Ele é o Criador de todas as coisas e poderia abastecê-lo como estava a dizer.
- É importante observar que, durante um período que a Bíblia não precisa, Elias realmente bebeu do ribeiro,
mas o ribeiro foi secando pouco a pouco. Elias notava, certamente, a cada dia a diminuição do volume de água do ribeiro, mas jamais questionou o Senhor a respeito. Confiava plenamente em Deus, sabia que tinha de beber daquele ribeiro e que, apesar de ele estar diminuindo dia após dia, era ali que o Senhor tinha mandado que ele ficasse e era dali que ele deveria beber.
- A confiança de Elias era renovada diariamente, era posta à prova a cada instante, a cada momento. O
ribeiro ia minguando, mas Elias não saía dali, da beira do ribeiro de Querite, porque seguia a direção e
orientação divinas, andava por fé e não por vista. Será que temos agido desta maneira, amados irmãos? Ou
será que, diante da diminuição do volume das águas daquele rio temporário, já teríamos zarpado e ido para
outros lugares, como à beira do Jordão, o único rio perene da Palestina?
- Assim como Elias, devemos confiar inteiramente no Senhor, apesar de as aparências indicarem que, dia após dia, não faz sentido esta nossa obediência ao Senhor. Não podemos julgar segundo as aparências, mas, sim, temos de julgar segundo a reta justiça (Jo.7:24). Temos de andar por fé e não por vista (II Co.5:17). Temos agido desta maneira, amados irmãos?
- Mas, embora já fosse um exercício de fé, retirar-se para a beira de um rio temporário, a segunda parte da
ordem divina mostra muito bem como Elias era um homem obediente ao Senhor. Deus, na Sua ordem ao
profeta, ainda o avisou que Ele tinha ordenado que “corvos” o sustentassem (I Rs.17:4).
- Quando a Bíblia fala em “corvo”, temos aqui a palavra hebraica “ ‘oreb” (ערב), cujo significado é mesmo de “corvo”, ou seja, um ave que, desde o início, estava associada à impureza, tanto que foi um corvo a ave que deu más notícias para Noé (Gn.8:7). O corvo é uma ave que se alimenta de carniça e, como tal, era tida na lei de Moisés como uma ave imunda (Lv.11:15).
- Ao receber a ordem para ir ao Querite, onde seria sustentado por corvos, o profeta Elias bem poderia dizer como, séculos mais tarde, disse o apóstolo Pedro: “de modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda” (At.10:14). Entretanto, o profeta não estava ali para questionar o Senhor, nem tampouco para entender a ordem dada por Deus.
- Já era um contrassenso o profeta receber uma ordem para ir a um lugar onde seria sustentado por animais e, além disso, seria sustentado por aves imundas? Como entender uma ordem dessas? Não seria melhor
questionar o Senhor? Não, não e não! Elias havia dito que confiava em Deus, havia anunciado publicamente
aos homens que não choveria nem cairia orvalho porque confiava em Deus e, portanto, nada tinha que fazer
senão obedecer a este mesmo Deus.
- Será que temos esta mesma atitude quando o Senhor nos manda fazer coisas que, pela nossa razão, pelos
nossos costumes religiosos, entendemos ser irrazoável e impertinente? Será que mostramos que confiamos em Deus ou preferimos questioná-l’O? Pensemos nisto!
- O saudoso pastor Walter Marques de Melo (1933-2012) costumava relatar uma experiência que tinha tido com o Senhor a respeito desta passagem bíblica. Intrigado e inconformado porque o Senhor mandara aves imundas sustentar Elias, o querido irmão passou tempos questionando o Senhor a respeito disto. Um certo dia, o Senhor lhe trouxe a resposta, dizendo que a ave, por certo, era impura mas o alimento dado ao profeta era limpo e cerimonialmente puro (pão e carne). Assim como o Senhor fez com aqueles corvos, também, nos dias hodiernos, manda muitos pregarem a mensagem genuína e autêntica da Palavra, embora tais mensageiros, a exemplo dos corvos, sejam imundos aos olhos do Senhor. No final desta experiência, o Senhor repreendeu o nosso saudoso irmão, advertindo-o para que continuasse a pregar o Evangelho puro mas que se cuidasse para que não fosse mais um corvo. Temos mantido a nossa pureza ou somos corvos, aves imundas, que levam alimento puro às almas?
- Elias, mesmo sabendo que os corvos eram aves imundas, que era irrazoável pensar que seria sustentado por tais animais, não questionou o Senhor e partiu para o Querite, obedecendo a Deus. Faríamos o mesmo?
Pensemos nisto!
- O profeta foi e “fez conforme a palavra do Senhor”. Que exemplo para todos nós! Não devemos
questionar o Senhor, não devemos duvidar do que diz e manda, mas tão somente obedecer-Lhe. Na
obediência, não só teremos o poder de Deus como desfrutaremos deste poder.
- Elias foi habitar junto ao Querite e, para sua surpresa, foi alimentado por corvos que lhe traziam pão e carne
pela manhã, como também pão e carne à noite (I Rs.17:7). Como diz Russell Norman Champlin: “…Essas
aves vorazes, apesar do seu grande apetite, acharam tempo para cuidar do profeta do Senhor. Nisso
encontramos uma lição sobre o infalível e ilimitado suprimento de Deus. O corvo foi destacado para mostrar
como Deus cuida de toda a Sua criação (Lc.12:24)…” (Corvo. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e
Filosofia, v.1, p.936).
- Deus estava a mostrar ao profeta Elias que tinha o controle sobre toda a criação, a ponto de mandar
aves consideradas imundas virem trazer pão e carne duas vezes ao dia ao seu profeta. Deus mostrou ter
absoluto controle sobre a criação, mostrando isto duas vezes ao dia ao profeta para que, pela sua própria
experiência, ele fortificasse a fé que já demonstraram no único e verdadeiro Deus de Israel.
- Ao mesmo tempo que o povo de Israel experimentava que Deus era o único e verdadeiro Senhor de toda a criação, uma vez que passou a não mais chover nem cair orvalho em todo Israel, e isto apesar dos sacrifícios que eram feitos a Baal e que, certamente, se intensificaram a partir da seca, o profeta Elias, também, era fortificado na sua fé, pois passara a experimentar, dia após dia, a Providência Divina.
- A seca era tanto para Israel, quanto para o profeta, uma ocasião não de Deus castigar o Seu povo ou maltratá-lo, mas uma oportunidade que o Senhor dava para mostrar o Seu poder e a Sua existência, como também uma demonstração inequívoca de que Baal nada era, apenas uma invenção da imaginação humana.
- Ainda hoje o Senhor usa das nossas provações, das nossas aflições para provar o Seu poder, para fortificar a nossa fé. Nada há que ocorra na vida de um servo do Senhor que não tenha um propósito de contribuir para o nosso bem (Rm.8:28) e não há bem maior para o homem do que conhecer cada vez mais o seu Deus (Os.6:3; Jo.17:21-23). Conhecimento significa, antes de mais nada, intimidade, comunhão. O desejo de Deus é que entremos em perfeita comunhão com Ele, que formemos com Ele uma unidade, a fim de que sejamos com Ele assim como as Pessoas divinas são entre Si.
- A provação de Elias era diária, pois, ao mesmo tempo em que os corvos vinham alimentá-lo duas vezes ao
dia, o ribeiro ia secando. Não poderia o Deus que fazia vir pão e carne na boca dos corvos duas vezes ao dia, mandar água para o ribeiro que minguava dia após dia? Poderia, evidente que poderia, mas não era assim que Deus queria que se fizesse. Elias não questionava nem se desesperava com a diminuição de volume daquele wadi, mas, tão somente, vivia a cada dia o seu mal.
- É esta disposição que o Senhor exige de cada um de nós. Não devemos ser pessoas que sejam extremamente preocupadas com o futuro. Não devemos viver ansiosamente, com verdadeiro pavor e paúra com relação ao dia de amanhã.
- É certo que temos de ser previdentes, pois sabemos que há tanto o dia da prosperidade, quanto o dia da
adversidade (Ec.7:14), mas esta previdência não pode se traduzir numa obsessão, numa tentativa de resolver todas as questões do futuro a partir de agora, como se vivêssemos independentemente de Deus.
- A grande lição que Deus estava a dar para o profeta Elias era a de que devemos depender única e
exclusivamente do Senhor. Se só o Senhor é Deus, se Ele era o Criador e sustentador de todas as coisas,
sendo uma loucura atribuir-se algo a Baal, o profeta deveria provar que assim pensava sabendo que Deus há de cuidar de cada um dos Seus.
- Jesus deixou-nos esta lição no sermão do monte. Mandou que olhássemos como Deus cuida e sustenta a cada criatura Sua, a começar das aves, que não plantam, não semeiam, nem segam, mas que são alimentadas dia após dia pelo Senhor. Ora, se Deus assim faz com criaturas inferiores ao homem, coroa da criação terrena, não irá também cuidar de nós?
- Infelizmente, nossa confiança em Deus é tão pequena que, apesar desta prova diária do cuidado de Deus com a Sua criação, não temos a necessária e indispensável confiança no Senhor e ficamos a correr atrás das coisas terrenas, com vistas a um futuro digno tanto nosso quanto de nossa família. No entanto, o que o Senhor nos manda é correr atrás do reino de Deus e de sua justiça, pois TODAS estas coisas nos serão acrescentadas (Mt.6:33).
- Realçamos o pronome “todas”, porque há pessoas que, inadvertidamente, dizem que “as demais coisas nos serão acrescentadas”, mas o Senhor não promete acrescentar apenas as “demais coisas”, mas, sim, “todas as coisas desta vida”. Tudo o que é há neste mundo, o comer, o beber e o vestir são apenas “acréscimos” daquilo que muito mais sublime no ser humano, que é a busca de uma vida de comunhão com o Senhor
- Elias experimentou esta Providência Divina, foi sustentado diariamente pelo Senhor, impossibilitado que
estava de trabalhar. Nem sabia que estava sendo escondido por Deus, pois o rei Acabe, quando percebeu que, realmente, a palavra do profeta estava se cumprindo, mandou que o fossem buscar em todo o mundo (cf. I Rs.18:10). Precisava o profeta desta experiência para que, fortificado na fé, pudesse ser usado por Deus para dar um grande golpe no culto a Baal em Israel.
- Tudo quanto sucede em nossas vidas é para que adquiramos a capacitação necessária para que cumpramos a vocação divina em nossas vidas. Deus não apenas chama, não apenas vocaciona, mas cria as condições para que possamos ter o necessário desenvolvimento para que cumpramos a missão a nós confiada. Por isso, não reclamemos do diminuir do volume das águas do Querite, nem com o fato de que somos sustentados dia após dia, mas simplesmente fiquemos no lugar e na forma determinados pelo Senhor, pois, assim agindo, alcançaremos a vitória e a necessária capacitação.
- Elias permaneceu à beira do Querite até que Deus o mandou sair dali. “Passados dias, o ribeiro se secou,
porque não tinha havido chuva sobre a terra” (I Rs.17:7). A palavra do profeta também o havia apanhado. Ele não estava imune da sua própria profecia.
- Elias aprendeu, então, que a palavra que havia proferido era palavra de Deus e não do homem e, como Deus não faz acepção de pessoas, nem o profeta havia escapado desta sentença. Havia parado de chover e de cair orvalho sobre a terra, conforme a palavra do profeta, e, por isso, o ribeiro se secou. Não poderia Deus deixar o ribeiro com água? Lógico que sim! Mas o Senhor queria mostrar a Elias que Ele era soberano e que todas as criaturas estavam debaixo da Sua soberania, inclusive o próprio profeta.
- Elias aprendeu que toda a criação estava sob as ordens de Deus, a ponto de corvos virem alimentá-lo, mas também aprendeu que também ele, profeta, estava debaixo das ordens divinas, tanto que a palavra que
proferira se cumprira inclusive no ribeiro de Querite.
III – ELIAS E OS SERVOS DO SENHOR SÃO GUARDADOS POR DEUS
- Depois da experiência do Querite, o Senhor ainda daria outras lições a Elias pois o mandou a Sarepta de
Sidom, para ali ser sustentado por uma viúva, mas tal assunto é própria de uma lição específica, motivo pelo
qual dele não falaremos aqui.
- Enquanto Elias era ensinado na “escola do Querite”, a seca avançava sobre todo Israel e até fora de
Israel, pois, como vimos na lição anterior, esta seca foi inclusive mencionada por historiadores que contaram a história de Sidom e de seu rei Etbaal, como nos dá conta Flávio Josefo em suas Antiguidades Judaicas.
- Quando o rei Acabe percebeu que a palavra de Elias estava se cumprindo, mandou que o profeta fosse
“caçado” em todo o mundo (I Rs.18:10), pois, certamente, queria obrigar o profeta a pedir que chovesse e
caísse orvalho sobre Israel, consoante a palavra que proferira quando se apresentara ao rei.
- No entanto, Elias estava escondido por Deus e, quando Deus esconde, ninguém acha, nem mesmo o diabo, como podemos ver, por exemplo, no caso da sepultura de Moisés (Dt.34:6; Jd.9). Elias estava na sua região de origem, mas o rei não conseguiu encontrá-lo. Deus mostrou, assim, que tem o absoluto controle de todas as coisas.
- O Senhor continua a esconder o Seu povo nos dias de hoje. A Bíblia diz que nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Cl.3:3), porque morremos para o mundo e vivemos agora para Deus.
- Elias foi escondido por Deus porque havia morrido para o mundo, havia se mantido em “isolamento
profético”, ou seja, não havia se comprometido com o pecado do povo, tendo preferido ficar em comunhão
com o Senhor.
- Quando também nos mantemos em comunhão com o Senhor Jesus, apartando-nos do pecado e do mundo, alcançamos também este estado e somos escondidos com Cristo em Deus. Isto não quer dizer que não podemos ser atingidos pelo mal, que não venhamos a sofrer, mas, sim, que tudo que acontecer será para o nosso bem e, de modo algum, seremos impedidos de nos manter em comunhão com o Senhor. O Senhor Jesus foi bem claro ao afirmar que ninguém pode nos arrebatar da Sua mão (Jo.10:28).
- Nada pode abalar a nossa fé em Deus, nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus
nosso Senhor (Rm.8:35-39), se estivermos com o Senhor Jesus, se estivermos em comunhão com Ele.
- Elias, depois de toda a sua experiência, e ainda antes de se apresentar ao rei, teve de ter conhecimento,
através de Obadias, que havia sido mantido escondido por Deus, que havia recebido um livramento de que
não tinha tido a menor consciência durante os dias em que esteve tanto à beira do Querite, quanto em Sarepta de Sidom.
- Devemos, amados irmãos, observar que isto ainda ocorre em nossos dias. Não temos conhecimento dos
muitos livramentos que o Senhor nos dá, impedindo que o nosso inimigo nos atinja, quando estamos a fazer a vontade de Deus em nossas vidas. Alguma coisa o Senhor nos faz saber, mas muito do que Ele faz somente na eternidade teremos conhecimento, se é que conheceremos algum dia. Por isso, sejamos sempre gratos ao Senhor pelos muitos benefícios que nos tem feito.
- Mas, ao mesmo tempo em que Acabe mandou procurar Elias, ao notar que a profecia dele estava se
cumprindo, o rei não titubeou em fazer a vontade de Jezabel, que quis destruir os profetas do Senhor (I
Rs.18:4).
- Diante da constatação de que a palavra de Elias estava se cumprindo, em vez de se humilhar e reconhecer
que o Senhor, e só Ele, era Deus, Acabe e Jezabel preferiram destruir os profetas do Senhor. Sabedores de que Elias era ligado às escolas dos profetas, iniciou-se a perseguição contra os fiéis e denodados servos do Senhor que ainda existiam em Israel.
- A apostasia espiritual sempre traz consigo a perseguição aos genuínos e autênticos servos do Senhor. A
simples presença de um servo de Deus incomoda aqueles que se desviaram espiritualmente, incomoda aqueles que creem na mentira em vez de crer na verdade e, por isso, até porque tais pessoas são instrumentos do diabo, cujo papel é matar, roubar e destruir (Jo.10:10), não demora muito para que os servos de Deus sejam perseguidos e mortos.
- No entanto, Elias, que de tudo estava alheio durante o período da seca, fica também sabendo, por intermédio de Obadias, que Deus não só o protegeu, mas também a cem profetas, sustentando-os em duas covas com pão e água durante todo o período da estiagem.
- Elias deve ter se impressionado, pois Obadias era nem mais nem menos que o próprio mordomo do rei (I
Rs.18:3), pessoa que exercia cargo de confiança e que estava no próprio palácio real, mas que, mesmo assim, sem que fosse descoberto conseguiu alimentar cem homens durante o período da estiagem com pão e água.
- Para Elias, Deus usou de corvos e de um ribeiro; para os demais profetas, usou do próprio mordomo
do rei. Que Deus maravilhoso, que Deus soberano, que Deus que age e ninguém pode impedir (Is.43:13 “in
fine”)! O Deus de Elias é o nosso Deus!
- Vemos aqui, aliás, como não era o distanciamento físico de Elias que o tornava um homem de Deus, um
servo obediente do Senhor. Obadias estava em pleno palácio de Acabe e de Jezabel, ocupava uma importante posição na corte, mas, nem por isso, deixou-se contaminar com o culto a Baal e com a apostasia espiritual, sendo, a um só tempo, “mordomo do rei” e um homem que “temia muito ao Senhor”.vemos.
Não adianta querer nos enganar com argumentos para explicar e querer que seja compreendida nossa
mediocridade espiritual. Certamente não havia lugar mais difícil de se servir a Deus do que o palácio de Acabe e de Jezabel naqueles dias e, mesmo assim, Obadias é apontado como um servo que muito temia ao Senhor. Por isso, amados irmãos, sejamos fiéis ao Senhor, sejamos leais à Sua Palavra, deixando de tentar justificar nossas fraquezas pelo ambiente em que o Senhor nos colocou.
IV - O POVO DE ISRAEL PASSA FOME DURANTE A LONGA SECA
- Enquanto Elias e os cem profetas haviam sido devidamente sustentados pelo Senhor durante o período da
estiagem, a Bíblia diz que “a fome era extrema em Samaria” (I Rs.18:2 “in fine”).
- O povo de Israel não teve a mesma sorte dos profetas. Sobre eles, a seca significou fome e sede. Perto do
final dos três anos e meio, nem mesmo os animais do rei tinham erva para se alimentar, de modo que Acabe e Obadias estavam à procura do que pudesse sustentar os cavalos e mulas do rei (I Rs.18:4).
- Os ribeiros temporários, a exemplo do Querite, tinham secado e as fontes de água já estavam a rarear. A
penúria era extrema, pois três anos e seis meses não chovia sobre Israel (cf. Lc.4:25; Tg.5:17). A situação, diznos o Senhor Jesus, era de “grande fome”.
- Por que Deus deixou o povo de Israel passar esta situação? Seria Ele um Deus cruel e sanguinário, despido de misericórdia? Não, não e não! A seca tinha um propósito pedagógico e, pelas mesmas razões pelas quais Deus sustentou Seus profetas, também fez com que o povo de Israel passasse necessidades.
- Elias e os cem profetas do Senhor precisam ser fortificados na fé, tinham de experimentar que o Senhor era o único Deus, que Ele, e não Baal, era quem fornecia a Israel o necessário sustento, quem detinha o controle sobre a natureza.
- O povo de Israel tinha de aprender a mesma coisa, mas, enquanto os profetas já sabiam disso e foram
providos por Deus, de forma milagrosa, para confirmarem esta sua convicção e crença, os israelitas, por sua
vez, tinham de aprender que Deus é quem controla a natureza e não, Baal, e, para tanto, como eles adoravam e faziam sacrifícios a Baal, tinham de entender que Baal nada era, que Baal nada podia fazer contra a palavra proferida por um profeta do Senhor.
- Assim, diante da atitude dos israelitas de adorarem a Baal, em vez de adorarem a Deus, não haveria outra
maneira de eles saberem que Baal nada é mas que Deus era o verdadeiro “EU SOU”, senão passando fome e sede, a fim de que entendessem que os sacrifícios a Baal não tinham condão algum de trazer chuva ou orvalho sobre a face da Terra.
- Enquanto que para os profetas do Senhor, o sustento diário confirmava o que eles já criam, ou seja, que Deus é o Criador e sustentador de Sua criação, para os israelitas, era fundamental eles terem a experiência de que Baal não era o fornecedor de prosperidade como estavam a acreditar.
- Na mitologia fenícia, Baal tinha como inimigo a morte, ou seja, era o deus vinculado à vida. Segundo as
crenças em voga, Baal seria morto na época em que as chuvas cessavam, mas os amigos de Baal ( o Sol,
adorado como deus Shapsh e Asera, mãe de Baal, a deusa da fertilidade) conseguiam devolver-lhe a vida e a terra florescia novamente em virtude da cópula entre Baal e Asera. Para desmistificar esta crença, portanto, era indispensável que, durante mais de um ano, as chuvas não viessem, para mostrar que era mentira que Baal as trazia, mas, sim, que elas eram fruto da bênção do Senhor, o único e verdadeiro Deus.
- O Senhor, portanto, não agira com acepção de pessoas, não privilegiara Seus profetas em detrimento dos
demais israelitas, mas estava a tratar com todos, de forma a que todos pudessem entender quem era Deus e que Ele tinha o controle sobre toda a natureza, que Ele era o Criador e sustentador de todas as coisas.
- Apesar de toda a demonstração que o povo tivera de que Baal não era deus coisa nenhuma, que não tinha
qualquer controle sobre as chuvas e de que a palavra de Elias estava a prevalecer, sem chuva nem orvalho
desde sua declaração, o fato é que ainda o povo ficou a vacilar, ficando em dúvida se Deus e Baal coexistiriam ou se somente o Senhor era Deus (I Rs.18:21).
- Vemos, pois, que toda esta “grande fome” não tinha sido ainda suficiente para que o povo compreendesse
que só o Senhor era Deus e que Baal nada era, apenas fruto da imaginação humana. Notamos, portanto, que Deus não agiu de modo despropositado ou “além da conta” ao mandar a fome extrema sobre Israel com a longa seca.
- Outra observação que devemos fazer é que, durante a longa seca, Elias foi tratado como “o perturbador
de Israel” (I Rs.18:17). Apesar de toda a eloquente demonstração de que o profeta era um profeta do Senhor, tanto que sua palavra estava se cumprindo (cf. Dt.18:21,22) e de que Baal nada significava, pois, por três anos e seis meses não chovia nem caía orvalho sobre a terra, foi muito mais fácil para Acabe e Jezabel espalharem a notícia de que Elias era “o perturbador de Israel”, o responsável por todas as mazelas que estavam acontecendo.
- Nos dias hodiernos não é diferente. Os servos de Deus, em virtude sua maneira piedosa de viver, são também acusados de serem “perturbadores” do mundo atual, de serem os responsáveis pelas inúmeras calamidades que assolam o mundo. Assim, se há guerras, é por causa da “intolerância religiosa”; se há pobreza, é por causa da “intolerância religiosa”; se há infelicidade, é por causa da “intolerância religiosa”.
- Não nos cansamos de ver na mídia centenas e centenas de “estudiosos” que, de uma forma ou de outra,
procuram incriminar os “valores judaico-cristãos” como sendo os responsáveis por todas as mazelas que
existem na humanidade, defendendo, por isso mesmo, “uma nova era”, uma “era pós-cristã” onde seja
“aniquilada a intolerância e o obscurantismo”.
- Contudo, nada disso é verdade. Pelo contrário, as grandes mazelas que acometem a humanidade estão
relacionadas com a prática do pecado e a recusa de os homens crerem em Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Retirado o pecado, o que somente se dá quando cremos em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador de nossas vidas, teremos o fim de toda a sorte de infelicidades, injustiças e maldades que assolam este nosso mundo.
- Por isso, bem agiu Elias ao afirmar a Acabe que não era ele, mas, sim, o rei o “perturbador de Israel”: “Eu
não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e
seguistes a Baalim” (I Rs.18:18).
- Nós temos de ter este mesmo comportamento que teve Elias, qual seja, o de denunciar o pecado e
mostrar aos pecadores a razão de suas infelicidades, angústias e tristezas. Devemos ter a coragem de
confrontar os pecadores com a Palavra de Deus e lhes mostrar que é a prática do pecado que denigre e
corrompe não só a pessoa humana, mas a sociedade como um todo. Temos feito isto?
V – APLICAÇÕES BÍBLICAS DA LONGA SECA SOBRE ISRAEL
- Por fim, cumpre-nos apenas indicar aqui duas aplicações bíblicas a respeito deste período de estiagem
que ocorreu sobre Israel, período este que, não por acaso, atingiu três anos e seis meses (Lc.4:25; Tg.5:17)
- Conforme dissemos anteriormente, para que o Senhor mostrasse que Baal não era Deus, era mister que a seca durasse mais de um ano e, por isso, o profeta Elias proferiu sua mensagem dizendo que a estiagem duraria “anos” (I Rs.17:1).
- Todavia, o Senhor, que nada fez sem propósito (Ec.3:1), estabeleceu que seca duraria três anos e seis meses para que este período fosse uma figura de dois outros períodos em que Deus revelaria todo o Seu controle sobre a natureza não só para Israel mas para todas as nações, períodos estes, entretanto, que também teriam como resposta por parte dos homens a vacilação e, mesmo, a rejeição do Senhor.
- O primeiro destes períodos é o ministério terreno de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que também
durou mais de três anos. Neste período, em que Jesus foi ungido com o Espírito Santo e com virtude, fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo (At.10:36), os Seus não O receberam (Jo.1:11), preferindo um assassino a Jesus chamado o Cristo (Mt.27:17).
- Apesar de todos os sinais e maravilhas apresentados, apesar de todo o poder demonstrado, o povo de Israel rejeitou o Messias, achou-O um “perturbador de Israel” e o matou na cruz do Calvário. Mantiveram-se na fome e na sede espirituais, apesar de toda a Providência Divina.
- O segundo destes períodos é a primeira metade da Grande Tribulação, que também terá três anos e seis
meses. Neste período, Deus irá contender com o Seu povo, mostrando, através dos seis selos mencionados no livro do Apocalipse, que o Anticristo é um falso Messias, não é deus. No entanto, apesar de todas as
evidências, os judeus aceitarão o seu falso testemunho (cf. Jo.5:43) e com ele firmarão um pacto, que será
rompido somente ao final do período, quando o Anticristo profanar o templo reconstruído com sua
aquiescência e apoio (cf. Dn.9:27).
- Também aqui, apesar de toda a demonstração do poder de Deus, inclusive através de dois profetas (as “duas testemunhas” do capítulo 11 de Apocalipse, um dos quais alguns estudiosos da Bíblia entendem ser o próprio Elias), a maior parte dos judeus se manterão em fome e sede espirituais, confiando no falso deus, no falso messias e não no único e verdadeiro Deus.
- - Esta dureza de cerviz do povo de Israel não é motivo para que nós o recriminemos ou nos arroguemos uma justiça superior à dos israelitas. Na verdade, muitos de nós estão a agir de igual modo e com uma agravante. Os israelitas, com exceção dos profetas, não tinham o Espírito Santo neles, agiam mediante a intermediação dos profetas e dos sacerdotes e, durante o período da longa seca, era praticamente impossível consultar um profeta, perseguidos como estavam, escondidos como estavam por Deus.
- Nos dias hodiernos, porém, temos o Espírito Santo em nós (Jo.14:17) e, mesmo assim, tendo sido iluminados pelo Senhor ao aceitar o Evangelho (cf. Hb.6:4), muitos estão a seguir o caminho da apostasia espiritual, a se deixar envolver pelos “cultos a Baal” de nossos dias, a se misturar com o mundo e sua mentalidade pecaminosa.
- Tomemos, pois, cuidado, pois, se assim agirmos, estaremos em situação muito pior da dos israelitas dos dias de Elias, mantendo-nos numa situação de fome e sede espirituais, sem que tenhamos sequer a desculpa de que não pudemos encontrar homens de Deus que nos orientassem ou a quem podíamos consultar. Por isso, amados irmãos, tomemos muito cuidado, pois tudo o que foi escrito para nosso ensino foi escrito (Rm.15:4), a fim de que não venhamos a ter um juízo muito mais rigoroso que aqueles que apostataram da fé naquele tempo. Que Deus nos guarde!
Originalmente publicado pelo Portal Escola Dominical - Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
FESTIVIDADE
COMEÇA HOJE!!!!
8º CONGRESSO DO GRUPO VOZES DE CANAÃ
Preletor: dia 24 - Pr. Dr. Alvaro de Oliveira - Pastor Presidente
dia 25 - Irmã Janete - Congregação Sítio dos Vianas
dia 26. - Irmã Denise - AD do Belém - São Bernardo do Campo - SP
PARTICIPE.
8º CONGRESSO DO GRUPO VOZES DE CANAÃ
Preletor: dia 24 - Pr. Dr. Alvaro de Oliveira - Pastor Presidente
dia 25 - Irmã Janete - Congregação Sítio dos Vianas
dia 26. - Irmã Denise - AD do Belém - São Bernardo do Campo - SP
PARTICIPE.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
LIÇÃO 03 - E B D - 4º TRIMESTRE
LIÇÃO 03 – APRENDENDO COM AS PORTAS DE JERUSALÉM
INTRODUÇÃO
Quando Neemias perguntou a Hanani pelos judeus que restaram do cativeiro, e por Jerusalém, ele lhe
respondeu dizendo: “... os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em
grande miséria e desprezo, e o muro de jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo” [(Ne 1.3)
grifo nosso]. Assim, o grande desafio de Neemias não era apenas edificar os muros de Jerusalém, mas também,
suas portas. Por isso, ele disse ao rei Artaxerxes: “Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o
lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?” [(Ne 2.3)
grifo nosso]. Nesta lição aprenderemos, não apenas sobre as portas de Jerusalém, mas também, o que elas representam para nossa vida espiritual.
I – AS PORTAS NOS TEMPOS BÍBLICOS
A arqueologia nos mostra que as portas dos tempos bíblicos variavam de acordo com a época, o tipo de
construção e as posses do construtor. Geralmente, elas eram feitas de bronze (Sl 107.15,16), de ferro (At
12.10), e de madeira (Ne 3.6).
1.1. As Portas de Jerusalém. O capítulo três do livro de Neemias descreve a edificação dos muros e das portas de Jerusalém. Neste capítulo, percebemos claramente o esforço, entusiasmo e ação conjunta, não só de Neemias, mas de todo o povo para trabalhar, inclusive, sacerdotes (Ne 3.1,21,22,28), mulheres (Ne 3.12), mercadores (Ne 3.31), e ourives (Ne 3.31,32). Apesar das muitas oposições e dificuldades, o povo se empenhou a trabalhar na restauração dos muros, mas também das portas, que impedia a entrada de estranhos, mas, possibilitava o acesso àqueles que eram autorizados. E, por medida de segurança, colocaram também ferrolhos e fechaduras nas portas (Ne 3.3,6,13,14,15).
1.2. A Metáfora das Portas. Porta é uma abertura para entrada e saída. No sentido espiritual, a Bíblia descreve diversos tipos de porta, tais como: a porta da fé, que foi aberta também para os gentios (At 14.27); a porta da oportunidade, para a propagação das boas novas de salvação (I Co 16.9;II Co 2.12); a porta da Palavra, aberta para os pregadores do Evangelho (Cl 4.3). Metaforicamente, podemos dizer que cada pessoa tem uma “porta” de acesso, onde Cristo bate à mesma (Ap 3.20) pedindo permissão para controlar a sua vida e conduzi-la à vida eterna (Jo 10.9). Podemos afirmar também que, cada porta de Jerusalém, fala de um aspecto de nossa vida espiritual.
II – AS PORTAS DE JERUSALÉM
Encontramos no livro de Neemias referência a diversas portas, onde cada uma delas nos ensinam sobre
um aspecto de nossa vida espiritual. Vejamos:
2.1. Porta do Gado (Ne 3.1,32; 12.39). Também chamada de Porta das Ovelhas (ARA), a Porta do Gado era o portão usado para fazer as ovelhas entrarem na cidade em direção ao Templo, para o sacrifício. Foi a primeira porta a ser restaurada, e nela trabalharam o sumo sacerdote Eliasibe e outros sacerdotes. Através desta porta, aprendemos sobre a prioridade da restauração do culto ao Senhor. Não é à toa que a restauração das portas de Jerusalém teve início com esta porta.
2.2. Porta do Peixe (Ne 3.3; 12.39). Possivelmente, esta porta recebe este nome porque através dela entravam os comerciantes de peixe na cidade, onde havia um mercado próximo. Restaurar a Porta do Peixe tem o sentido de restabelecer o compromisso com a Evangelização (Mc 16.15; At 1.8), pois, o próprio Senhor Jesus nos chamou para sermos pescadores de homens (Mt 4.18-20). Mas, há um fato interessante a ser observado: Além de restaurar a porta, os filhos de Hassenaá colocaram também fechaduras e ferrolhos. Isto nos ensina que não basta evangelizar, mas também ensinar (Mt 28.19,20) e fechar as portas para heresias e filosofias humanas.
2.3. Porta Velha (Ne 3.6). Não sabemos ao certo o por quê desse nome. Possivelmente por tratar-se de uma porta muito antiga. Mas, o fato de ser antiga não significa que ela não fosse importante. Por isso, ela também deveria ser restaurada! Restaurar a Porta Velha significa valorizar as coisas antigas, como a Bíblia, por exemplo, que, apesar de ser um livro tão antigo, jamais perdeu o seu valor, pois o tempo não exerce nenhuma influência sobre ela. Ela continua sendo o livro mais lido, mais vendido, mais conhecido e mais traduzido em todo o mundo. Como disse o profeta Isaías “Seca-se a erva, e caem as flores, mas a Palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).
2.4. Porta do Vale (Ne 3.13). Esta porta dava acesso a um vale ao lado oeste de Jerusalém. Foi por ela que
Neemias iniciou e concluiu a inspeção dos muros de Jerusalém, antes de iniciar a reconstrução (Ne 2.1315).
Vale é uma depressão de terra entre lugares elevados, como montes ou montanhas, por exemplo. Restaurar a Porta do Vale significa reconhecer a importância dos vales em nossa vida. Isto porque todos nós nos deparamos com muitos “vales” em nossa jornada rumo ao céu. Porém, o mais importante é saber que Deus está conosco, ainda que estejamos no vale da sombra e da morte (Sl 23.4).
2.5. Porta do Monturo (Ne 3.14). Esta porta era aberta frequentemente para que os moradores levassem o lixo da cidade para ser queimado no vale de Hinon. Restaurar a Porta do Monturo significa dizer que não devemos permitir que o “lixo” deste mundo esteja em nós, pois já fomos lavados, santificados e justificados (I Co 6.11). Isto nos faz lembrar a Santificação Progressiva, que ocorre no nosso dia a dia (Pv 4.18; I Pe 1.15,16).
2.6. Porta da Fonte (Ne 3.15). Esta porta recebe este nome porque dava acesso ao tanque de Siloé, onde,
centenas de anos depois, um cego de nascença lavou-se depois de Jesus untar-lhe lodo nos olhos (Jo 9.15).
Diversos usos figurados podem ser feitos sobre as fontes. Por exemplo: Deus é a fonte de todo o bem (Sl 36.9; Jr 17.13); Tg 1.17); a graça de Deus assemelha-se a uma fonte (Is 41.18; Jl 3.18); bem como a Igreja (Ct 4.18; Is 58.11) e a Bíblia, que é a fonte inesgotável da sabedoria, e é a principal fonte para o ensino, pregação e prática da vida cristã.
2.7. Porta das Águas (Ne 3.26). Esta porta ficava ao lado Oriental do Monte Sião, defronte da casa de Gion. Foi diante dessa porta que Esdras leu o livro da Lei diante de todo o povo, desde a alva até ao meio dia (Ne 8.1-8). A água purifica, refresca, sacia a sede, torna frutífero o estéril e é indispensável à vida humana. Ela é um dos símbolos da Palavra de Deus (Jo 15.3; Ef 5.26) e do Espírito Santo (Jo 3:5; 4:14; 7:38, 39).
2.8. Porta dos Cavalos (Ne 3.28). Esta porta recebe este nome porque ficava próxima ao palácio, e por ela
entravam os cavalos do rei. Foi próximo a esta porta que morreu Jezabel (II Rs 11.16; II Cr 23.15). Na Bíblia Sagrada, o cavalo é símbolo da força; e todos nós necessitamos, muitas vezes, de que as nossas forças sejam renovadas. Restaurar a porta dos cavalos pode significar, então, restaurar a porta de acesso às nossas forças espirituais, que são renovadas pelo Senhor, a nossa força (Is 40.29-31; Sl 22.19; 27.1).
2.9. Porta Oriental (Ne 3.29). O nome desta porta indica que ela ficava ao lado oriental da cidade. Depois que os judeus retornaram do cativeiro, ela passou a ser chamada de Porta do Rei (I Cr 9.17). Oriente é o lugar onde nasce o sol, e simboliza a esperança, o raiar de um novo tempo (Sl 84.11). Restaurar esta porta significa resgatar a esperança a despeito de toda e qualquer adversidade (Jó 14.7; Sl 62.5; Rm 12.12).
2.10. Porta da Guarda (Ne 3.31). Também chamada de Porta de Micfade, esta porta ficava no nordeste de
Jerusalém. Possivelmente, tratava-se de uma torre de vigia onde ficavam os guardas de Israel. Essa porta não poderia deixar de ser restaurada, pois, os inimigos de Neemias, além de tentar impedir a obra (Ne 4.8)
desejavam fazer-lhe mal (Ne 6.2). Por isso Neemias pôs guardas, mesmo durante a construção (Ne 2.21-23). Isto nos ensina sobre a necessidade de uma vida de permanente vigilância na vida espiritual (Mt 26.41; 1 Pe 5.8-9).
CONCLUSÃO
Neemias foi até Jerusalém, não apenas para edificar os muros de Jerusalém, mas também as suas
portas, pois elas seriam o meio de acesso de entrada e saída da cidade. Por isso, seria inútil reconstruir apenas os muros da cidade. Podemos observar nas páginas da Bíblia que cada uma delas recebe um nome, o que nos permite fazer uma aplicação à nossa vida espiritual. Que possamos, então, tal qual Neemias, restaurar as “portas” do culto ao Senhor, da evangelização, da Palavra de Deus, da santificação, da força espiritual e da vigilância.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia Sagrada. CPAD.
BARBER, Cyril. Neemias e a Dinâmica da Liderança Eficaz. Vida.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. O AT Interpretado Versículo por Versículo. Hagnos.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos.
KIDNER, Derek. Esdras e Neemias. Vida Nova.
PACKER, J. I. Neemias Paixão Pela Fidelidade. CPAD.
Fonte: Rede Brasil de Comunicação
INTRODUÇÃO
Quando Neemias perguntou a Hanani pelos judeus que restaram do cativeiro, e por Jerusalém, ele lhe
respondeu dizendo: “... os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em
grande miséria e desprezo, e o muro de jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo” [(Ne 1.3)
grifo nosso]. Assim, o grande desafio de Neemias não era apenas edificar os muros de Jerusalém, mas também,
suas portas. Por isso, ele disse ao rei Artaxerxes: “Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o
lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?” [(Ne 2.3)
grifo nosso]. Nesta lição aprenderemos, não apenas sobre as portas de Jerusalém, mas também, o que elas representam para nossa vida espiritual.
I – AS PORTAS NOS TEMPOS BÍBLICOS
A arqueologia nos mostra que as portas dos tempos bíblicos variavam de acordo com a época, o tipo de
construção e as posses do construtor. Geralmente, elas eram feitas de bronze (Sl 107.15,16), de ferro (At
12.10), e de madeira (Ne 3.6).
1.1. As Portas de Jerusalém. O capítulo três do livro de Neemias descreve a edificação dos muros e das portas de Jerusalém. Neste capítulo, percebemos claramente o esforço, entusiasmo e ação conjunta, não só de Neemias, mas de todo o povo para trabalhar, inclusive, sacerdotes (Ne 3.1,21,22,28), mulheres (Ne 3.12), mercadores (Ne 3.31), e ourives (Ne 3.31,32). Apesar das muitas oposições e dificuldades, o povo se empenhou a trabalhar na restauração dos muros, mas também das portas, que impedia a entrada de estranhos, mas, possibilitava o acesso àqueles que eram autorizados. E, por medida de segurança, colocaram também ferrolhos e fechaduras nas portas (Ne 3.3,6,13,14,15).
1.2. A Metáfora das Portas. Porta é uma abertura para entrada e saída. No sentido espiritual, a Bíblia descreve diversos tipos de porta, tais como: a porta da fé, que foi aberta também para os gentios (At 14.27); a porta da oportunidade, para a propagação das boas novas de salvação (I Co 16.9;II Co 2.12); a porta da Palavra, aberta para os pregadores do Evangelho (Cl 4.3). Metaforicamente, podemos dizer que cada pessoa tem uma “porta” de acesso, onde Cristo bate à mesma (Ap 3.20) pedindo permissão para controlar a sua vida e conduzi-la à vida eterna (Jo 10.9). Podemos afirmar também que, cada porta de Jerusalém, fala de um aspecto de nossa vida espiritual.
II – AS PORTAS DE JERUSALÉM
Encontramos no livro de Neemias referência a diversas portas, onde cada uma delas nos ensinam sobre
um aspecto de nossa vida espiritual. Vejamos:
2.1. Porta do Gado (Ne 3.1,32; 12.39). Também chamada de Porta das Ovelhas (ARA), a Porta do Gado era o portão usado para fazer as ovelhas entrarem na cidade em direção ao Templo, para o sacrifício. Foi a primeira porta a ser restaurada, e nela trabalharam o sumo sacerdote Eliasibe e outros sacerdotes. Através desta porta, aprendemos sobre a prioridade da restauração do culto ao Senhor. Não é à toa que a restauração das portas de Jerusalém teve início com esta porta.
2.2. Porta do Peixe (Ne 3.3; 12.39). Possivelmente, esta porta recebe este nome porque através dela entravam os comerciantes de peixe na cidade, onde havia um mercado próximo. Restaurar a Porta do Peixe tem o sentido de restabelecer o compromisso com a Evangelização (Mc 16.15; At 1.8), pois, o próprio Senhor Jesus nos chamou para sermos pescadores de homens (Mt 4.18-20). Mas, há um fato interessante a ser observado: Além de restaurar a porta, os filhos de Hassenaá colocaram também fechaduras e ferrolhos. Isto nos ensina que não basta evangelizar, mas também ensinar (Mt 28.19,20) e fechar as portas para heresias e filosofias humanas.
2.3. Porta Velha (Ne 3.6). Não sabemos ao certo o por quê desse nome. Possivelmente por tratar-se de uma porta muito antiga. Mas, o fato de ser antiga não significa que ela não fosse importante. Por isso, ela também deveria ser restaurada! Restaurar a Porta Velha significa valorizar as coisas antigas, como a Bíblia, por exemplo, que, apesar de ser um livro tão antigo, jamais perdeu o seu valor, pois o tempo não exerce nenhuma influência sobre ela. Ela continua sendo o livro mais lido, mais vendido, mais conhecido e mais traduzido em todo o mundo. Como disse o profeta Isaías “Seca-se a erva, e caem as flores, mas a Palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).
2.4. Porta do Vale (Ne 3.13). Esta porta dava acesso a um vale ao lado oeste de Jerusalém. Foi por ela que
Neemias iniciou e concluiu a inspeção dos muros de Jerusalém, antes de iniciar a reconstrução (Ne 2.1315).
Vale é uma depressão de terra entre lugares elevados, como montes ou montanhas, por exemplo. Restaurar a Porta do Vale significa reconhecer a importância dos vales em nossa vida. Isto porque todos nós nos deparamos com muitos “vales” em nossa jornada rumo ao céu. Porém, o mais importante é saber que Deus está conosco, ainda que estejamos no vale da sombra e da morte (Sl 23.4).
2.5. Porta do Monturo (Ne 3.14). Esta porta era aberta frequentemente para que os moradores levassem o lixo da cidade para ser queimado no vale de Hinon. Restaurar a Porta do Monturo significa dizer que não devemos permitir que o “lixo” deste mundo esteja em nós, pois já fomos lavados, santificados e justificados (I Co 6.11). Isto nos faz lembrar a Santificação Progressiva, que ocorre no nosso dia a dia (Pv 4.18; I Pe 1.15,16).
2.6. Porta da Fonte (Ne 3.15). Esta porta recebe este nome porque dava acesso ao tanque de Siloé, onde,
centenas de anos depois, um cego de nascença lavou-se depois de Jesus untar-lhe lodo nos olhos (Jo 9.15).
Diversos usos figurados podem ser feitos sobre as fontes. Por exemplo: Deus é a fonte de todo o bem (Sl 36.9; Jr 17.13); Tg 1.17); a graça de Deus assemelha-se a uma fonte (Is 41.18; Jl 3.18); bem como a Igreja (Ct 4.18; Is 58.11) e a Bíblia, que é a fonte inesgotável da sabedoria, e é a principal fonte para o ensino, pregação e prática da vida cristã.
2.7. Porta das Águas (Ne 3.26). Esta porta ficava ao lado Oriental do Monte Sião, defronte da casa de Gion. Foi diante dessa porta que Esdras leu o livro da Lei diante de todo o povo, desde a alva até ao meio dia (Ne 8.1-8). A água purifica, refresca, sacia a sede, torna frutífero o estéril e é indispensável à vida humana. Ela é um dos símbolos da Palavra de Deus (Jo 15.3; Ef 5.26) e do Espírito Santo (Jo 3:5; 4:14; 7:38, 39).
2.8. Porta dos Cavalos (Ne 3.28). Esta porta recebe este nome porque ficava próxima ao palácio, e por ela
entravam os cavalos do rei. Foi próximo a esta porta que morreu Jezabel (II Rs 11.16; II Cr 23.15). Na Bíblia Sagrada, o cavalo é símbolo da força; e todos nós necessitamos, muitas vezes, de que as nossas forças sejam renovadas. Restaurar a porta dos cavalos pode significar, então, restaurar a porta de acesso às nossas forças espirituais, que são renovadas pelo Senhor, a nossa força (Is 40.29-31; Sl 22.19; 27.1).
2.9. Porta Oriental (Ne 3.29). O nome desta porta indica que ela ficava ao lado oriental da cidade. Depois que os judeus retornaram do cativeiro, ela passou a ser chamada de Porta do Rei (I Cr 9.17). Oriente é o lugar onde nasce o sol, e simboliza a esperança, o raiar de um novo tempo (Sl 84.11). Restaurar esta porta significa resgatar a esperança a despeito de toda e qualquer adversidade (Jó 14.7; Sl 62.5; Rm 12.12).
2.10. Porta da Guarda (Ne 3.31). Também chamada de Porta de Micfade, esta porta ficava no nordeste de
Jerusalém. Possivelmente, tratava-se de uma torre de vigia onde ficavam os guardas de Israel. Essa porta não poderia deixar de ser restaurada, pois, os inimigos de Neemias, além de tentar impedir a obra (Ne 4.8)
desejavam fazer-lhe mal (Ne 6.2). Por isso Neemias pôs guardas, mesmo durante a construção (Ne 2.21-23). Isto nos ensina sobre a necessidade de uma vida de permanente vigilância na vida espiritual (Mt 26.41; 1 Pe 5.8-9).
CONCLUSÃO
Neemias foi até Jerusalém, não apenas para edificar os muros de Jerusalém, mas também as suas
portas, pois elas seriam o meio de acesso de entrada e saída da cidade. Por isso, seria inútil reconstruir apenas os muros da cidade. Podemos observar nas páginas da Bíblia que cada uma delas recebe um nome, o que nos permite fazer uma aplicação à nossa vida espiritual. Que possamos, então, tal qual Neemias, restaurar as “portas” do culto ao Senhor, da evangelização, da Palavra de Deus, da santificação, da força espiritual e da vigilância.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia Sagrada. CPAD.
BARBER, Cyril. Neemias e a Dinâmica da Liderança Eficaz. Vida.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. O AT Interpretado Versículo por Versículo. Hagnos.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos.
KIDNER, Derek. Esdras e Neemias. Vida Nova.
PACKER, J. I. Neemias Paixão Pela Fidelidade. CPAD.
Fonte: Rede Brasil de Comunicação
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
LIÇÃO 02 - EBD 4º Trimestre
LIÇÃO 02 – LIDERANÇA EM TEMPOS DE CRISE
INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos um pouco sobre a liderança de Neemias em meio a adversidade e o desafio de
reconstruir Jerusalém. Refletiremos sobre o conceito de liderança, o que é liderança cristã, quais as atitudes quemarcaram a liderança de Neemias e que lições podemos extrair dessas atitudes. Embora tenha vivido na época do AT,
Neemias nos ensina princípios que são aplicáveis à Igreja hodierna.
I – O QUE É LIDERANÇA?
Segundo o dicionário Aurélio, liderança é a função do líder; Capacidade de liderar; espírito de chefia; forma ou denominação baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos. No sentido etimológico, liderança está mais ligada a administração de pessoas ou recursos baseados em uma capacidade técnica ou inata, adquirida ou aprendida para o desenvolvimento e alcance de objetivos por determinado grupo ou empresa.
II – O QUE É LIDERANÇA CRISTÃ?
Segundo o Pr. Antônio Gilberto é a liderança exercida pelo cristão (a pessoa que Deus escolhe, dirige, e
capacita, para administrar a sua obra e o seu povo conduzindo-o como pessoas). Liderança nesse sentido é um dom de Deus concedido a quem ele quer, visando um propósito definido (Jr. 3.15; 23.4; 1 Cor. 12; Ef. 4.7-12); Moisés foi preparado “no Egito e no deserto de Midiã” (At 7.22; Ex. 3.1); Josué foi preparado “através do convívio com Moisés” (Ex. 24.12-14; 33.11; Nm 27.18); Davi foi preparado “cuidando de ovelhas” (1 Sm 16.11; 2 Sm 7.8); Eliseu foi preparado “derramando água nas mão de Elias” (2 Rs 3.11); Timóteo teve em “Paulo uma fonte de inspiração” (At 16.1-3; 2 Tm 1.3-6). Assim também Neemias foi preparado por Deus na corte do rei para a reconstrução de Jerusalém (Ne 1).
III – QUAIS ATITUDES MARCARAM A LIDERANÇA DE NEEMIAS?
De acordo com Lopes (2008, p.41-54), algumas atitudes de Neemias foram decisivas no enfrentamento das
crises. São elas:
3.1. Uma preparação necessária (Ne 2.1) – Nessa atitude aprendemos quatro lições com Neemias:
3.1.1. Neemias sente-se chamado por Deus para realizar o sonho da reconstrução de Jerusalém – o conhecimento da situação do povo o responsabilizou. Ele teve coragem para fazer perguntas e daí surgiu sua vocação (Ne 1.2,3);
3.1.2. Neemias chora, ora e jejua durante quatro meses antes de começar a agir (Ne 1.4) - Antes de sermos usados por Deus, precisamos ser quebrantados (Sl 51.17)
3.1.3. Neemias compreende que a reconstrução passa pela decisão política do rei (Ne. 2.4-8). Mudar a política do rei se constituía uma missão impossível, porém Deus realizou.
3.1.4. Neemias aguarda o tempo certo de agir (Ne 2.11-16) – ele orou durante quatro meses. Intensificou sua oração no dia em que foi falar com o rei (1.11). Ele esperou um dia de festa, em que a rainha estava presente (2.6).
3.2. Uma atitude certa diante dos homens (2.1-9)
3.2.1. Neemias demonstra uma tristeza incomum diante do rei (Ne 2.1) – Neemias era um homem alegre. Mas o problema do povo de Deus era seu problema.
3.2.2. Neemias demonstra sua fidelidade ao rei (Ne 2.3) – Fidelidade é a marca dos homens usados por Deus.
3.2.3. Neemias demonstra tato na abordagem (Ne 2.3) – O rei poderia suspeitar de Neemias de alguma trama ou bani-lo ou mesmo matá-lo, porém Neemias demostra habilidade na condução do problema.
3.2.4. Neemias demonstra clareza em seus propósitos (Ne 2.5) – Os alvos de Neemias eram bem claros. Ele precisava:
1. Que o rei mudasse sua política acerca de Jerusalém;
2. Que fosse enviado pelo rei com a missão de reconstruir Jerusalém;
3. De cartas de recomendação do rei; 4. De provisão para obra; e
5. De proteção para a viagem.
3.3. Uma atitude certa diante de Deus (Ne. 2.4,8b)- Neemias buscou a direção de Deus antes de agir (1.11;2.4) e tributou a Deus o sucesso da causa (2.9).
3.4. Uma atitude certa diante dos inimigos – Os inimigos não tardaram em aparecer. Enquanto Jerusalém estava em ruínas os inimigos estavam quietos. Ao tomarem conhecimento de que Neemias estava reedificando os muros, os inimigos se manifestaram.
3.4.1. Os inimigos (Ne 2.19)
3.4.1.1. Sambalate, o horonita. “Era nome babilônico. Ao que tudo indica, teria habitado na região de Bete-Horon, ao sul de Efraim (Js 10.10; 2 Cr 8,5), sua cidade natal. A única coisa que sabemos com certeza é de que ele tinha algum tipo de poder civil ou militar em Samaria, no serviço ao rei Artaxerxes(Ne 4.2)1.1 R.N.Champlin. O Antigo Testamento Interpretado Vers. por Vers., Dicionário, p. 5229
3.4.1.2. Tobias, o servo amonita. “Provavelmente um oficial do governo persa”[...] “era altamente favorecido pelo sacerdote Eliasibe, que lhe concedeu uma sala para ocupar nas dependências do Templo em Jerusalém”2.
3.4.1.3. Gesém, o arábio. “Seu nome figura exclusivamente no livro de Neemias (2.19; 6.1,2,6). Era árabe, inimigo dos judeus que voltaram do cativeiro babilônico para a Terra Santa. Opunha-se aos desígnios do governo judaico, tomando o como sedicioso e sujeitando-o ao ridículo. Por essa razão, foi que Gesém participou ativamente do conluio de Tobias contra a segurança de Neemias3.
3.4.2. Atitude de Neemias frente aos inimigos – A atitude de Neemias frente aos inimigos nos dá princípios espirituais que podem ser utilizados também nos desafios enfrentados pela Igreja:
3.4.2.1. Neemias examinou a situação (Ne 2.11-16);
3.4.2.2. Demonstrou confiança em Deus (Ne 2.20;4.20);
3.4.2.3. Buscou a Justiça de Deus (Ne 4.4-5);
3.4.2.4. Preparou-se para a batalha (Ne 4.9,13);
3.4.2.5. Animou o povo (Ne 4.14);
3.4.2.6. Manteve-se vigilante (Ne 4.16-18,21-23).
IV – QUAIS AS LIÇÕES QUE EXTRAÍMOS DA LIDERANÇA DE NEEMIAS?
Entre as diversas lições, conforme destaca Andrade (2010, pp.39-49) podemos apresentar duas: A importância do Planejar e Liderar com eficiência.
4.1. A importância de Planejar – A vida de Neemias nos mostra a relevância do planejamento das atitudes a serem tomadas na liderança, isto porque:
4.1.1. Planejar envolve enfrentar o Impossível- Neemias tinha um grande desafio pela frente. O líder deve sempre enfrentar obstáculos.
4.1.2. Planejar envolve prever as necessidades (Ne. 2.7-10); Neemias precisava de cartas para os governadores (v.7), permissão para transitar; carta para Asafe, guarda das matas (v. 8), material para o trabalho e Oficiais do exército (v.9), segurança e credenciamento. O líder sempre se antecipa aos problemas e elenca as necessidades.
4.1.3. Planejar envolve fazer um levantamento cauteloso da situação (v. 11-16) – Neemias não se precipitou para a ação nem para a conversa (v. 11-12); buscou mais informações sobre a situação local (v. 13-15); aguardou o momento certo para agir(v.15); não expôs idéias semiformadas (v. 16) e impediu que os inimigos soubessem dos planos e preservou o despertamento dos líderes locais. O líder sempre enxerga algo que os outros não conseguem, por isso a cautela sempre será uma virtude em sua vida.
4.1.4. Planejar envolve motivar o povo (v. 17-18) “Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem”.
4.2. Liderar com eficiência – A Liderança eficaz de Neemias nos ensina que:
4.2.1. Liderar envolve cooperação – O corpo de Cristo expressa unidade. Em 1 Cor 12.12-27 e Ef. 4.11-16, a unidade gera cooperação, e essa, edificação.
4.2.2. Liderar envolve vocação - Deus não chama a todos à liderança, mas todos são importantes no corpo (1 Cor 12.22);
4.2.3. Liderar envolve delegação – A distribuição e diversidade de serviços no Corpo de Cristo refletem a finalidade para qual cada membro do corpo foi designado, mostrando a distribuição equitativa que visa o aperfeiçoamento (treinar, capacitar) os santos (crentes) para o serviço (Ef. 4.11-12).
CONCLUSÃO
Somente com uma vida pautada na dependência de Deus e compromissados com sua Palavra é que
conseguiremos vencer os grandes desafios que nos deparamos diariamente. Neemias é o exemplo de um líder abnegado, compromissado, intercessor e acima de tudo obediente ao chamado e aos propósitos de Deus.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Geraldo Henrique de. Esdras e Neemias, uma perspectiva de liderança. Editora Cristã Evangélica
BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz, Vida.
GILBERTO, Antônio. Apostila de Seminário de Liderança Cristã.
LOPES, Hernandes Dias. Neemias, um líder que restaurou uma nação, Hagnos
NORMAN. Russel Champlin. Antigo Testamento interpretado versículo por versículo, Candeia.
RENOVATO, Elinaldo,Livro de Neemias, Integridade e Coragem em Tempos de Crise, CPAD.
Fonte: RBC - Lições Biblicas
INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos um pouco sobre a liderança de Neemias em meio a adversidade e o desafio de
reconstruir Jerusalém. Refletiremos sobre o conceito de liderança, o que é liderança cristã, quais as atitudes quemarcaram a liderança de Neemias e que lições podemos extrair dessas atitudes. Embora tenha vivido na época do AT,
Neemias nos ensina princípios que são aplicáveis à Igreja hodierna.
I – O QUE É LIDERANÇA?
Segundo o dicionário Aurélio, liderança é a função do líder; Capacidade de liderar; espírito de chefia; forma ou denominação baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos. No sentido etimológico, liderança está mais ligada a administração de pessoas ou recursos baseados em uma capacidade técnica ou inata, adquirida ou aprendida para o desenvolvimento e alcance de objetivos por determinado grupo ou empresa.
II – O QUE É LIDERANÇA CRISTÃ?
Segundo o Pr. Antônio Gilberto é a liderança exercida pelo cristão (a pessoa que Deus escolhe, dirige, e
capacita, para administrar a sua obra e o seu povo conduzindo-o como pessoas). Liderança nesse sentido é um dom de Deus concedido a quem ele quer, visando um propósito definido (Jr. 3.15; 23.4; 1 Cor. 12; Ef. 4.7-12); Moisés foi preparado “no Egito e no deserto de Midiã” (At 7.22; Ex. 3.1); Josué foi preparado “através do convívio com Moisés” (Ex. 24.12-14; 33.11; Nm 27.18); Davi foi preparado “cuidando de ovelhas” (1 Sm 16.11; 2 Sm 7.8); Eliseu foi preparado “derramando água nas mão de Elias” (2 Rs 3.11); Timóteo teve em “Paulo uma fonte de inspiração” (At 16.1-3; 2 Tm 1.3-6). Assim também Neemias foi preparado por Deus na corte do rei para a reconstrução de Jerusalém (Ne 1).
III – QUAIS ATITUDES MARCARAM A LIDERANÇA DE NEEMIAS?
De acordo com Lopes (2008, p.41-54), algumas atitudes de Neemias foram decisivas no enfrentamento das
crises. São elas:
3.1. Uma preparação necessária (Ne 2.1) – Nessa atitude aprendemos quatro lições com Neemias:
3.1.1. Neemias sente-se chamado por Deus para realizar o sonho da reconstrução de Jerusalém – o conhecimento da situação do povo o responsabilizou. Ele teve coragem para fazer perguntas e daí surgiu sua vocação (Ne 1.2,3);
3.1.2. Neemias chora, ora e jejua durante quatro meses antes de começar a agir (Ne 1.4) - Antes de sermos usados por Deus, precisamos ser quebrantados (Sl 51.17)
3.1.3. Neemias compreende que a reconstrução passa pela decisão política do rei (Ne. 2.4-8). Mudar a política do rei se constituía uma missão impossível, porém Deus realizou.
3.1.4. Neemias aguarda o tempo certo de agir (Ne 2.11-16) – ele orou durante quatro meses. Intensificou sua oração no dia em que foi falar com o rei (1.11). Ele esperou um dia de festa, em que a rainha estava presente (2.6).
3.2. Uma atitude certa diante dos homens (2.1-9)
3.2.1. Neemias demonstra uma tristeza incomum diante do rei (Ne 2.1) – Neemias era um homem alegre. Mas o problema do povo de Deus era seu problema.
3.2.2. Neemias demonstra sua fidelidade ao rei (Ne 2.3) – Fidelidade é a marca dos homens usados por Deus.
3.2.3. Neemias demonstra tato na abordagem (Ne 2.3) – O rei poderia suspeitar de Neemias de alguma trama ou bani-lo ou mesmo matá-lo, porém Neemias demostra habilidade na condução do problema.
3.2.4. Neemias demonstra clareza em seus propósitos (Ne 2.5) – Os alvos de Neemias eram bem claros. Ele precisava:
1. Que o rei mudasse sua política acerca de Jerusalém;
2. Que fosse enviado pelo rei com a missão de reconstruir Jerusalém;
3. De cartas de recomendação do rei; 4. De provisão para obra; e
5. De proteção para a viagem.
3.3. Uma atitude certa diante de Deus (Ne. 2.4,8b)- Neemias buscou a direção de Deus antes de agir (1.11;2.4) e tributou a Deus o sucesso da causa (2.9).
3.4. Uma atitude certa diante dos inimigos – Os inimigos não tardaram em aparecer. Enquanto Jerusalém estava em ruínas os inimigos estavam quietos. Ao tomarem conhecimento de que Neemias estava reedificando os muros, os inimigos se manifestaram.
3.4.1. Os inimigos (Ne 2.19)
3.4.1.1. Sambalate, o horonita. “Era nome babilônico. Ao que tudo indica, teria habitado na região de Bete-Horon, ao sul de Efraim (Js 10.10; 2 Cr 8,5), sua cidade natal. A única coisa que sabemos com certeza é de que ele tinha algum tipo de poder civil ou militar em Samaria, no serviço ao rei Artaxerxes(Ne 4.2)1.1 R.N.Champlin. O Antigo Testamento Interpretado Vers. por Vers., Dicionário, p. 5229
3.4.1.2. Tobias, o servo amonita. “Provavelmente um oficial do governo persa”[...] “era altamente favorecido pelo sacerdote Eliasibe, que lhe concedeu uma sala para ocupar nas dependências do Templo em Jerusalém”2.
3.4.1.3. Gesém, o arábio. “Seu nome figura exclusivamente no livro de Neemias (2.19; 6.1,2,6). Era árabe, inimigo dos judeus que voltaram do cativeiro babilônico para a Terra Santa. Opunha-se aos desígnios do governo judaico, tomando o como sedicioso e sujeitando-o ao ridículo. Por essa razão, foi que Gesém participou ativamente do conluio de Tobias contra a segurança de Neemias3.
3.4.2. Atitude de Neemias frente aos inimigos – A atitude de Neemias frente aos inimigos nos dá princípios espirituais que podem ser utilizados também nos desafios enfrentados pela Igreja:
3.4.2.1. Neemias examinou a situação (Ne 2.11-16);
3.4.2.2. Demonstrou confiança em Deus (Ne 2.20;4.20);
3.4.2.3. Buscou a Justiça de Deus (Ne 4.4-5);
3.4.2.4. Preparou-se para a batalha (Ne 4.9,13);
3.4.2.5. Animou o povo (Ne 4.14);
3.4.2.6. Manteve-se vigilante (Ne 4.16-18,21-23).
IV – QUAIS AS LIÇÕES QUE EXTRAÍMOS DA LIDERANÇA DE NEEMIAS?
Entre as diversas lições, conforme destaca Andrade (2010, pp.39-49) podemos apresentar duas: A importância do Planejar e Liderar com eficiência.
4.1. A importância de Planejar – A vida de Neemias nos mostra a relevância do planejamento das atitudes a serem tomadas na liderança, isto porque:
4.1.1. Planejar envolve enfrentar o Impossível- Neemias tinha um grande desafio pela frente. O líder deve sempre enfrentar obstáculos.
4.1.2. Planejar envolve prever as necessidades (Ne. 2.7-10); Neemias precisava de cartas para os governadores (v.7), permissão para transitar; carta para Asafe, guarda das matas (v. 8), material para o trabalho e Oficiais do exército (v.9), segurança e credenciamento. O líder sempre se antecipa aos problemas e elenca as necessidades.
4.1.3. Planejar envolve fazer um levantamento cauteloso da situação (v. 11-16) – Neemias não se precipitou para a ação nem para a conversa (v. 11-12); buscou mais informações sobre a situação local (v. 13-15); aguardou o momento certo para agir(v.15); não expôs idéias semiformadas (v. 16) e impediu que os inimigos soubessem dos planos e preservou o despertamento dos líderes locais. O líder sempre enxerga algo que os outros não conseguem, por isso a cautela sempre será uma virtude em sua vida.
4.1.4. Planejar envolve motivar o povo (v. 17-18) “Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem”.
4.2. Liderar com eficiência – A Liderança eficaz de Neemias nos ensina que:
4.2.1. Liderar envolve cooperação – O corpo de Cristo expressa unidade. Em 1 Cor 12.12-27 e Ef. 4.11-16, a unidade gera cooperação, e essa, edificação.
4.2.2. Liderar envolve vocação - Deus não chama a todos à liderança, mas todos são importantes no corpo (1 Cor 12.22);
4.2.3. Liderar envolve delegação – A distribuição e diversidade de serviços no Corpo de Cristo refletem a finalidade para qual cada membro do corpo foi designado, mostrando a distribuição equitativa que visa o aperfeiçoamento (treinar, capacitar) os santos (crentes) para o serviço (Ef. 4.11-12).
CONCLUSÃO
Somente com uma vida pautada na dependência de Deus e compromissados com sua Palavra é que
conseguiremos vencer os grandes desafios que nos deparamos diariamente. Neemias é o exemplo de um líder abnegado, compromissado, intercessor e acima de tudo obediente ao chamado e aos propósitos de Deus.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Geraldo Henrique de. Esdras e Neemias, uma perspectiva de liderança. Editora Cristã Evangélica
BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz, Vida.
GILBERTO, Antônio. Apostila de Seminário de Liderança Cristã.
LOPES, Hernandes Dias. Neemias, um líder que restaurou uma nação, Hagnos
NORMAN. Russel Champlin. Antigo Testamento interpretado versículo por versículo, Candeia.
RENOVATO, Elinaldo,Livro de Neemias, Integridade e Coragem em Tempos de Crise, CPAD.
Fonte: RBC - Lições Biblicas
EBD - 4º TRIMESTRE
QUANDO A CRISE MOSTRA A SUA FACE - Lição 1
A existência humana é marcada por altos e baixos, isto é, por sucessos e fracassos. Na experiência da fé o sucesso individual ou coletivo está diretamente relacionado a capacidade humana em entender e submeter-se a vontade de Deus. No Salmo primeiro temos uma perfeita noção dessa realidade. Em maior parte os momentos de crise vivenciados pelo povo de Deus, conforme registrado no Antigo Testamento através relato na história do povo Hebreu, ocorreram como resultado da desobediência e pecados cometidos pelo povo de Deus num contexto geral. Todavia, nem sempre as crises que homens e mulheres crentes enfrentam são geradas pelos seus próprios erros. Nesse contexto as crises se constituem em grandes oportunidades para testarmos a nossa própria determinação, a nossa capacidade de perseverarmos sem jamais aceitarmos a decretação miséria. Como nos diz salmista no Sl 20.8 “uns se encurvam e caem, mas nós levantamos e estamos de pé”. Os que se encurvam são aqueles que desistem quando a crise apresenta a sua verdadeira face, perdem a esperança, entregam as armas e assumem a fatalidade da derrota. A fé em Deus proporciona uma esperança ilimitada, e uma capacidade para se enxergar possibilidades além de qualquer previsão humana. Aquele que tem fé ainda que venha cair, mesmo assim encontrará forças para levantar e continuar de pé para enfrentar a crise com postura, integridade, fibra de caráter e esperança na certeza de que dias melhores hão de chegar. A nossa primeira lição do último trimestre/2011 traz uma abordagem sobre um desses momentos críticos vivido pela nação judaica alguns anos após o exílio babilônico. Tudo começa quando um hebreu chamado Neemias, provavelmente um descendente de uma família da nobreza judaica e também da linhagem davídica, que estava a serviço do Rei da Pérsia, Artaxerxes I, recebeu uma comitiva de Judeus oriundos de Jerusalém que lhe trouxeram notícias sobre a caótica e decadente situação em que se encontrava a cidade de Jerusalém.
CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO RELACIONADO COM O “PROJETO NEEMIAS”
Os dois primeiros capítulos do livro de Neemias introduzem o “projeto de Neemias” ; reedificar a cidade de Jerusalém (Ne 2.5). O texto de Ne 1-2 forma um pequeno bloco literário e de conteúdo coeso dentro do livro de Neemias. A maioria dos estudiosos entende que o texto é composto por duas partes perfeitamente relacionadas, cujo o tema principal é o estado e destruição de Jerusalém. Falar de programa de reconstrução de Jerusalém e reorganização de Judá não significa dizer que houve um programa com metas estabelecidas que se queria atingir; significa muito mais descrever o processo dentro do qual Judá foi sendo reorganizado. Ao que parece, esse processo foi deveras complicado. Não se pode esquecer também que o período entre a destruição de Jerusalém e a reconstrução de seu muro foi de quase um século e meio. É importante ficarmos cientes que no período exílico, Judá não era um “deserto populacional” como alguns pensam. Segundo algumas pesquisas, a população de Judá nesse período girava em torno de 180.000 habitantes. Conforme o Livro de Esdras, já no primeiro ano após a conquista da Babilônia (538 a. C.), Ciro autorizou o retorno dos exilados e a reconstrução do templo de Jerusalém. O ponto inicial para o processo da volta dos exilados foi a promulgação do Edito de Ciro, cuja a variante do texto aramaico se encontra em Ed 6.3-5. São mencionados vários grupos que retornaram do exílio. Ainda de acordo com estudioso Kreissig, na metade do V a. C. a população de Judá já contavam com aproximadamente 210.000 pessoas, correspondendo a uma densidade demográfica em torno de 130 habitantes por Km quadrado. A descrição do estado de Jerusalém por ocasião da chegada de Neemias parece evidenciar que a cidade e o templo foram restaurados em períodos diferentes, de modo que faz sentido encontrar diferentes tradições acerca de pessoas que reedificaram o templo (Ed 1 e 3). Os livros dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias parecem revelar que o interesse de reconstrução em Jerusalém, nas primeiras décadas, foi muito mais no âmbito particular. Isso a tal ponto que Ageu critica severamente tal comportamento: “Acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ag 1.4). Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., ainda encontrou a cidade de Jerusalém em situação desoladora. Os muros estavam destruídos a cidade em situação desoladora. Os muros estavam destruídos e o portões queimados (Ne 1.1-13). Todavia, mesmo após a reconstrução dos muros, a cidade ainda estava quase desabitada (Ne 7.4). Tudo parece indicar que ela voltou a ter uma vida ordinária, mas que de certa forma Jerusalém ainda não havia se tornado um pólo próspero e atrativo até a metade do V século a.C.
Um pouco antes da atuação de Neemias, a dinastia aquemenida tinha estado envolvida com assassinatos na disputa pelo trono. Xerxes (486-465 a.C.) fora asssssinado em 465 a.C., quando assumiu seu filho, Artaxerxes I (465-424 a.C.). Para galgar o trono, ele teve que mandar eliminar os seus irmãos. Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., pobreza e penúria reinavam na cidade. A partir do livro do profeta Malaquias são conhecidos alguns males morais e cultuais da vida comunitária. Algumas pesquisas têm chegado a conclusão de que a indicação de Neemias para a reconstrução do muro foi favorecida por uma forte motivação política, tendo em vista a ocorrência de revoltas em algumas Satrapias, o império buscava uma situação mais estável ou mais eficácia da administração persa em Judá. Talvez o rei achasse sensato reconstruir Jerusalém, a fim de ter um pequeno forte ao sul de Judá. Além do mais, era muito importante que na Judéia houvesse um súdito leal a ao rei, considerando-se as recentes rebeliões havidas. A grande maioria dos estudiosos vincula a destruição mencionada em Ne 1.2-3, de uma outra maneira, com o relato de Ed. 4.23. Os acontecimentos narrados em Ed 4.7-23 devem ser datados nos primeiros anos do reinado de Artaxerxes I. Neste período os habitantes de Samaria e os funcionários persas de Samaria procuravam dificultar a reconstrução de Jerusalém, especialmente do muro. A partir de Ed. 4.23 e de Ne 1.1, Schneider entende que inclusive uma parte da cidade, que havia sido restaurada, foi novamente destruída com violência e fogo. Para ele, a situação relatada pelas pessoas que vieram de Judá é conseqüência do mais recente decreto de Artaxerxes I (Ed 4.17-23), que determinou a interrupção da obra de restauração de Jerusalém. Outros estudiosos também concordam que a destruição relatada para Neemias deve ter tido lugar algum tempo após a missão de Esdras.
A ORAÇÃO É O PRIMEIRO RECURSO DE NEEMIAS
Neemias estava vivendo em uma situação muito confortável e de muito status político e social. Na nossa compreensão, conforme os nossos padrões profissionais, a profissão de copeiro, ainda que fosse do presidente da república, nunca seria encarada como um alto posto nos dias atuais, porém, naquele contexto a situação era bem diferente. O copeiro o rei era uma pessoa de sua extrema confiança, pois, ele era o responsável para impedir que o rei viesse a ser envenenado, participava de grande parte da privacidade do rei e muitas vezes se tornava confidente dele, o que nos parece ter sido o caso de Neemias. O fato de Artaxerxes questionar Neemias sobre a angustia que ele expressava por meio do semblante, demonstra que o rei tinha uma certa afinidade por ele, pois, geralmente os reis persas se mostravam indiferentes aos problemas sentimentais dos seus súditos e não costumavam misturar problemas pessoais com profissionais. A função de copeiro rei era tão importante, que alguns deles, muitas vezes exerciam paralelamente a essa função, altos cargos na administração pública, a semelhança de um ministro de estado. A abertura da oração de Neemias tem um paralelo com Dn 9.4. A linguagem deuteronomista perpassa toda a oração. Ela indica que Neemias era bem versado nessa linguagem e um estudioso das Escrituras, do contrário não poderia usar o AT tão livremente, como se pode perceber também em outras partes do livro (Ne 13.10,12,15). Neemias introduz a oração, não para comprovar sua piedade, mas para levar à presença de Deus toda problemática da qual tomou conhecimento. Neemias expressa sua fé quando recorre à oração. Ele reconhece que Deus é “grande e temível”, único e universal, é o Deus dos céus”. Todavia, o Deus que terá misericórdia dos que estiverem prontos ao arrependimento. Neemias se atém, assim, á promessa de que Deus é fiel àqueles que permanecem fiéis ao Senhor e mantém a sua aliança. É na lembrança dessa promessa que Neemias baseia sua esperança: Deus ouvirá sua oração. Miséria e exílio são conseqüência da ira divina. Neemias invoca Deus, pedindo sua atenção (v.6) e apresentando-lhe a confissão de pecados, dos seus próprios e dos seus irmãos (VV. 6-7). No reconhecimento de que a pessoa só pode estar diante de Deus depois de confessar sua culpa, o primeiro conteúdo concreto da oração é a confissão de culpa. A auto-inclusão de Neemias nessa confissão demonstra sua honestidade. Após a confissão de pecados, segue-se o pedido de fato: Deus havia anunciado o exílio como castigo para a quebra da fidelidade, mas também havia prometido salvação aos arrependidos (Dt 30.1-5). Neemias está apelando para a promessa de Javé. O apelo de Neemias é um apelo à misericórdia de Deus. A situação de Judá mostra que Deus cumpriu sua palavra, quando disse que puniria o povo se este persistisse no pecado. Neemias vê essa condição calamitosa de Judá como indicação do poder de Deus (Jr 18.6). Dessa forma, ele defende que Deus é igualmente capaz para restaurar a sorte de Judá, desde que haja sinais de arrependimento. No final da oração, Neemias volta a invocação inicial de que Javé lhe ouça a oração, mas agora com um aspecto muito concreto: que ele, Neemias, encontre um ouvido aberto da parte do rei. O pedido de que “seja bem-sucedido hoje o teu servo” (v.10) deve se referir aos planos de Neemias de reconstruir Jerusalém; que Neemias tenha sucesso no seu arrependimento de pedir ao rei que lhe dê autorização para reedificar Jerusalém. Neemias sabe muito bem que sua vida estará nas mãos do rei quando fizer o pedido. Fazer tal pedido diante do rei poderia ser altamente perigoso, mesmo para alguém que era protegido por ele, pois Artaxerxes I poderia entender o pedido de Neemias como uma afronta. Sabe-se que os reis do Antigo Oriente eram muito temperamentais, e suas reações muito imprevisíveis. O livro de Ester mostra que,afinal, é sempre um risco de vida chegar diante do rei (Et 4.11-16). Mas Neemias sabe que Deus é soberano, Senhor da história. E assim, nesse contexto da oração, ele pode usar a expressão “este homem” para designar o rei. Esta expressão não é tão anormal se se considerar que ela está sendo usada em oração diante de Deus, perante o qual o rei não passa de uma pessoa qualquer que também pode ser conduzida pela vontade de Deus.Por isso, a última decisão final será dada pelo Senhor da História!
Fonte: Blog Reflexões Teológicas
A existência humana é marcada por altos e baixos, isto é, por sucessos e fracassos. Na experiência da fé o sucesso individual ou coletivo está diretamente relacionado a capacidade humana em entender e submeter-se a vontade de Deus. No Salmo primeiro temos uma perfeita noção dessa realidade. Em maior parte os momentos de crise vivenciados pelo povo de Deus, conforme registrado no Antigo Testamento através relato na história do povo Hebreu, ocorreram como resultado da desobediência e pecados cometidos pelo povo de Deus num contexto geral. Todavia, nem sempre as crises que homens e mulheres crentes enfrentam são geradas pelos seus próprios erros. Nesse contexto as crises se constituem em grandes oportunidades para testarmos a nossa própria determinação, a nossa capacidade de perseverarmos sem jamais aceitarmos a decretação miséria. Como nos diz salmista no Sl 20.8 “uns se encurvam e caem, mas nós levantamos e estamos de pé”. Os que se encurvam são aqueles que desistem quando a crise apresenta a sua verdadeira face, perdem a esperança, entregam as armas e assumem a fatalidade da derrota. A fé em Deus proporciona uma esperança ilimitada, e uma capacidade para se enxergar possibilidades além de qualquer previsão humana. Aquele que tem fé ainda que venha cair, mesmo assim encontrará forças para levantar e continuar de pé para enfrentar a crise com postura, integridade, fibra de caráter e esperança na certeza de que dias melhores hão de chegar. A nossa primeira lição do último trimestre/2011 traz uma abordagem sobre um desses momentos críticos vivido pela nação judaica alguns anos após o exílio babilônico. Tudo começa quando um hebreu chamado Neemias, provavelmente um descendente de uma família da nobreza judaica e também da linhagem davídica, que estava a serviço do Rei da Pérsia, Artaxerxes I, recebeu uma comitiva de Judeus oriundos de Jerusalém que lhe trouxeram notícias sobre a caótica e decadente situação em que se encontrava a cidade de Jerusalém.
CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO RELACIONADO COM O “PROJETO NEEMIAS”
Os dois primeiros capítulos do livro de Neemias introduzem o “projeto de Neemias” ; reedificar a cidade de Jerusalém (Ne 2.5). O texto de Ne 1-2 forma um pequeno bloco literário e de conteúdo coeso dentro do livro de Neemias. A maioria dos estudiosos entende que o texto é composto por duas partes perfeitamente relacionadas, cujo o tema principal é o estado e destruição de Jerusalém. Falar de programa de reconstrução de Jerusalém e reorganização de Judá não significa dizer que houve um programa com metas estabelecidas que se queria atingir; significa muito mais descrever o processo dentro do qual Judá foi sendo reorganizado. Ao que parece, esse processo foi deveras complicado. Não se pode esquecer também que o período entre a destruição de Jerusalém e a reconstrução de seu muro foi de quase um século e meio. É importante ficarmos cientes que no período exílico, Judá não era um “deserto populacional” como alguns pensam. Segundo algumas pesquisas, a população de Judá nesse período girava em torno de 180.000 habitantes. Conforme o Livro de Esdras, já no primeiro ano após a conquista da Babilônia (538 a. C.), Ciro autorizou o retorno dos exilados e a reconstrução do templo de Jerusalém. O ponto inicial para o processo da volta dos exilados foi a promulgação do Edito de Ciro, cuja a variante do texto aramaico se encontra em Ed 6.3-5. São mencionados vários grupos que retornaram do exílio. Ainda de acordo com estudioso Kreissig, na metade do V a. C. a população de Judá já contavam com aproximadamente 210.000 pessoas, correspondendo a uma densidade demográfica em torno de 130 habitantes por Km quadrado. A descrição do estado de Jerusalém por ocasião da chegada de Neemias parece evidenciar que a cidade e o templo foram restaurados em períodos diferentes, de modo que faz sentido encontrar diferentes tradições acerca de pessoas que reedificaram o templo (Ed 1 e 3). Os livros dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias parecem revelar que o interesse de reconstrução em Jerusalém, nas primeiras décadas, foi muito mais no âmbito particular. Isso a tal ponto que Ageu critica severamente tal comportamento: “Acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ag 1.4). Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., ainda encontrou a cidade de Jerusalém em situação desoladora. Os muros estavam destruídos a cidade em situação desoladora. Os muros estavam destruídos e o portões queimados (Ne 1.1-13). Todavia, mesmo após a reconstrução dos muros, a cidade ainda estava quase desabitada (Ne 7.4). Tudo parece indicar que ela voltou a ter uma vida ordinária, mas que de certa forma Jerusalém ainda não havia se tornado um pólo próspero e atrativo até a metade do V século a.C.
Um pouco antes da atuação de Neemias, a dinastia aquemenida tinha estado envolvida com assassinatos na disputa pelo trono. Xerxes (486-465 a.C.) fora asssssinado em 465 a.C., quando assumiu seu filho, Artaxerxes I (465-424 a.C.). Para galgar o trono, ele teve que mandar eliminar os seus irmãos. Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., pobreza e penúria reinavam na cidade. A partir do livro do profeta Malaquias são conhecidos alguns males morais e cultuais da vida comunitária. Algumas pesquisas têm chegado a conclusão de que a indicação de Neemias para a reconstrução do muro foi favorecida por uma forte motivação política, tendo em vista a ocorrência de revoltas em algumas Satrapias, o império buscava uma situação mais estável ou mais eficácia da administração persa em Judá. Talvez o rei achasse sensato reconstruir Jerusalém, a fim de ter um pequeno forte ao sul de Judá. Além do mais, era muito importante que na Judéia houvesse um súdito leal a ao rei, considerando-se as recentes rebeliões havidas. A grande maioria dos estudiosos vincula a destruição mencionada em Ne 1.2-3, de uma outra maneira, com o relato de Ed. 4.23. Os acontecimentos narrados em Ed 4.7-23 devem ser datados nos primeiros anos do reinado de Artaxerxes I. Neste período os habitantes de Samaria e os funcionários persas de Samaria procuravam dificultar a reconstrução de Jerusalém, especialmente do muro. A partir de Ed. 4.23 e de Ne 1.1, Schneider entende que inclusive uma parte da cidade, que havia sido restaurada, foi novamente destruída com violência e fogo. Para ele, a situação relatada pelas pessoas que vieram de Judá é conseqüência do mais recente decreto de Artaxerxes I (Ed 4.17-23), que determinou a interrupção da obra de restauração de Jerusalém. Outros estudiosos também concordam que a destruição relatada para Neemias deve ter tido lugar algum tempo após a missão de Esdras.
A ORAÇÃO É O PRIMEIRO RECURSO DE NEEMIAS
Neemias estava vivendo em uma situação muito confortável e de muito status político e social. Na nossa compreensão, conforme os nossos padrões profissionais, a profissão de copeiro, ainda que fosse do presidente da república, nunca seria encarada como um alto posto nos dias atuais, porém, naquele contexto a situação era bem diferente. O copeiro o rei era uma pessoa de sua extrema confiança, pois, ele era o responsável para impedir que o rei viesse a ser envenenado, participava de grande parte da privacidade do rei e muitas vezes se tornava confidente dele, o que nos parece ter sido o caso de Neemias. O fato de Artaxerxes questionar Neemias sobre a angustia que ele expressava por meio do semblante, demonstra que o rei tinha uma certa afinidade por ele, pois, geralmente os reis persas se mostravam indiferentes aos problemas sentimentais dos seus súditos e não costumavam misturar problemas pessoais com profissionais. A função de copeiro rei era tão importante, que alguns deles, muitas vezes exerciam paralelamente a essa função, altos cargos na administração pública, a semelhança de um ministro de estado. A abertura da oração de Neemias tem um paralelo com Dn 9.4. A linguagem deuteronomista perpassa toda a oração. Ela indica que Neemias era bem versado nessa linguagem e um estudioso das Escrituras, do contrário não poderia usar o AT tão livremente, como se pode perceber também em outras partes do livro (Ne 13.10,12,15). Neemias introduz a oração, não para comprovar sua piedade, mas para levar à presença de Deus toda problemática da qual tomou conhecimento. Neemias expressa sua fé quando recorre à oração. Ele reconhece que Deus é “grande e temível”, único e universal, é o Deus dos céus”. Todavia, o Deus que terá misericórdia dos que estiverem prontos ao arrependimento. Neemias se atém, assim, á promessa de que Deus é fiel àqueles que permanecem fiéis ao Senhor e mantém a sua aliança. É na lembrança dessa promessa que Neemias baseia sua esperança: Deus ouvirá sua oração. Miséria e exílio são conseqüência da ira divina. Neemias invoca Deus, pedindo sua atenção (v.6) e apresentando-lhe a confissão de pecados, dos seus próprios e dos seus irmãos (VV. 6-7). No reconhecimento de que a pessoa só pode estar diante de Deus depois de confessar sua culpa, o primeiro conteúdo concreto da oração é a confissão de culpa. A auto-inclusão de Neemias nessa confissão demonstra sua honestidade. Após a confissão de pecados, segue-se o pedido de fato: Deus havia anunciado o exílio como castigo para a quebra da fidelidade, mas também havia prometido salvação aos arrependidos (Dt 30.1-5). Neemias está apelando para a promessa de Javé. O apelo de Neemias é um apelo à misericórdia de Deus. A situação de Judá mostra que Deus cumpriu sua palavra, quando disse que puniria o povo se este persistisse no pecado. Neemias vê essa condição calamitosa de Judá como indicação do poder de Deus (Jr 18.6). Dessa forma, ele defende que Deus é igualmente capaz para restaurar a sorte de Judá, desde que haja sinais de arrependimento. No final da oração, Neemias volta a invocação inicial de que Javé lhe ouça a oração, mas agora com um aspecto muito concreto: que ele, Neemias, encontre um ouvido aberto da parte do rei. O pedido de que “seja bem-sucedido hoje o teu servo” (v.10) deve se referir aos planos de Neemias de reconstruir Jerusalém; que Neemias tenha sucesso no seu arrependimento de pedir ao rei que lhe dê autorização para reedificar Jerusalém. Neemias sabe muito bem que sua vida estará nas mãos do rei quando fizer o pedido. Fazer tal pedido diante do rei poderia ser altamente perigoso, mesmo para alguém que era protegido por ele, pois Artaxerxes I poderia entender o pedido de Neemias como uma afronta. Sabe-se que os reis do Antigo Oriente eram muito temperamentais, e suas reações muito imprevisíveis. O livro de Ester mostra que,afinal, é sempre um risco de vida chegar diante do rei (Et 4.11-16). Mas Neemias sabe que Deus é soberano, Senhor da história. E assim, nesse contexto da oração, ele pode usar a expressão “este homem” para designar o rei. Esta expressão não é tão anormal se se considerar que ela está sendo usada em oração diante de Deus, perante o qual o rei não passa de uma pessoa qualquer que também pode ser conduzida pela vontade de Deus.Por isso, a última decisão final será dada pelo Senhor da História!
Fonte: Blog Reflexões Teológicas
terça-feira, 16 de agosto de 2011
4º TRIMESTRE 2011
LIÇÕES BÍBLICAS PARA A ESCOLA DOMINICAL
4º. Trimestre de 2011
TEMA CENTRAL
NEEMIAS – Integridade e coragem em tempos de crise
Lição 1 – Quando a crise mostra sua face
Lição 2 – Liderança em tempos de crise
Lição 3 – Aprendendo com as portas de Jerusalém
Lição 4 – Como enfrentar a oposição à obra de Deus
Lição 5 – A conspiração dos inimigos contra Neemias
Lição 6 – Neemias lidera um genuíno avivamento
Lição 7 – Arrependimento, a base para o conserto
Lição 8 – O compromisso com a palavra de Deus
Lição 9 – A organização do serviço religioso
Lição 10 – O Exercício ministerial na casa do Senhor
Lição 11 – O Dia de adoração e serviço a Deus
Lição 12 – As conseqüências do jugo desigual
Lição 13 – A integridade de um líder
4º. Trimestre de 2011
TEMA CENTRAL
NEEMIAS – Integridade e coragem em tempos de crise
Lição 1 – Quando a crise mostra sua face
Lição 2 – Liderança em tempos de crise
Lição 3 – Aprendendo com as portas de Jerusalém
Lição 4 – Como enfrentar a oposição à obra de Deus
Lição 5 – A conspiração dos inimigos contra Neemias
Lição 6 – Neemias lidera um genuíno avivamento
Lição 7 – Arrependimento, a base para o conserto
Lição 8 – O compromisso com a palavra de Deus
Lição 9 – A organização do serviço religioso
Lição 10 – O Exercício ministerial na casa do Senhor
Lição 11 – O Dia de adoração e serviço a Deus
Lição 12 – As conseqüências do jugo desigual
Lição 13 – A integridade de um líder
sábado, 30 de julho de 2011
COMENTARIO DA LIÇÃO 05 - 3º SEMESTRE
LIÇÃO 05 – O REINO DE DEUS ATRAVÉS DA IGREJA
INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos que o principal representante do Reino de Deus aqui na Terra é a Igreja. Sabemos que
o Reino vai além dela, pois esta teve sua inauguração no dia de Pentecostes e atingirá o ápice de sua glorificação quando do arrebatamento, ao passo que o Reino de Deus já existia antes dela, principalmente por meio de Israel, e continuará a existir após o arrebatamento, no Reino Milenial e na eternidade.
I – O REINO DE DEUS E A IGREJA
No Antigo Testamento, Deus mandou levantar o tabernáculo para habitar com o seu povo: “E me farão um
santuário, e habitarei no meio deles” (Ex 25.8). Ele encheu-o com a Sua glória (Ex 40.34). Também o templo foi levantado com a mesma finalidade (I Rs 6.11-13) e Deus prometeu que os seus olhos e o seu coração estariam ali para sempre (I Rs 9.3-5). Já no Novo Testamento, Deus prometeu fazer da Igreja a sua morada (Ef 2.21,22; I Co 3.16). Jesus afirmou que onde estivessem dois ou três reunidos no seu nome, ele ali estaria (Mt 18.20). É importante traçarmos este paralelo entre a Antiga e a Nova Aliança, no que diz respeito a representação do Reino de Deus.
Vejamos as similaridades de dois textos notáveis:
ISRAEL (Ex 19.5,6)
Propriedade peculiar
Reino sacerdotal
Nação santa Nação santa
A nação deveria levar o conhecimento do Senhor perante as demais nações
Israel falhou no seu propósito, e o conhecimento de Deus ficou mais restrito aos hebreus
IGREJA (I Pe 2.9)
Propriedade peculiar
Reino sacerdotalNação santa
A Igreja não falhou no seu propósito e continua espalhando o conhecimento do Senhor entre as nações
Apesar das muitas semelhanças, podemos mencionar duas diferenças principais entre Israel e a Igreja:
a) O sacerdócio no Antigo Pacto era restrito a uma minoria qualificada. Sua atividade distintiva era
oferecer sacrifícios a Deus em prol do seu povo e comunicar-se diretamente com o Senhor (Ex 28.1; II Cr29.11). Agora, por meio de Cristo, todo crente é constituído sacerdote para serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10).
Isso significa que todo cristão tem acesso direto a Deus, através de Cristo (I Pe 3.18; Jo 14.6; Ef 2.18), deve viver em santificação (I Pe 1.14-17), deve oferecer sacrifícios espirituais (Rm 12.1,2; Fp 2.17; 4.18; Hb 13.15), deve interceder uns pelos outros (Cl 4.12; I Tm 2.1) e devem proclamar a Palavra (At 4.31; I Pe 3.15).
b) A expansão do Reino quando o seu representante era tão somente Israel quase não aconteceu. Dentre
outros motivos, estava o sentimento de exclusivismo por parte dos judeus, o que os impedia de romper as
fronteiras e as culturas das demais nações (Rm 9.1-8). Já o crescimento da Igreja e, consequentemente, do
Reino se dá exponencialmente:
• At 2.41. Quase três mil almas;
• At 4.4. Quase cinco mil almas;
• At 5.14. A multidão cresce mais e mais;
• At 13-28. Através das viagens missionárias, o Reino de Deus torna-se conhecido até além do vastíssimo
Império Romano;
• Hoje, mediante a obra missionária e o avanço tecnológico, a Igreja prega a mensagem da Palavra de Deus
de forma intercontinental, sendo ela composta de pessoas de todas as raças, línguas, tribos e nações
Não nos esqueçamos de que a Igreja é a principal representante do Reino de Deus na atual dispensação,
porém este vai além daquela, uma vez que já existia antes dela e continuará existindo após o seu arrebatamento.
II – O REINO DE DEUS PRESENTE NA IGREJA
Analisemos as três vias principais da presença do Reino de Deus na Igreja:
2.1 Na pregação cristocêntrica. Desde os primórdios a Igreja anuncia a Cristo incessantemente. Vemos isso já nos sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos. Destaquemos alguns pontos de alguns sermões. Iniciemos com o sermão de Pedro no capítulo 2:
• vs.22 – Jesus é apresentado como aprovado por Deus e realizador de milagres e maravilhas;
• vs.23 – Jesus é mencionado como alguém que foi injustiçado;
• vs.24 – Jesus foi ressuscitado por Deus e mostrou senhorio sobre a morte;
• vs.25-28 – Jesus é o cumprimento de profecias veterotestamentárias;
• vs.32 – Jesus é digno de testemunho;
• vs.33 – Jesus foi exaltado pelo Pai e é apresentado como o que derrama o Espírito Santo;
• vs.34 – Jesus é o Senhor do rei Davi;
• vs.35 – Jesus é Senhor e Cristo.
Vejamos também o sermão de Paulo no capítulo 13:
• vs.23 – Jesus é o descendente de Davi e o Salvador de Israel;
• vs.25 – Jesus é digno de muitas honrarias;
• vs.27-29 – Jesus sofreu uma morte injusta, porém necessária;
• vs.30 – Jesus ressuscitou dos mortos;
• vs.33,35 – O livro dos Salmos testifica de Cristo;
• vs.36 – Jesus é incorruptível;
• vs.38 – Jesus é remidor de pecados;
• vs.39 – Jesus é o único justificador.
Não podemos fazer diferente. Jesus deve ser o centro de toda mensagem bíblica. Ele encarnou, viveu neste
mundo, morreu na cruz do calvário para garantir-nos a redenção, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céus e reina a direita de Deus. E continua salvando, curando, batizando com o Espírito Santo, preparando o homem e virar buscar os seus em breve.
2.2 Na comunhão. O apóstolo Paulo afirmou que o Reino de Deus consiste em justiça, paz e alegria (Rm 14.17), isso implica necessariamente numa maravilhosa comunhão entre os seus integrantes. Tal comunhão, porém, só é possível devido a ação do amor de Deus, que foi derramado em nossas vidas por meio do Espírito Santo (Rm 5.5; I Jo 1.3). A nossa comunhão com Deus possibilita a comunhão com o próximo. Uma depende da outra (I Jo 1.7).
Lembremos que a Igreja é o Corpo de Cristo, cujos membros estão bem ligados e ajustados, mantendo um
relacionamento contínuo de interdependência e cumplicidade (I Co 12.12-26). Estamos fortemente vinculados pelo amor (Cl 3.14), de forma que sentimos todos uma mesma coisa (I Co 12.26), alegrando-nos com os que se alegram e chorando com os que choram (Rm 12.15). A comunhão perfeita entre os crentes é um dos principais agentes de proclamação para o mundo (Jo 13.35).
2.3 Nas Boas Obras. O apóstolo Paulo nos diz que a salvação não é alcançada pelas obras (Ef. 2.9), porém todo salvo deve praticá-la : “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Trata-se de uma forma eficaz de proclamação da mensagem do evangelho (Mt 5.16). Tal qual Dorcas, o crente deve ser “cheio de boas obras e esmolas” (At 9.36).
Tiago foi enfático ao dizer que é impossível continuar professando a fé em Cristo sem a prática de boas obras, já que estas são uma expressão daquela (Tg 2.14-26). Atentemos para a recomendação paulina registrada em Gl 6.10: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos na fé”.
CONCLUSÃO
A Igreja é parte integrante do Reino de Deus e segue firme e inabalável na sua marcha rumo aos céus.
Muitos mais do que na Antiga Aliança, “os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.5).
REFERÊNCIAS
- Bíblia de Estudo Pentecostal. Donald C. Stamps. Ed Cpad;
- Teologia Sistemática. Eurico Bergstén; Cpad;
- Teologia Sistemática. Stanley Horton; Cpad;
- Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Myer Pearlman; Vida Acadêmica.
Fonte: Rede Brasil de Comunicações - Recife - PE
INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos que o principal representante do Reino de Deus aqui na Terra é a Igreja. Sabemos que
o Reino vai além dela, pois esta teve sua inauguração no dia de Pentecostes e atingirá o ápice de sua glorificação quando do arrebatamento, ao passo que o Reino de Deus já existia antes dela, principalmente por meio de Israel, e continuará a existir após o arrebatamento, no Reino Milenial e na eternidade.
I – O REINO DE DEUS E A IGREJA
No Antigo Testamento, Deus mandou levantar o tabernáculo para habitar com o seu povo: “E me farão um
santuário, e habitarei no meio deles” (Ex 25.8). Ele encheu-o com a Sua glória (Ex 40.34). Também o templo foi levantado com a mesma finalidade (I Rs 6.11-13) e Deus prometeu que os seus olhos e o seu coração estariam ali para sempre (I Rs 9.3-5). Já no Novo Testamento, Deus prometeu fazer da Igreja a sua morada (Ef 2.21,22; I Co 3.16). Jesus afirmou que onde estivessem dois ou três reunidos no seu nome, ele ali estaria (Mt 18.20). É importante traçarmos este paralelo entre a Antiga e a Nova Aliança, no que diz respeito a representação do Reino de Deus.
Vejamos as similaridades de dois textos notáveis:
ISRAEL (Ex 19.5,6)
Propriedade peculiar
Reino sacerdotal
Nação santa Nação santa
A nação deveria levar o conhecimento do Senhor perante as demais nações
Israel falhou no seu propósito, e o conhecimento de Deus ficou mais restrito aos hebreus
IGREJA (I Pe 2.9)
Propriedade peculiar
Reino sacerdotalNação santa
A Igreja não falhou no seu propósito e continua espalhando o conhecimento do Senhor entre as nações
Apesar das muitas semelhanças, podemos mencionar duas diferenças principais entre Israel e a Igreja:
a) O sacerdócio no Antigo Pacto era restrito a uma minoria qualificada. Sua atividade distintiva era
oferecer sacrifícios a Deus em prol do seu povo e comunicar-se diretamente com o Senhor (Ex 28.1; II Cr29.11). Agora, por meio de Cristo, todo crente é constituído sacerdote para serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10).
Isso significa que todo cristão tem acesso direto a Deus, através de Cristo (I Pe 3.18; Jo 14.6; Ef 2.18), deve viver em santificação (I Pe 1.14-17), deve oferecer sacrifícios espirituais (Rm 12.1,2; Fp 2.17; 4.18; Hb 13.15), deve interceder uns pelos outros (Cl 4.12; I Tm 2.1) e devem proclamar a Palavra (At 4.31; I Pe 3.15).
b) A expansão do Reino quando o seu representante era tão somente Israel quase não aconteceu. Dentre
outros motivos, estava o sentimento de exclusivismo por parte dos judeus, o que os impedia de romper as
fronteiras e as culturas das demais nações (Rm 9.1-8). Já o crescimento da Igreja e, consequentemente, do
Reino se dá exponencialmente:
• At 2.41. Quase três mil almas;
• At 4.4. Quase cinco mil almas;
• At 5.14. A multidão cresce mais e mais;
• At 13-28. Através das viagens missionárias, o Reino de Deus torna-se conhecido até além do vastíssimo
Império Romano;
• Hoje, mediante a obra missionária e o avanço tecnológico, a Igreja prega a mensagem da Palavra de Deus
de forma intercontinental, sendo ela composta de pessoas de todas as raças, línguas, tribos e nações
Não nos esqueçamos de que a Igreja é a principal representante do Reino de Deus na atual dispensação,
porém este vai além daquela, uma vez que já existia antes dela e continuará existindo após o seu arrebatamento.
II – O REINO DE DEUS PRESENTE NA IGREJA
Analisemos as três vias principais da presença do Reino de Deus na Igreja:
2.1 Na pregação cristocêntrica. Desde os primórdios a Igreja anuncia a Cristo incessantemente. Vemos isso já nos sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos. Destaquemos alguns pontos de alguns sermões. Iniciemos com o sermão de Pedro no capítulo 2:
• vs.22 – Jesus é apresentado como aprovado por Deus e realizador de milagres e maravilhas;
• vs.23 – Jesus é mencionado como alguém que foi injustiçado;
• vs.24 – Jesus foi ressuscitado por Deus e mostrou senhorio sobre a morte;
• vs.25-28 – Jesus é o cumprimento de profecias veterotestamentárias;
• vs.32 – Jesus é digno de testemunho;
• vs.33 – Jesus foi exaltado pelo Pai e é apresentado como o que derrama o Espírito Santo;
• vs.34 – Jesus é o Senhor do rei Davi;
• vs.35 – Jesus é Senhor e Cristo.
Vejamos também o sermão de Paulo no capítulo 13:
• vs.23 – Jesus é o descendente de Davi e o Salvador de Israel;
• vs.25 – Jesus é digno de muitas honrarias;
• vs.27-29 – Jesus sofreu uma morte injusta, porém necessária;
• vs.30 – Jesus ressuscitou dos mortos;
• vs.33,35 – O livro dos Salmos testifica de Cristo;
• vs.36 – Jesus é incorruptível;
• vs.38 – Jesus é remidor de pecados;
• vs.39 – Jesus é o único justificador.
Não podemos fazer diferente. Jesus deve ser o centro de toda mensagem bíblica. Ele encarnou, viveu neste
mundo, morreu na cruz do calvário para garantir-nos a redenção, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céus e reina a direita de Deus. E continua salvando, curando, batizando com o Espírito Santo, preparando o homem e virar buscar os seus em breve.
2.2 Na comunhão. O apóstolo Paulo afirmou que o Reino de Deus consiste em justiça, paz e alegria (Rm 14.17), isso implica necessariamente numa maravilhosa comunhão entre os seus integrantes. Tal comunhão, porém, só é possível devido a ação do amor de Deus, que foi derramado em nossas vidas por meio do Espírito Santo (Rm 5.5; I Jo 1.3). A nossa comunhão com Deus possibilita a comunhão com o próximo. Uma depende da outra (I Jo 1.7).
Lembremos que a Igreja é o Corpo de Cristo, cujos membros estão bem ligados e ajustados, mantendo um
relacionamento contínuo de interdependência e cumplicidade (I Co 12.12-26). Estamos fortemente vinculados pelo amor (Cl 3.14), de forma que sentimos todos uma mesma coisa (I Co 12.26), alegrando-nos com os que se alegram e chorando com os que choram (Rm 12.15). A comunhão perfeita entre os crentes é um dos principais agentes de proclamação para o mundo (Jo 13.35).
2.3 Nas Boas Obras. O apóstolo Paulo nos diz que a salvação não é alcançada pelas obras (Ef. 2.9), porém todo salvo deve praticá-la : “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Trata-se de uma forma eficaz de proclamação da mensagem do evangelho (Mt 5.16). Tal qual Dorcas, o crente deve ser “cheio de boas obras e esmolas” (At 9.36).
Tiago foi enfático ao dizer que é impossível continuar professando a fé em Cristo sem a prática de boas obras, já que estas são uma expressão daquela (Tg 2.14-26). Atentemos para a recomendação paulina registrada em Gl 6.10: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos na fé”.
CONCLUSÃO
A Igreja é parte integrante do Reino de Deus e segue firme e inabalável na sua marcha rumo aos céus.
Muitos mais do que na Antiga Aliança, “os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.5).
REFERÊNCIAS
- Bíblia de Estudo Pentecostal. Donald C. Stamps. Ed Cpad;
- Teologia Sistemática. Eurico Bergstén; Cpad;
- Teologia Sistemática. Stanley Horton; Cpad;
- Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Myer Pearlman; Vida Acadêmica.
Fonte: Rede Brasil de Comunicações - Recife - PE
sábado, 23 de julho de 2011
INFORMAÇÕES
Queridos irmãos e a todos que tem acessado este blog, a Paz do Senhor,
Após alguns dias sem atividades neste espaço, devido a atribuições seculares, venho retornar a postar novamente os resumos das lições da escola bíblica e outras atividades do nosso ministerio,
Que a benção de Deus estejam sobre todos vocês, abraços
Pr. Edson Ferreira
Após alguns dias sem atividades neste espaço, devido a atribuições seculares, venho retornar a postar novamente os resumos das lições da escola bíblica e outras atividades do nosso ministerio,
Que a benção de Deus estejam sobre todos vocês, abraços
Pr. Edson Ferreira
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